Exportações
de couros registraram US$ 588,62 milhões até julho
As exportações
brasileiras de couros registraram US$ 588,62 milhões nos sete
meses do ano, queda de 52%, em relação ao mesmo período
de 2008, segundo dados elaborados pelo Centro das Indústrias
de Curtumes do Brasil (CICB), com base no balanço da Secretaria
de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior.
A despeito das dificuldades enfrentadas no período, o balanço
de julho das vendas externas de couros de maior valor agregado em relação
ao mês anterior aponta um crescimento de 5% nos embarques físicos
e de 4% na receita apurada.
“Sem dúvida, a crise mundial segue afetando negativamente as
exportações do couro brasileiro”, analisa o presidente
do CICB, Luiz Bittencourt. O executivo cita outros fatores, além
da crise econômica, como as altas taxas de juros, excessiva burocracia,
precariedade do sistema de infra-estrutura, mas, principalmente, falta
de capital de giro para as empresas do setor.
Neste cenário, o Centro das Indústrias de Curtumes do
Brasil continua alertando as autoridades governamentais para a importância
da adoção de medidas de apoio e que amenizem as conseqüências
da falta de demanda do couro brasileiro no exterior, como as que estão
sendo implementadas para a indústria da carne.
“É fundamental que o governo apóie a indústria
do couro com medidas como a criação de linhas de créditos
para capital de giro (Banco do Brasil e BNDES), adequação
de prazos e encargos de ACC (Adiantamento sobre Contrato de Câmbio),
além de agilização nos ressarcimentos de créditos
de exportação e autorização da compensação
automática de créditos fiscais”, salienta o presidente
do CICB.
Segundo o executivo, a indústria brasileira do couro adotou
e continua adotando medidas para se adaptar a este período de
forte instabilidade no mercado. Uma das principais ferramentas para
manter a competitividade do setor é o convênio que o CICB
firmou com a ApexBrasil – Agência Brasileira de Promoção
de Exportações e Investimentos, para reforçar a
imagem e as vendas do couro brasileiro no mercado internacional. A indústria
do couro movimentou US$ 1,8 bilhão, em 2008, contribuindo em
7% para o saldo da balança comercial brasileira.
Até julho, os principais destinos do couro brasileiro foram
a China e Hong Kong, ambos com US$ 217 milhões (36,87% de participação);
Itália, com US$ 133,31 milhões (22,65% de participação);
Estados Unidos, US$ 47,32 milhões (8%), Vietnã, com US$
24,50 milhões (4,16%), México, US$ 19,96 milhões
(3,4%) e Alemanha, com US$ 15,10 milhões (2,57%).
No acumulado dos sete meses de 2009, a Índia aumentou suas compras
(10%), somando US$ 6,36 milhões. Já o Paraguai continuou
sendo um dos mercados de maior crescimento (467%), adquirindo US$ 1,34
milhão, seguido de Belarus (ex-República da antiga União
Soviética) que cresceu 118,8 vezes, totalizando US$ 169,86 mil.
Outros países que também aumentaram as importações
do couro brasileiro foram o Líbano, que importou US$ 167,44 mil
(343%) e a Guatemala (518%), com US$ 42,64 mil.
O Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB) é
uma entidade federativa que representa, há 52 anos, cerca de
800 empresas de produção e processamento de couro. O complexo
industrial emprega cerca de 50 mil pessoas, movimenta um PIB estimado
em US$ 3,5 bilhões e recolheu impostos da ordem de US$ 1 bilhão
em 2008.
Principais estados exportadores
O balanço dos embarques de couros dos estados brasileiros de
janeiro a julho de 2009, em relação ao acumulado do ano
passado, revela que o Rio Grande do Sul segue na posição
de maior exportador nacional (US$ 161 milhões, 27,36% de participação
e redução de 49%), seguido por São Paulo (US$ 142
milhões, participação de 24,13% e recuo de 64%),
Ceará (US$ 61,81 milhões, 10,5% e queda de 50%) e Paraná
(US$ 48,74 milhões, 8,28%, e decréscimo de 15%).
Os demais estados são Bahia (US$ 44,38 milhões), Mato
Grosso (US$ 35,34 milhões), Goiás (US$ 29,81 milhões),
Mato Grosso do Sul (US$ 24 milhões) e Minas Gerais (US$ 20,16
milhões).