Exportações
de calçados apresentam crescimento de 15,2%
De
janeiro a julho deste ano, as exportações brasileiras
de calçados apresentaram um acréscimo de 15,2% em volume
exportado, em comparação ao mesmo período do ano
anterior. Este ano, foram embarcados 89 milhões de pares contra
77,3 milhões no ano passado. Em termos financeiros, houve alta
de 10,4% - resultado de US$ 900,8 milhões em faturamento este
ano, contra US$ 815,8 milhões no ano passado. Os dados são
da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados
(Abicalçados), com base nos números fornecidos pela Secretaria
de Comércio Exterior (Secex).
Compradores - Os Estados Unidos continuam liderando a lista dos principais
compradores, com a aquisição de 23,6 milhões de
pares nos primeiros sete meses deste ano, contra 18,4 milhões
de pares em igual período do ano passado. O faturamento de 2010
ficou em US$ 228,7 milhões, contra US$ 207 milhões, sendo
que o preço médio baixou de US$ 11,26 no ano passado para
US$ 9,70 este ano.
Mantendo também a mesma posição, o Reino Unido
ficou em segundo lugar entre os principais clientes do Brasil sendo
que, de janeiro a julho, encomendou 5 milhões de pares contra
4,6 milhões no mesmo período do ano anterior. Isso gerou
divisas da ordem de US$ 110,1 milhões, enquanto no ano passado
foram US$ 107,4 milhões.
A Itália segue em terceiro lugar. Até julho, os italianos
compraram 3,8 milhões de pares, contra 3,2 milhões no
ano passado. O faturamento oriundo destas vendas foi de US$ 77,8 milhões
em 2010, contra US$ 58,5 milhões nos sete primeiros meses de
2009. O preço médio também subiu. Este ano, ficou
em US$ 20,46 enquanto no ano passado, foi de US$ 18,50.
A vizinha Argentina manteve a quarta posição, com a compra
de 4,5 milhões de pares de janeiro a julho de 2010, enquanto
em 2009 havia adquirido 6,4 milhões de pares. Entre os principais
clientes, foi o único que apresentou retração.
O faturamento, porém, aumentou. Este ano ficou em US$ 76 milhões,
enquanto no ano passado foi de US$ 69,4 milhões.
Embarques cearenses registram os maiores índices
Se analisadas as exportações por Estado, o Ceará
é o que apresenta os índices mais altos. De janeiro a
julho, as fábricas cearenses mostraram um incremento 38,9% em
volume exportado e 39,2% em divisas. Essa variação é
resultado do embarque de 41,9 milhões de pares no período,
contra 30,2 milhões de pares em igual período do ano passado.
Já o faturamento este ano foi de US$ 238,3 milhões contra
US$ 171,2 milhões em 2009. O preço médio não
apresentou alteração, ficando em US$ 5,7. O Ceará
exporta a maior quantidade, mas fica em segundo lugar em faturamento.
O Rio Grande do Sul, por sua vez, teve as posições inversas,
ficando em primeiro lugar em divisas e segundo em volume, porém
mostrou índices negativos nestes dois quesitos. As fábricas
gaúchas embarcaram 19,3 milhões de pares este ano, contra
21,7 milhões no ano passado - um déficit de 11,1%. Os
valores também tiveram decréscimo. Este ano, o faturamento
foi de US$ 455,5 milhões, enquanto no ano passado foi de US$
463,6 milhões - 1,7% a menos. O preço médio passou
de US$ 21,3 para US$ 23,6 - alta de 10,5%.
O Estado de São Paulo, tradicional exportador, está em
quinto lugar na quantidade embarcada, porém em terceiro quando
se trata de faturamento. As fábricas paulistas venderam 3,7 milhões
de pares ao exterior em 2010, sendo que em 2009 haviam vendido 4,3 milhões
de pares. Houve retração de 14%. Já o faturamento
teve elevação de 3,2%, com US$ 70,7 milhões este
ano contra US$ 68,5 milhões no ano passado. O preço médio
subiu 20,1%, de US$ 16,1 para US$ 19,3.
A Bahia segue na quarta posição, tanto em volume quanto
em divisas. O Estado embarcou 4,3 milhões de pares até
julho deste ano, contra 4 milhões de pares nos sete primeiros
meses do ano passado. A alta foi de 8,4%. O faturamento, por sua vez,
subiu 29% - foram US$ 52,5 milhões este ano contra US$ 40,7 milhões
em 2009. O preço médio subiu 19%, passando de US$ 10,2
para US$ 12,2.
Devido ao preço médio de US$ 3,0, a Paraíba ficou
na quinta posição em faturamento, embora assegure o terceiro
lugar em volume embarcado. Os paraibanos exportaram este ano 14,8 milhões
de pares contra 13,6 milhões de pares em 2009, configurando alta
de 9%. Já o faturamento US$ 14,8 milhões este ano contra
US$ 13,6 milhões em 2009 - alta de apenas 0,1%. O preço
médio caiu 8,2%, de US$ 3,2 para US$ 3,0.
Minas Gerais foi o sexto maior exportador. Foram 806,8 mil pares de
janeiro a julho, contra 639,5 milhões de pares em igual período
do ano passado. O acréscimo foi de 26,2% e o faturamento cresceu
30%, com US$ 10,4 milhões obtidos este ano, enquanto no ano passado
foram US$ 8 milhões. O preço médio passou de US$
12,5 para US$ 12,9.
Importações têm elevação
de 15% entre os meses de janeiro e julho
As importações totais de calçados no acumulado
de janeiro a julho, somando o volume de cabedais (medido em pares) e
de outras partes de calçados, como solas (medidos em quilogramas),
já é 15% em comparação ao mesmo período
de 2009. Este ano, o quantum (soma de calçados, cabedais e outras
partes) das importações totaliza 27.259.539, enquanto
nos sete primeiros meses de 2009, este valor era de 23.799.900.
Somente em calçados, o Brasil importou 17,5 milhões de
pares no período, sendo que 15,8 milhões de pares são
oriundos da China, Indonésia, Malásia e Vietnã.
O volume reduziu 17% em relação ao ano passado, quando
o país havia importado 21,2 milhões de pares.
O volume de cabedais, porém, teve uma variação
de 286%, chegando a 7,9 milhões este ano (originários
da China e Paraguai), enquanto no ano passado havia entrado no Brasil
um montante de 2 milhões no mesmo período.
Outras partes de calçados, incluindo solas e outros componentes,
medidos em quilogramas, totalizaram 1,7 milhão (sendo 1,4 milhão
oriundos da China), sendo que nos sete primeiros meses do ano passado,
haviam sido importados 568,3 mil, sendo 270,6 vindos da China. A elevação
foi de 209%.
Balança comercial positiva em 14,8%
Analisando o acumulado de janeiro a julho deste ano, comparando ao
mesmo período do ano passado, a balança comercial de calçados
teve saldo de US$ 733,9 milhões, ficando positiva em 14,8%. A
exportação obteve o valor de US$ 900,9 milhões,
gerando alta de 10%, enquanto a importação ficou em US$
166,9 milhões, o que configura um decréscimo de 5,3%.
Estes resultados geraram uma corrente de comércio de US$ 1 bilhão,
o que demonstra alta de 7,6%.
Injetados têm a maior queda entre as NCMs
Conforme o capítulo 64 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM),
alguns segmentos apresentaram queda nos embarques, porém os calçados
de cabedal injetado (NCM 6401) tiveram o pior desempenho, somando o
fato de ser o segmento com menor participação nas exportações.
De janeiro a julho, foram embarcados 256,1 mil pares de injetados contra
392,6 milhões de pares no mesmo período do ano anterior
- uma queda de 34,8%. O faturamento registrado em 2010 foi de US$ 1,8
milhão contra US$ 2,9 milhões em 2009 - déficit
de 37,1%.
Os calçados sintéticos (NCM 6402), por outro lado, mostraram
crescimento. Foram 62,5 milhões de pares enviados ao exterior
este ano contra 49,5 milhões de pares nos sete primeiros meses
do ano passado - o que representa alta de 26,4%. O faturamento foi de
US$ 259,9 milhões até julho deste ano, sendo que no ano
passado havia sido de US$ 210,5 milhões. Houve elevação
de 23,5%. Esta nomenclatura é responsável pelo maior volume
vendido ao exterior.
Já os calçados em couro (NCM 6403) também mostraram
trajetória negativa em volume. Foram 4,8% a menos em termos de
quantidade exportada. De janeiro a julho de 2010, foram 23 milhões
de pares contra 24,1 milhões de pares em igual período
do ano anterior. As divisas, porém, tiveram alta de 5,6%. Foram
US$ 590,2 milhões este ano, enquanto no ano passado havia sido
US$ 559,1 milhões.
Os produtos em material têxtil (NCM 6404) apresentaram leve queda,
de 1,9%, em quantidade vendida - 2,72 milhões de pares este ano
contra 2,77 milhões de pares em 2009. Já a receita cresceu
na ordem de 11,1%. As vendas geraram faturamento de US$ 42 milhões
nos sete primeiros meses deste ano, contra US$ 37,8 milhões até
julho de 2009.
Outros tipos de calçados, geralmente classificados como exóticos
(NCM 6405), enviaram 524 mil pares para outros países este ano,
sendo que no ano passado haviam enviado 503,9 mil pares - uma elevação
de 4%. O faturamento cresceu 26,9%. Em 2010 atingiu US$ 6,9 milhões,
sendo que até julho de 2009 era de US$ 5,5 milhões.
Milton Cardoso, presidente
de Abicalçados
A
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