|
Cuero, um
produto a ser valorizado
O Brasil deixa de faturar até US$ 5
bilhões e de gerar 400 mil empregos. Uma das maiores indústrias de couro
do País está oferecendo ao produtor até 8% a mais pelo couro sem marca a
fogo. A iniciativa, inédita, abre caminho para impulsionar o
desenvolvimento de um segmento pouco valorizado na cadeia da pecuária e
que, por isso mesmo, deixa de proporcionar ao Brasil até US$ 5 bilhões por
ano em exportações e de gerar pelo menos 400 mil postos de trabalhos no
campo.
O couro e seus subprodutos representam, atualmente, em
torno de US$ 2,5 bilhões/ano em exportações. É um número considerável, mas
bem abaixo das possibilidades reais do mercado. Um exemplo: há 15 anos o
Brasil exportava mais couros do que a China. Hoje, eles vendem no mercado
internacional nada menos do que US$ 11,5 bilhões/ano. Ou seja, um total de
4,6 vezes a mais do que nós.
Onde
está o problema? Bom, eu diria que há vários. Um deles está relacionado a
uma política tributária pouco compreensível, que incentiva a exportação de
couro em estágios primários (wet blue) com benefícios fiscais e penaliza
com impostos a exportação de produtos acabados e manufaturados. Isso
proporciona situações inusitadas, como a venda ao exterior, pelos
curtumes, de couro wet blue a US$ 31,50 por unidade, enquanto eles compram
o couro verde dos frigoríficos a US$ 32.
A
iniciativa de pagamento pela qualidade do couro diretamente ao pecuarista
pode motivar o primeiro elo da cadeia produtiva a tomar certos cuidados
durante a criação do animal, evitando que o couro sofra danos
irreversíveis. Com isso, pode aumentar a oferta de produtos de qualidade,
proporcionando benefícios a todos os elos envolvidos: produtor,
frigorífico e curtume.
Na
verdade, há poucos exemplos de campanhas sérias de esclarecimento ao
criador sobre a obtenção do couro de qualidade. Além disso, não há uma
política clara de remuneração. Em outras palavras, o pecuarista não sabe
exatamente como lidar com o couro e não se interessa em saber por que não
recebe nada por ele.
É
preciso ficar claro que o Brasil não conseguirá participar mais ativamente
do comércio mundial de couros, seja wet blue, seja acabado, se o
pecuarista não estiver corretamente envolvido. Apenas com boa informação
ele poderá ampliar a oferta de couro de qualidade, sem marcas a fogo ou de
acidentes.
É
preciso, no entanto, que todos os envolvidos pensem coletivamente,
agregando valor ao produto. Já está em estudo, no Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o novo Programa Nacional do Novilho
Precoce. O couro está incluído no programa e vai merecer atenção especial
do comitê, envolvendo pecuaristas, entidades de classe, frigoríficos,
curtumes e governo.
Sim, é
preciso valorizar a produção de carne de qualidade, originária do animal
de boa genética e bem-alimentado, que vai ao abate com no máximo 24 meses
de idade. Mas não se pode deixar de lado um segmento tão importante como o
couro. Afinal, além de milhares de empregos no campo a criar, há um
tremendo potencial de negócios para o Brasil. Por todos esses motivos, ele
merece toda nossa atenção. kicker: Política
tributária incentiva a exportaçãode couroem estágios primários
Fuente: (Gazeta Mercantil/Constantino Ajimasto Jr. -
Presidente da Associação Brasileira do Novilho Precoce.) |