Imposto sobre serviços provoca reação de acabadores de couros da Região Sul


Unidades de acabamento de couro da Região Sul do Brasil podem mudar de município ou deixar de promover novos investimentos nas suas sedes atuais, provocando redução de postos de trabalho tanto no setor coureiro, quando na indústria calçadista abastecida pelos acabadores. A causa é a cobrança do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN) para a prestação deste serviço que está sendo aplicada em alguns municípios a partir da lei complementar 116, de 31 de julho.


Esta lei permite que as prefeituras tributem com alíquota de 2% a 5% de ISSQN a prestação de serviços relativos a bens de terceiros em casos de restauração, recondicionamento, acondicionamento, pintura, beneficiamento, lavagem, secagem, tingimento, galvanoplastia, anodização, corte, recorte, polimento e plastificação.

O presidente da Associação das Indústrias de Curtumes do Rio Grande do Sul (AICSul), Cezar Muller critica a tributação. “As empresas do setor já operam com grande dificuldade diante de quadros recessivos nos âmbitos interno e externo, forçando preços para baixo. Assim, fica difícil para as empresas terem mais este ônus". E acrescenta. “Se não bastasse a cobrança de mais este tributo, os produtos incluídos na prestação de serviços também não serão permitidos os créditos de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS)".

Isto significa que, quando um curtume prestar serviço, não poderá se creditar do ICMS sobre os produtos químicos, embalagens e outros custos de matérias-primas, como ocorre atualmente. Desta forma, as empresas beneficiadoras poderão ter um acréscimo de custo nos seus produtos de até 12%, quando utilizam muitos insumos no processo de beneficiamento.

Müller acredita que este cenário simplesmente vai inviabilizar este segmento. Neste sentido, ele destaca que os prefeitos de Novo Hamburgo, Lindolfo Collor e Sapiranga já demonstraram compreensão em relação ao prejuízo que teriam caso seguissem este caminho. "Desta forma, eles estão mantendo as seções de acabamento de couro em seus municípios e se habilitando para receber os acabadores de outras cidades, cujas prefeituras optarem pela cobrança", argumenta o presidente da AICSul. Porém, ele espera que outros prefeitos demonstrem semelhante compreensão. (Passarela)

   

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