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Redução na alíquota do wet blue já dá sinais de perdas para o Brasil


Em apenas dois meses de vigência da redução da alíquota na exportação de couros wet blue de 9% para 7% (janeiro e fevereiro de 2004), já são sentidos os primeiros sinais de perdas para o Brasil, segundo dados da Secex, elaborados pela Associação das Indústrias de Curtume do Rio Grande do Sul - AICSul. As exportações de couros continuaram crescendo nos dois primeiros meses de 2004, em relação ao mesmo período de 2003. O incremento foi de 5% em termos monetários e de 11% em termos físicos. Porém, os números já são bem menores do que nos últimos cinco meses de 2003.


Nos couros de maior valor agregado (acabados), o crescimento no primeiro bimestre de 2004 foi de 28% em dólares e de 36% no volume. Porém, o presidente do Centro das Indústrias de Curtume do Brasil – CICB, Amadeu Fernandes (foto), lembra que “este crescimento ainda é reflexo do processo de reestruturação das indústrias do couro do Brasil para uma realidade que apontava um imenso potencial no mundo para o couro brasileiro de maior valor agregado”.

Fernandes adverte que já se observam sinais de queda no estágio anterior ao acabado, que é o de couros crust. Ali se nota uma redução de 20% em termos físicos e de 19% no faturamento. E acrescenta que as vendas externas de wet blue (matéria-prima), que estavam praticamente estabilizadas em 2003, agora retomam a rota de crescimento, apresentando incremento de 13% no volume. Apenas resultam em menor faturamento (queda de 7%), porque o preço pago pelo wet blue caiu muito.

Sobre esta queda, o presidente do CICB destaca que “estamos vendo uma redução do preço pago pelo couro brasileiro, porque ele se deprecia quando deixa de ser interessante ao produtor brasileiro agregar valor ao couro”. Isto refuta a tese de que taxando as exportações de wet blue o preço da matéria-prima do Brasil baixa, causando prejuízo a pecuaristas e frigoríficos. A realidade é que o preço do couro cru esteve em média 31% mais caro no mercado interno durante os três anos da vigência da taxação de 9% (entre 2001 e 2003) nas exportações de wet blue do que nos três anos anteriores.

Em termos de destino, prossegue a tendência de aumento das vendas para os países asiáticos. O maior destaque é a China, que recebeu no primeiros bimestre deste ano 123% a mais em couro do que no mesmo período de 2003. Somando com as vendas para Hong Kong, os chineses já chegam a mais de 41% do destino do couro brasileiro exportado.

   

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