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Feira alemã confirma a internacionalização do calçado brasileiro Os dados preliminares obtidos junto aos 36 expositores brasileiros na GDS – Feira Mundial de Calçados – realizada dias 16 a 19 de setembro em Düsseldorf/Alemanha, indicaram que 63 países visitaram os estandes localizados no espaço institucional localizado no pavilhão 13 da exposição.
A participação das marcas foi uma ação do Brazilian Footwear – Programa de Promoção às Exportações de Calçados desenvolvido pela entidade com apoio da ApexBrasil. Segundo o diretor executivo da Abicalcados, Heitor Klein, a cada edição o Brasil consolida sua posição na GDS, a mais importante feira do mercado internacional de calcados, pela sempre crescente participação de exportadoras nacionais, que em três temporadas triplicaram de número. “Este crescimento é resultante da boa aceitação que o produto brasileiro vem encontrando em todo o mundo, propiciando a tão almejada desconcentração de destinos de nossas exportações”, assinala o dirigente. Ao todo, a GDS registrou a visita de 43 mil visitantes. A Abicalçados e o Brazilian Footwear, com o apoio da Apex Brasil, já estão preparando a participação na edição de março de 2005, que deverá ter em torno de 50 marcas. Empregos - A pesquisa junto aos expositores também indicou que, com os negócios efetuados na GDS, serão mantidos 6,2 mil postos de trabalho, e deverão ser criadas 271 novas vagas. “Estes dados nos estimula a continuar o projeto de promoção comercial, pois ampliamos a base exportadora, um dos principais objetivos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior”, comenta Heitor Klein. Os calçadistas participaram de duas formas na GDS, uma pelo estande institucional e outra de modo individual, localizadas nos pavilhões de acordo com sua modelagem. No estande Brazilian Footwear participaram 25 empresas: Beira Rio, Ballina, Brazon, Brink, Capelli Rossi, Itapua, Dilly, H.Bettarello, Opananken, Pegada, Kidy, Passo de Anjo, Kiuty, Grings S.a, Pimpolho, Ramarim, San Marino, Sanda, Spatifilus, Starsax, Sticchi, Luiza Barcelos, Givit, Cristófolli, Mauricio Medeiros e Morenta Tom. De modo individual estiveram as marcas Azaléia, Bical, Bibi, Dakota, Dumond, Klin, Pampili, Pé com Pé, Studio Time Less e Via Uno. Processo irreversível A presença de cerca de 30 jornalistas na coletiva de imprensa realizada no primeiro dia da GDS confirmou que o calçado brasileiro vem recebendo cada vez mais atenção dos principais veículos de comunicação de moda em nível internacional. As editoras das revistas Shoez e Schuhkurier - que ditam as tendências de calçados e acessórios na Europa, disseram que o design brasileiro, aliado aos preços competitivos para os lojistas locais, vem conquistando o exigente consumidor europeu. Claudia Schulz, da Schuhkurier, assinalou que marcas como Dumond e Morena Tom tem o perfil ideal para que gosta de estar na moda. A opinião da jornalista vem ao encontro da análise que Enio Klein (Abicalcados), Eduardo Smaniotto (Dumond) e Nelson Germann (Morena tom) fizeram na press conference. Klein declarou que a internacionalização do calcado brasileiro é irreversível e que o fato do calçado brasileiro ser fabricado, na sua maioria, por descendentes de alemães e italianos, "nos leva a ser uma extensão natural da Europa Ocidental". Segundo ele, neste ano iniciou o boom das exportações brasileiras em vários segmentos, e que deixamos de ser o país do futuro e sim uma economia mundial do presente. "Basta ver a reportagem de página inteira que o Financial Times publicou falando deste processo exportador pelo qual vários segmentos brasileiros estão passando e citam desde o calçado, aos móveis, às jóias. Enfim, não estamos sozinhos". O gerente de exportação da marca Dumond (Sapiranga/RS), Eduardo Smaniotto apontou que o Brasil mudou a sua imagem perante o mundo, devido aos novos governos, que implantaram um sério programa de estabilidade econômica, que gerou confiança nos investidores mundiais. Em contrapartida aos esforços governamentais, o setor calçadista também está fazendo sua lição de casa, investindo em tecnologia, em segmentos como o da metrologia, que auxilia o processo de certificação da qualidade e do conforto, requisitos fundamentais para a competitividade internacional. Smaniotto frisou ainda que o Brasil tem uma série de entidades de classe que estão envolvidas diretamente para que o calçado brasileiro se torne ainda mais competitivo. "Temos todos os componentes e materiais de última geração para fazermos o sapato que vocês estão vendo aqui", disse. Sincretismo - O diretor da marca Morena Tom (Novo Hamburgo/RS), Nelson Germann, afirmou para os jornalistas que a grande mistura que é o Brasil - com sua musicalidade, sensualidade, espontaneidade e harmonia geram um produto extremamente original e com design único. "Nós temos um grande sincretismo, que leva os católicos a freqüentarem centros de umbanda e tirarem cartas", explicou. Como exemplo, mostrou um clog (tamanco fechado na frente, com solado anabela), com cores e pedrarias tipicamente nacionais. Importadores realizaram pedidos com brasileiros A modelagem diferenciada em relação ao padrão europeu, o preço competitivo aliado à qualidade do produto e, acima de tudo, a capacidade de entregar tanto pequenos quanto grandes volumes estão entre os diferenciais competitivos do calçado brasileiro apontados pelos importadores que estiveram no estande institucional do Brazilian Footwear. Um deles foi o distribuidor Evangelos Stanellos, chairman da Kasta S/A, que atende cerca de 500 clientes na Grécia. Mais de 90% da modelagem que compra, em todo o mundo, são de calçados femininos e desde o início do ano passou a colocar a Piccadilly (marca internacional da A.Grings S/A, de Igrejinha/RS) na sua lista de compras. Segundo Stanellos, por não exigir pedido mínimo, os brasileiros facilitam as compras que permitem que ele forme uma coleção completa. Stanellos adquiriu, ao longo dos últimos doze meses, em torno de 15 mil pares de calçados brasileiros para o verão grego e veio para a GDS disposto a ampliar este volume e desenvolver ações com A portuguesa Caroline Silva, compradora de várias marcas internacionais para lojas em Portugal, França e Escandinávia, disse que procura, junto às empresas brasileiras, produtos diferenciados em relação à Europa, mas que sejam top em design. Encontrou na grife mineira Luiza Barcelos, que trouxe para a GDS calçados femininos em couro e materiais diversos, o perfil que procurava. "Os sapatos têm um estilo muito próprio, identificado com o que muitos consumidores exigentes procuram", elogiou. Na Francal, feira de calçados que ocorreu em julho passado, em São Paulo, ela havia feito os primeiros pedidos de amostras para testar junto às lojas que representa. "Tenho certeza que as compras continuarão". Há nove anos representando marcas brasileiras na Estônia, Lituânia e Letônia, a comerciante Klaarika Vall chega a pedir do Brasil mais de 50% dos 120 mil pares que compra anualmente. Ela atua junto a lojas de classe média alta e encontra em marcas brasileiras como a Capelli Rossi, Verazzi,Tchocco e Werner os parceiros adequados. "As cores e o design são diferentes e atrativos", diz. Somados, os três países têm uma população de seis milhões de habitantes, que são muito exigentes, segundo ela. Nesta GDS, Klaarika veio reforçar os pedidos que já havia feito na feira de Garda (realizada na Itália, em junho). A venda de pequenas quantidades também foi citada pelo importador Michal Umlásek, que atua há sete anos com o produto nacional, como importante item de competitividade do calçado brasileiro. Ele comercializa cerca de 300 mil pares made in Brazil por ano entre os lojistas da República Tcheca, Eslováquia e Polônia. Inverno - Contudo, Umlásek, assim como o importador grego Stanellos , é da opinião que o Brasil poderia intensificar os investimentos para criar coleçoes de inverno mais de acordo com o inverno europeu. "Os calçados brasileiros são muito abertos, por causa da temperatura tropical, e os mais fechados não são robustos e fechados o suficiente para suportar o clima do norte da Europa", explica ele. Estratégias para exportar É fato consolidado que a internacionalização do calçado brasileiro é um processo sem retorno. E uma grande parte das empresas brasileiras que está atuando com o mercado externo passa a investir cada vez mais em estabelecer contatos efetivos junto aos clientes do exterior. Um dos primeiros desbravadores foi a indústria de calçados Azaléia (Parobé/RS), que vem investindo há vários anos em canais de distribuição eficientes para atender rapidamente a demanda dos lojistas. Implantou unidades na República Tcheca, Estados Unidos e México. A Dumond, marca do grupo Paquetá (Sapiranga/RS), inaugurou este ano um showroom na Espanha, onde mostra para os lojistas europeus todas as suas coleções. "Para firmar nossa grife, temos que estar consolidados nos mercados-alvo", diz Eduardo Smaniotto, gerente de exportação da Dumond. A estratégia publicitária também vem ao encontro desta nova maneira de atender aos clientes, principalmente quando envolve a venda de marca própria. As várias empresas que estão atuando com esta filosofia vêm criando peças visuais chamando a atenção para a brasilidade das suas coleções, mas com olho no consumidor final que está em todas as partes do globo. Micheline Grings Twigger, gerente de exportação da Piccadilly (Igrejinha/RS), destaca que a estratégia da empresa é aumentar cada vez mais o número de países que importam a marca. As ações para atingir a meta estão dando certo ao ponto da empresa ter aumentado de cinco países compradores registrados em 1996 para 68 este ano. "Quero chegar a 70 ainda nesta GDS", ressalta. Para atingir o objetivo, foi feito um intenso trabalho pré-feira, com o envio de convites para mais de 700 importadores cadastrados do mailing da empresa. "Só no primeiro dia, vieram três com o convite na mão", contabiliza. Parceria - A H.Bettarello (Franca/SP) foi outra empresa que alterou sua forma de atuação para tornar a marca Bettarello famosa na Europa. Há dez meses está investindo pesado na parceria com a distribuidora Rico Trading, com base na Holanda. A fórmula encontrada é colocar os volumes na Holanda, que depois são remetidos para os diversos agentes estabelecidos na Bélgica, Inglaterra, França, Alemanha, Holanda, Polônia e Turquia, que conseguem vender pequenas quantidades para os lojistas locais. "A modelagem é toda desenvolvida pela Bettarello, que depois é avaliada pelos lojstas. Assim, conseguimos acertar as colecoes e comercailizar exatamente o que o mercado quer", explica Miguel Bettarello Filho, diretor da empresa, que agora divide seu tempo entre a Holanda e o Brasil. Esta sinergia levou a Bettarello a desenvolver um mocassim de couro para o público masculino jovem, adepto à moda mais esportiva. "A especialidade da Agabê sempre foi o mocassim e descobrimos neste segmento um importante diferencial competitivo". Atualmente, a fábrica paulista exporta 80 por cento dos 13 mil pares que produz diariamente. Calçadistas posicionam suas marcas no mercado internacional Não basta participar de uma feira internacional do porte da GDS - Feira Mundial do Calçado, que ocorre duas vezes ao ano (março e setembro), com mais de 1,6 mil expositores. Esta é a conclusão das empresas brasileiras que participam desta edição, que encerra amanhã (19). É preciso criar estratégias de divulgação e comunicação que atraiam os mais de 40 mil visitantes que circulam pela feira durante os quatro dias da mostra, além de fornecer material que identifique as marcas fora dela. A Pampili (Birigui/SP) criou uma abordagem completamente nova para a GDS, que será mantida para os outros eventos internacionais. Especializada na fabricação de calçados infantis femininos, a indústria desenvolveu sua comunicação em cima de três personagens, chamadas "Pampiletes", onde cada uma tem um nome e personalidade diferentes, dentro do espírito dos betweens (crianças na faixa dos 6 a 12 anos). Numa linguagem dinâmica e universal, elas transmitem a diversidade que este público tem, em qualquer lu Estande movimentado e a possibilidade de realizar encontros com os distribuidores europeus já consolidados foram o resultado dos investimentos da Calçados Bibi (Parobé/RS) na GDS. Há duas coleções que a empresa - pioneira na fabricação de calçados infantis no Brasil - optou por intensificar uma política de comunicação que destaca o conforto e a segurança dos produtos. A utilização do couro na parte de cima do calçado (cabedal) e solados flexíveis fabricados a base de borracha termoplástica é hoje um diferencial competitivo para quem quer vender produtos de valor agregado no competitivo mercado de calcados infantis da Europa, explica a gerente de exportação Andréa Kohlrausch. Para divulgar estas informações para o público consumidor, foram impressos folders com todas os atributos do calçado. "Nós queremos nos posicionar como substitutos das marcas européias no segmento de calcados infantis de couro, porque nosso preço é muito competitivo em relação aos concorrentes locais", diz Andréa Atualmente, a Bibi exporta - sempre com marca própria - para a Inglaterra, Espanha, Holanda, Noruega, Suécia, Grécia, Chipre, Hungria e países do leste da Europa. Para a Inglaterra, foi feita uma parceria com um grupo de 366 lojas. A venda para a Europa significa o embarque de 23% da produção anual da Bibi, sendo que no ano passado este número não passava de dez por cento. "Nós estávamos muito concentrados no América Latina e hoje conseguimos dividir os percentuais", diz Andréa. O trabalho com assessoria de comunicação internacional também gera frutos. A Bibi obteve espaço editorial privilegiado na última edição da norte-americana Footwear News, onde reportagem de duas páginas relata o posicionamento internacional das indústrias de calçados infantis do Brasil, que têm, segundo o texto "alta qualidade e preço baixo". Para cada público, um calçado - A consumidora tem opção de usar um escarpim confortável durante o dia, uma sandália de salto à noite e um sapato esportivo no final de semana. Esta pode ser a definição da coleção que a Via Uno (Novo Hamburgo/RS) apresenta a cada feira. Na GDS, o colorido das coleções, numa clara homenagem à brasilidade do design, atrai a atenção dos visitantes, o que fez com que a empresa realizasse contatos e vendas com compradores da Rússia, Arábia Saudita, Emirados Árabes, Kuwait, Egito, Líbano, Romênia, Letônia, Estônia, Croácia, Hungria, Inglaterra, Espanha, Itália, França, Portugal, África do Sul, Japão, dentre outros. "Estamos comemorando também a prospecção de clientes para a China", disse o gerente de exportação Paulo Kieling Filho. Esta ampliação do mapa mundi da Via Uno é resultado de um posicionamento do marketing, cuja linguagem atinge todos os continentes. Com o slogan "Em todo o mundo, inclusive o seu", a campanha tem cita o perfil da mulher do século XXI segundo o olhar da Via Uno: moderna, irreverente, ousada, dinâmica e única. "Nossos pontos-de-venda são visitados freqüentemente pelos agentes e as empresa tem profissionais de estilo sediados em vários centros de moda, por isto conseguimos canalizar a linguagem para os vários segmentos em que atuamos", explica. |
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