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Identidade brasileira é a tônica da Courovisão A Feira Internacional de Sintéticos, Couros, Químicos, Componentes e Acessórios para Calçados e Artefatos (Courovisão), realizada de 20 a 23 de outubro, nos pavilhões da Fenac, em Novo Hamburgo, confirmou a tendência de ser uma mostra que antecipa os materiais que farão parte da modelagem e da confecção da moda calçadista. O evento vem, a cada edição, se aproximando da nova ordem que se estabeleceu na cadeia coureiro-calçadista, que é a busca de insumos e artigos que tenham efetivamente uma identidade brasileira para a composição das coleções nacionais. Isto porque a Courovisão tem como expositores os fornecedores destes materiais, como os curtumes que atuam com couro acabado, que trouxeram novas propostas em texturas e cores, fruto de pesquisas junto às indústrias químicas e como o segmento de componentes, que vem desenvolvendo artigos de alto padrão tecnológico e de design, cujos estudos estão alicerçados na valorização das “coisas brasileiras”. Um dos resultados deste trabalho é o Projeto Referências Brasileiras (que está na sua terceira edição), desenvolvido pela Associação Brasileira das Indústrias de Componentes para Couro e Calçados (Assintecal), que estabelece relações inéditas entre a base etnográfica e a história do design, da arte e da arquitetura brasileiras, gerando o cruzamento de temas populares e eruditos como fonte de pesquisa de moda. O diferencial é que a indústria de componentes aderiu ao projeto, viabilizando o desenvolvimento de produtos inéditos que possam promover a criação de coleções dentro desta filosofia. Nesta edição 2004,o projeto escolheu o tema Cultura Negra & Barroco, unindo a tradição artesanal dos negros com os excessos decorativos da era barroca. Desta soma foi criada a coleção “Amuletos”, composta de sandálias inspiradas nas características de 14 orixás, aplicadas aos cabedais e unidas às formas do Barroco em saltos e solados, revelando a similaridade entre uma etnia brasileira e o maior movimento cultural dos séculos XVIII e XIX. Tendências – Durante a
Courovisão também foram lançadas duas fontes de pesquisa de tendências
em calçados e acessórios para o Outono/Inverno 2005. O primeiro foi o
Guia de Moda Outono/Inverno 2005, produzido pelo Núcleo de Pesquisa da
Associação Brasileira dos Estilistas de Calçados e Afins (Abeca),
formado pelas estilistas Eliara Fraga, Michele Hennemann e pela
colaboradora Jane Hefler. Materiais, fôrmas, saltos, bicos, altura,
linhas, cortes e estilos de solados que serão tendência da próxima
estação, nos segmentos feminino, infantil, masculino e esportivo fazem
parte do conteúdo do Guia. “Trata-se de uma ferramenta de moda para quem
trabalha com criação”, afirma o presidente da entidade, Juan Almada. A
distribuição é gratuita e dirigida aos associados da entidade. Design e ousadia para conquistar mercado externo Seja brasileiro, seja do exterior, quem acompanha o setor calçadista nacional tem a mesma opinião: é preciso ter ousadia para valorizar e, acima de tudo, usar a cultura nacional para criar uma identidade brasileira no design dos calçados produzidos no país. Durante o 1º Congresso Brasileiro de Design e Tecnologia para Couro e Calçados Assintecal/CICB, realizado como programação paralela à Courovisão, Juarez Leal, gerente de Projetos da ApexBrasil e o sociólogo italiano Francesco Morace deixaram claro que a diversidade da nossa cultura tem de fazer parte do processo de criação do calçado. Juarez Leal não tem dúvida de que o aprimoramento do fornecimento deve estar orientado para design, marketing e branding. Os produtos brasileiros devem estar muito marcados pelo design inovador, como uma proposta nova, diferenciada. “Se formos olhar o mercado mundial, hoje, veremos que a China voltou-se para grandes pedidos orientados para preço baixo. A Itália investe no design com inovação. A Índia, segundo maior produtor de calçados do mundo, também atua na linha do preço baixo, porém com pedidos pequenos. O Brasil apresenta produtos de qualidade com preço médio. Já é uma característica diferenciada, mas é preciso melhorar este posicionamento. Aos atuais atributos de rapidez e flexibilidade, devemos somar o aprimoramento do design. Devemos nos direcionar cada vez mais para a qualidade, e não para o preço”, aponta. Para conciliar as dificuldades de investimentos dos fabricantes brasileiros com as possibilidades que o mercado acena para quem opta pelo design, com produtos de maior valor agregado, Juarez diz que há áreas essenciais para se obter resultados. Em primeiro plano, é preciso uma equipe técnica qualificada para o desenvolvimento, enfatizando muito a pesquisa de tendências e novos materiais vinculados à identidade brasileira. Ele cita como exemplo o projeto Referências Brasileiras, da Assintecal, que busca justamente esta identificação com o Brasil. As empresas devem procurar unir-se às entidades setoriais, integrar projetos conjuntos que viabilizam investimentos e contam, muitas vezes, com apoio de fontes financiadoras. Mas é preciso ter consciência de que os resultados não são imediatos, é preciso certa paciência”. A produção, por sua vez, deve priorizar a estrutura existente, porém com maior interação com o designer, abrindo espaço para a tecnologia e a inovação. O marketing deve valorizar a marca, trabalhando a mídia nacional e internacional, os formadores de opinião, aproveitando o crescente movimento da Moda Brasil no exterior. Leal assinalou que este é um enfoque que a APEX utiliza em suas promoções comerciais no exterior. “Na Rússia, por exemplo, no evento Brazil Fashion Exhibition (www.brazil-fashion.com), reunimos muitas inovações do Brasil para mostrar que somos praia e carnaval, sim, mas somos muito mais. Promovemos desfiles de estilistas brasileiros renomados, shows de músicos diferentes dos tradicionalmente conhecidos, trouxemos jornalistas russos ao Brasil antes de nosso evento no país, não agimos sem uma boa pesquisa de mercado e marcamos todas as nossas ações com muito telemarketing, marketing direto, projetos de Relações Públicas e Assessoria de Imprensa, abordagens inusitadas”, lembra. Enfim, vendemos uma imagem inovadora, proporcionando que esta imagem fosse colada a todas as empresas e setores que estiveram na Rússia com a APEX. Por isso, reforço a importância da ação conjunta. Órgãos como a APEX estão fomentando a presença brasileira no exterior, e as empresas que têm interesse em realmente se diferenciar no mercado podem contar com muitas instituições de apoio e entidades setoriais para crescer com investimentos compartilhados. É preciso ousar um pouco mais e se diferenciar. |
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