Insumos de origem petroquímica provocarão aumento de preços no setor calçadista


A grande demanda mundial, a escassez de alguns produtos derivados de petróleo e novos aumentos de impacto devem marcar o ano de 2005, no setor coureiro-calçadista. Confirmando o que já vem ocorrendo neste segundo semestre de 2004, a produção de muitas companhias não acompanhará o crescimento do consumo, provocando alta no preço de produtos que são matéria-prima para grande parte dos componentes para calçados, como produtos químicos para couro, produtos químicos para calçados, tintas e resinas, entre outros.


"A explosão da atividade industrial na China e o aumento da produção em quase todos os centros econômicos mundiais, inclusive no Brasil, está gerando toda esta situação de intranqüilidade em relação aos insumos de origem petroquímica. Estamos nos preparando para um aumento de preços expressivo em 2005", enfatiza a superintendente da Assintecal (Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos), Ilse Biason Guimarães.

A situação é semelhante em diversos segmentos da indústria petroquímica, envolvendo produtos como PU, PVC, polietileno e monômeros acrílicos. "Quem depende de matéria-prima derivada do petróleo já deve reavaliar seus preços para antecipar a absorção de futuros aumentos, que virão com grande impacto no valor dos insumos", alerta Antônio Riera, diretor da BASF Poliuretanos. "Principalmente as pequenas empresas, que têm capacidade menor de absorção de grandes aumentos." No setor de PVC, a líder Solvay Indupa também prevê aumentos em 2005. "A situação deverá mudar somente a partir de 2007, com a entrada em funcionamento de uma nova planta industrial da empresa", destaca Ilse.

Na área de monômeros acrílicos - base para tintas e resinas para couro - já foram registrados reajustes de 50%, em média, em 2005. "A informação de um dos principais produtores mundiais é de que já está previsto novo aumento de 25% para o início de 2005", reforça a superintendente. "A perspectiva de estabilização deste mercado também deve ocorrer somente a partir de 2006, com o início da operação de novas fábricas." Ilse destaca que uma planta industrial da área petroquímica exige prazos de dois a três anos para começar a produzir, além de recursos da ordem de 500 milhões de dólares. "Há investimentos em todo o mundo, mas o resultado não é imediato! O complexo calçadista precisa estar consciente de que haverá aumentos significativos para que o abastecimento não fique comprometido", ressalta.

Além do cenário de grande demanda pelos produtos, outros fatores contribuem para manter em alta o preço dos derivados de petróleo. Fernando Weber, da Copesul, cita, entre eles,  a instabilidade política em vários países da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), que mantém o preço do barril em níveis muito superiores aos de sua média histórica. "Além disso, há ameaças à infra-estrutura petroleira do Iraque, baixa capacidade ociosa do refino global e risco de suprimento a partir da Rússia." Para a superintendente da Assintecal, a única alternativa é acompanhar o realinhamento de preços. "Caso contrário, corremos o risco de sermos excluídos da rota dos produtores mundiais, o que seria ainda mais prejudicial para todo o complexo calçadista brasileiro." (Adriane Costa)

   

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