Museu do Calçado apresenta projeto Referências Brasileiras


Pesquisa do setor de componentes para calçados busca novos materiais e identidade para o design nacional, através da cultura popular e da arte erudita do Brasil. Protótipos estarão pela primeira vez em exposição para o grande público.


O projeto Referências Brasileiras estará em exposição no Museu Nacional do Calçado, em Novo Hamburgo, de 18 de novembro a 3 de janeiro, na primeira mostra do programa fora do circuito de feiras coureiro-calçadistas. Desenvolvido pela Assintecal (Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçado e Artefatos), com recursos da FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos do Ministério da Ciência e Tecnologia), o projeto busca o desenvolvimento do design e de novos materiais para a indústria calçadista brasileira, a partir de referências culturais populares e eruditas do Brasil. Em três etapas já realizadas, foram trabalhados materiais como pedrarias, rendas, artesanato popular, arte indígena e elementos da cultura negra, mesclados com o Modernismo, a Art Dèco e o Barroco, resultando em protótipos que servem de fonte de pesquisa para designers, estilistas, estudantes e empresários.

A exposição no Museu Nacional do Calçado - mantido pelo Centro Universitário Feevale - tem por objetivo apresentar, através do projeto, a evolução do setor calçadista em busca de um design brasileiro. "Nosso complexo calçadista se conscientiza, cada vez mais, da necessidade de buscar uma identidade própria que, ao mesmo tempo, seja capaz de atrair o olhar do mercado internacional. Precisamos ter os nossos atrativos, dentre uma série de atributos que compõem o padrão de exigência mundial, mas só chegaremos plenamente a este estágio pesquisando aquilo que nos diferencia dos demais, que é a nossa diversidade cultural", diz o vice-presidente de Moda e Design da Assintecal, Milton Killing.

O projeto terá, ao todo, cinco etapas. Três já foram desenvolvidas, com materiais desenvolvidos por empresas de componentes associadas da Assintecal, e estarão em exposição:

- Artesanato e Mobiliário Modernista - Os consultores da Assintecal identificaram, em 10 pólos calçadistas de todo o país, materiais tipicamente brasileiros, como pedras, rendas, sabugo de milho e favos de bombachas (detalhes tradicionais da roupa típica gaúcha). O artesanato inspirou a criação dos cabedais (parte de cima do calçado). Já os solados foram desenhados a partir do mobiliário Modernista, com referências a mesas, cadeiras e outros objetos desenvolvidos dentro deste conceito de design. Toda a coleção, lançada em outubro de 2003, utiliza couro e madeira.

- Arte Indígena e Art Déco - Ao longo de dois meses, foram pesquisados materiais típicos de tribos indígenas do Norte e do Sul do Brasil, como ossos de tatu, dentes de boto e de macaco, penas de pomo de tucano, jarina (marfim vegetal da Amazônia), palha de buriti, cipó imbé e embira. Estes materiais foram a base para o desenvolvimento dos cabedais da segunda etapa do Referências Brasileiras, que utilizou materiais sintéticos e naturais e foi lançado em abril deste ano. Nos solados, o acrílico prevaleceu, inspirado em formas originárias de obras arquitetônicas, artísticas, de objetos decorativos e utilitários, do design de automóveis e da moda em geral, produzidos entre as décadas de 20 e 50, quando a Art Dèco teve forte presença no Brasil.

- Cultura Negra e Barroco - A pesquisa para esta terceira etapa envolveu cidades como Porto Alegre e Pelotas , no RS, Ouro Preto (MG), Recife (PE), Salvador (BA), entre outras, e bibliografia histórica. A Cultura Negra inspirou os cabedais e o nome da coleção - Amuletos - composta por 14 protótipos identificados com o nome de orixás. Os solados foram criados a partir de formas do Barroco, maior movimento cultural dos séculos XVIII e XIX, no Brasil. A terceira etapa foi lançada no último mês de outubro.

O Museu Nacional do Calçado funciona de segunda a sexta, das 13h30min às 22h, junto ao Campus I da Feevale (av. Maurício Cardoso, 510 - Hamburgo Velho - Novo Hamburgo). Aos sábados, o atendimento é realizado das 8h30min às 12h. A visitação é gratuita.

 

   

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