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Assintecal apóia Abicalçados e alerta para concorrência desigual com chineses


Entidade do setor de componentes destaca complexidade para discussões sobre regras comerciais e enfatiza aspectos que dificultam desempenho da indústria brasileira, como alta carga de impostos e quase inexistência de direitos trabalhistas na China


Apesar do reconhecimento oficial do Brasil à China como economia de mercado, feito no dia 12 de novembro, já ter sido minimizado pelo Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, o tema segue preocupando o setor coureiro-calçadista. Amorim declarou, semanas após o anúncio do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que a decisão foi uma manifestação política sem valor jurídico. "O reconhecimento faz parte de um Memorando de Entendimentos, que é um documento político, não jurídico", disse o ministro, em depoimento às comissões de Relações Exteriores da Câmara e do Senado.

O fato do anúncio, mesmo que político, considerar as regras da Organização Mundial de Comércio (OMC) para discussões sobre dumping (prática de preços abaixo dos de mercado para vencer a concorrência) é um dos que mais preocupa o setor coureiro-calçadista. "Se criará uma grande complexidade a partir de qualquer reclamação por concorrência desleal da China com nossas empresas", exemplifica a superintendente da Assintecal (Associação Barslieira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos), Ilse Biason Guimarães. "Até agora, se houvesse qualquer constatação nesse sentido, o Brasil poderia definir barreiras e o assunto estava solucionado. Com o reconhecimento da China como economia de mercado, os países passam a ser tratados como parceiros em igualdade de condições."

Este aspecto é o que mais afeta o setor de componentes para calçados. "Quando os argentinos invocam barreiras contra o Brasil, estão falando de salvaguardas, porque há condições semelhantes de produção. Não temos grandes diferenças em relação a salário-mínimo, direitos trabalhistas e outros aspectos, portanto, o que temos em relação aos argentinos é maior competitividade real", relativiza a superintendente da Assintecal. "A situação é totalmente diferente quando se fala de Brasil e China, porque não se trata de competitividade, mas de condições completamente desiguais de produção. O presidente da Abicalçados, Elcio Jacometti, já ressaltou que, nas regras da OMC, não valem os argumentos de utilização de mão-de-obra semi-escrava e não pagamento de impostos", afirma Ilse.

Por esta razão, a Assintecal alerta para a necessidade de medidas que evitem um possível descontrole na entrada de produtos chineses, após o reconhecimento da China como economia de mercado. "Talvez seja necessária uma ação mais firme, por parte do Governo Federal, para tranqüilizar alguns setores." Na Argentina, o presidente Néstor Kirchner assinou recentemente dois decretos que prevêem a adoção de salvaguardas, caso alguns segmentos sofram impactos muito fortes com o reconhecimento concedido aos chineses. "O grande problema é que os produtos brasileiros dos mesmos setores chineses que importamos sofrem elevada tributação, com pesada carga de impostos para sua produção aqui no Brasil. A indústria brasileira é competente, mas tem dificuldades de competir com a chinesa em razão desta situação totalmente desigual em relação a encargos sociais e tributos", salienta a superintendente da Assintecal.

A entidade está apoiando a Abicalçados na postura de aliar-se à FIERGS e FIESP, federações das indústrias do Rio Grande do Sul e de São Paulo, que estão liderando a mobilização empresarial sobre o assunto. "Estamos acompanhando os acontecimentos porque queremos condições justas de concorrência. Não se trata de protecionismo ao nosso setor, mas de garantir nossa competitividade em igualdade de condições."

   

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