Máquinas brasileiras conquistam o mundo


O Brasil tem o maior rebanho bovino comercial do mundo. É, desde 2003, o maior exportador mundial de carnes. A partir da disponibilidade interna anual de 39 milhões de peles, desenvolveu a segunda maior indústria coureira e a terceira de calçados. Suporte importante deste inigualável conjunto, as indústrias brasileiras de máquinas e equipamentos para couros, calçados, borracha e plástico têm posição privilegiada como fornecedoras de indústrias de curtume, calçadista e de manufaturados no mercado interno. Porém, a qualidade dos produtos brasileiros já tem posição consolidada de liderança na América Latina, tendo o México como o seu maior cliente.


A inserção brasileira no mercado internacional tem a Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos para Couros, Calçados e Afins – Abrameq, como instrumento de agregação de esforços. Com o apoio da Agência de Promoção de Exportações do Brasil - Apex-Brasil, há seis anos são desenvolvidas ações de capacitação para a qualidade, atendimento das normas internacionais, desenvolvimento tecnológico e promoção comercial. O conceito é de que toda a máquina e equipamento brasileiro resulte em satisfação para o cliente. Isto é difícil para um setor inteiro. É realmente um grande desafio. Porém, está sendo vitorioso, porque a imagem de qualidade de nossos produtos cada vez mais se consolida internacionalmente.

Um das primeiras ações do programa com apoio da Apex-Brasil foi realizar uma pesquisa no mercado latino-americano, notadamente naqueles países onde já se verificavam exportações de algumas empresas. Através deste instrumento, constatou-se que não havia uma percepção da real potencialidade do setor, ou seja, o Brasil não era reconhecido como player  mundial, capaz de oferecer soluções completas para plantas industriais, principalmente  no segmento calçadista. O referencial de fornecedor de qualidade e tecnologia de ponta pertencia à Itália. Assim, o setor definiu como prioridade criar uma marca setorial.

Nasceu a marca a “by Brasil”. O Brasil é conhecido como um país alegre, de muito calor humano, terra do Carnaval e do futebol. Tem tudo isto, mas é também terra de muito trabalho, seriedade e com extraordinária facilidade para a inovação, resolvendo com agilidade novos desafios. Em termos de máquinas para couro, calçados e afins, o Brasil é um dos maiores fabricantes mundiais. Porém, o mundo precisava saber disto. A partir daí, foi criada a marca “by Brasil”, um movimento para transmitir ao mundo uma garantia, uma afirmação de autoria, uma assinatura que demonstra a segurança de quem confia no que produz. Esta marca afirma que a assistência técnica, a qualidade do produto, a competitividade no preço e no prazo de entrega são os diferenciais estratégicos e os maiores benefícios oferecidos pelos fabricantes brasileiros aos seus consumidores.

A prospecção de mercado mostrou que o México era o país que apresentava mais potencialidade para as exportações do setor e, por isso, o setor optou por concentrar os esforços coletivos iniciais naquele país e realizou o lançamento internacional da marca By Brasil, no ano 2000, durante a Anpic – Muestra Internacional de Proveeduría, Maquinaria y Preselecmoda para la Industria de la Piel y del Calzado, terceira maior feira mundial do setor.

A partir daí pôde ser observado constante crescimento das exportações, sendo mais relevante a participação do México como cliente do Brasil. Já em 2002, os mexicanos passaram a responder por 47% das vendas externas de máquinas do Brasil. O acordo comercial entre os dois países foi fator importante neste processo.

Selo da Qualidade Abrameq/by Brasil

Manter uma imagem consolidada de país fornecedor de produtos com qualidade garantida aos compradores exige um esforço setorial, ainda mais em um segmento de alta exigência tecnológica, como é o de máquinas. Para difundir e estimular junto aos fabricantes do setor a cultura da qualidade, da excelência e a busca pela melhoria contínua, a Abrameq desenvolveu o Selo da Qualidade Abrameq/by Brasil. Com apoio da Apex-Brasil, a entidade buscou o assessoramento do Centro Tecnológico do Calçado Senai, que desenvolveu, em conjunto com as indústrias de máquinas, os requisitos para a conquista da certificação na séries  Bronze, Prata e Ouro, tendo como base as normas internacionais.

A série Bronze garante ao comprador um produto que atende a 189 requisitos de qualidade em relação a prospectos e manuais técnicos; embalagem, transporte e movimentação; segurança e ergonomia; características técnicas. A série Prata, na área da segurança e ergonomia, abrange também a diretiva da Comunidade Européia e novas normas internacionais. Nas séries Prata e Ouro, estão incluídas as categorias relacionamento com clientes; fornecedores e rastreabilidade (alinhando alguns requisitos com a ISO). Na série Ouro, está presente a implantação de Sistema de Gestão da Qualidade certificado de conformidade com a norma ISO 9001, emitido por organismo certificador credenciado pelo Inmetro.

O Selo da Qualidade atesta que o equipamento certificado preenche requisitos da qualidade, todos baseados em normas internacionais e na própria especificidade requerida pelo setor coureiro-calçadista, principalmente no que diz respeito aos manuais, aos prospectos, às características técnicas da máquina, à segurança e à ergonomia do operador, além de observar alguns aspectos da nova norma ISO 9001/2000 e 80% dos requisitos da marcação CE, da Comunidade Econômica Européia.

Busca de mercados não tradicionais

A participação em eventos internacionais tem evidenciado a busca de produtos brasileiros por clientes de países nos quais a grande maioria das empresas não tem canais de comercialização e distribuição desenvolvidos, o que motivou o setor a prospectar mercados não tradicionais, avaliá-los e desenvolver estratégias conjuntas de atuação, como é o caso da Índia, Turquia, Síria, Marrocos, Rússia, Ucrânia, China e Tailândia. A análise da potencialidade destes mercados e o conseqüente estabelecimento das estratégias de atuação está sendo realizada em conjunto, com a ampla participação das empresas, o que evidencia que o processo de internacionalização das empresas se traduz em ganhos competitivos importantíssimos para o setor e país como um todo.

   

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