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Portugueses querem fortalecer laços com o Brasil para combater a tsunami chinesa Assim como no século XV, o Ocidente terá de unir-se para combater o Oriente. Esta foi uma das colocações feitas pelos palestrantes do Seminário “O setor calçadista português e brasileiro: Presente e Futuro”, realizado dia 25 de abril, no Swan Tower Hotel (Novo Hamburgo/RS). O evento foi promovido pela Associação Portuguesa dos Industriais de Calçados, Componentes e Artigos de Pele e seus Sucedâneos (APICCAPS), com o apoio da Abicalçados. A entidade portuguesa está liderando um grupo de 12 pessoas, entre fabricantes e técnicos, que quer conhecer o potencial produtivo do Vale do Sinos e de São Paulo. Á tarde eles estiveram nas empresas Artecola e Cristófoli e hoje (dia 26) irão visitar o parque fabril da Musa Calçados (Rolante), Bottero (Parobé) e Calçados Fillis (Campo bom). Alfredo Jorge, diretor executivo da entidade lusitana, disse que é preciso formar parcerias para fortalecer os setores que querem atuar no mercado globalizado, que está “cada vez mais agressivo e nem sempre ético”. A China é uma realidade que precisa ser digerida pelos fabricantes de calçados dos outros países e que agora precisam atuar em outras frentes, como calçados de alto preço e com grande carga de valor agregado. Portugal é um dos países que mais produzem calçados na Europa, mas vem perdendo espaço devido ao crescimento do custo de fabricação, principalmente da mão-de-obra, assim como Espanha e Itália, os dois principais fabricantes calçadistas da União Européia. Em 2004, Portugal contou com um parque de 1.256 empresas, empregando 43,3 mil pessoas. A produção somou 86 milhões de pares, dos quais 77 milhões foram exportados “Com o declínio espanhol e italiano, nós nos tornamos opção de fornecimento, mas é uma situação que tende a mudar devido aos custos”, assinalou o executivo. A alternativa é encontrar meios para manter a produção local. Segundo Jorge, a APICCAPS elaborou uma estratégia que envolve objetivos de curto e médio prazos, a começar pelo reforço na produtividade, “pois o preço, mesmo não sendo o principal, ainda é um item muito importante na hora da negociação”. Investimentos nas inovações tecnológicas, com processos robotizados também serão intensificados, uma vez que substituem a cada vez menor oferta de mão-de-obra. Os portugueses também estão trabalhando mais para promover a imagem do calçado local. “Temos uma imagem negativa, injusta e não justificada, porque sempre concorremos com a Itália e Espanha no quesito design e alta moda e queremos reverter este conceito”, explicou. Outro grande desafio de Portugal será a de conseguir novos mercados compradores que não sejam os países europeus, mas as opções não são muitas e são difíceis. Como exemplo, cita a Rússia, um país complexo, com alto poder de consumo, que ainda precisa ser desbravado. Brasil – No mesmo sentido correm as intenções do Brasil, que está cada vez mais investindo na diversificação da modelagem e em nichos de produtos para combater os concorrentes orientais. Enio Klein, consultor da Abicalçados, apontou que 80% da produção mundial de calçados estão na Ásia, sendo que a China produz, anualmente oito bilhões de pares, enquanto a produção mundial está em 13 bilhões. “Neste ranking, o Brasil está em quinto lugar e Portugal está na décima colocação”. Por todo este quadro, Klein sugere que a Europa e América Latina unam-se para fazer frente à “tusnami chinesa”. Já estão se alinhavando acordos de cooperação entras as entidades, no âmbito institucional, mas deve haver ainda mais sinergia entre as empresas, para que troquem informações e somem forças para produzir mais e melhor. O diretor executivo da Abicalçados, Heitor Klein, acrescentou que deve haver um trabalho continuado na busca de oportunidades de crescimento no mercado internacional. O dirigente da Apiccaps, Alfredo Jorge reiterou também que a aproximação do Brasil com Portugal faz parte da estratégia para combater a China. “Quando os efeitos da onda chinesa ficarem mais claros, a linguagem dos governos diante dela deverá mudar. As importações da Europa feitas na China aumentaram em 150%, enquanto os preços tiveram redução de 30%, o que configura dumping”, expôs Jorge. |
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