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Volume de calçados exportados cai 10% As indústrias brasileiras de calçados deixaram de exportar mais de dez milhões de pares nos últimos cinco meses. É o que apontam os dados da Abicalçados a partir das estatísticas da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC). De janeiro a maio deste ano, foram exportados 89,6 milhões de pares, quando no mesmo período de 2004 os embarques haviam sido de 99,8 milhões de pares. A queda, de 10%, já é sentida em vários pólos fabricantes de calçados, principalmente no Vale do Sinos, no Rio Grande do Sul, onde mais de 11 mil pessoas perderam o emprego desde o início do ano. "As pequenas empresas são as mais penalizadas, pois dependem dos pedidos trazidos pelos traders (agentes que negociam com os importadores), que também não estão conseguindo vender no mercado internacional", explica o presidente da Abicalçados, Elcio Jacometti. Isoladamente, maio deste ano contabilizou um decréscimo de nove pontos percentuais no volume exportado. Foram enviados ao exterior 13,4 milhões de pares, quando no quinto mês de 2004 foram 14,8 milhões. Mesmo com volume menor, o setor calçadista registrou, nestes cinco meses, uma elevação de oito por cento no faturamento, obtendo divisas de US$ 765,9 milhões, contra US$ 707,2 milhões do ano passado. O motivo foi o aumento do preço médio do par do calçado vendido no exterior, ocorrido em parte pelo aumento no preço do calçado exportado, e em parte pela perda de mercados de preços mais baixos. No acumulado, o preço médio foi de US$ 8,54, quando no ano passado havia sido de US$ 7,09, um incremento de 20%. Se for comparado apenas o mês, o preço médio ficou ainda maior: o par foi vendido a US$ 10,38 quando em maio do ano passado o valor havia sido de US$ 8,60. Destinos - Os Estados Unidos, principal comprador do calçado brasileiro, diminuiu em 22% o volume comprado de janeiro a maio. Foram exportados para o mercado norte-americano 38,5 milhões de pares, quando no mesmo período do ano passado, havia sido 49,6 milhões. O faturamento também caiu, em sete por cento. Se nos primeiros cinco meses de 2004 o Brasil faturou US$ 409 milhões em exportações com os EUA, este ano foram obtidas divisas na ordem de US$ 380,9 milhões. Os importadores dos Estados Unidos não aceitaram os reajustes nos preços do calçados e uma parte deles optou por colocar pedidos na Ásia. Os mexicanos também reduziram as compras de calçados brasileiros. Quinto país no ranking nacional, o México reduziu em 26% o volume de pares e 20% o faturamento. Perfomance semelhante teve o Canadá, que diminuiu 13% e 19% o volume e o faturamento, respectivamente. O dirigente da Abicalçados expressa preocupação com o quadro atual do setor. Se por um lado as exportações estão caindo em volume, gerando desemprego, por outro no mercado interno não está registrando elevação no volume de vendas, que dependem diretamente do aumento do poder aquisitivo do consumidor brasileiro. Além disto, com o sapato mais caro, o Brasil vem perdendo compradores internacionais para a China. "Estes clientes são muito difíceis de conquistar, mas são ainda mais de reconquistar", disse. Jacometti espera que o setor possa vir a se recuperar a partir de setembro, quando começa a nova temporada de vendas (primavera/verão). "Mas teremos de ter aumento na competitividade, o que não temos hoje". Vale do Sinos sofre com crise do calçado - Desde o início do ano, o Vale do Sinos, localizado no Rio Grande do Sul e conhecido nacionalmente como o maior pólo calçadista do Brasil - e um dos maiores do mundo – contabilizou 11 mil demissões em 19 municípios. A cidade mais atingida é Sapiranga, onde 15 empresas fecharam, deixando sem emprego 3,5 mil pessoas, correspondendo a 10% do total de trabalhadores. Os números são do Sindicato dos Sapateiros de Sapiranga e Região. Os dados estão no site www.abicalcados.com.br, link Estatísticas/Resenha Estatística. |
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