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Salvaguardas contra China regulamentadas O Brasil está definitivamente decidido à se defender das ameaças chinesas. Isso porque, na quarta-feira, dia 22, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovou e encaminhou ao presidente da República, Luiz Inácio Lula Silva a regulamentação de salvaguardas para produtos chineses. Agora, cabe ao presidente, mediante orientação da Camex, sancionar o documento e levá-lo à público, o que pode levar pelo menos uma semana. Após aprovação e assinatura do presidente Lula, as entidades setoriais estarão aptas a entrar com pedidos de defesa específicos para seus segmentos. Na opinião do presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, a medida é necessária e demonstra que o Brasil sabe defender seus legítimos interesses. “O País vem sofrendo um processo de concorrência desleal e precisa se ‘armar’ para evitar um prejuízo maior para a indústria nacional. São medidas previstas na Organização Mundial do Comércio (OMC) e, portanto, absolutamente legítimas”, alega. Conforme o assessor de assuntos internacionais da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Adimar Schievelbein, essa decisão é fundamental, tendo em vista que as o grande volume de importações chinesas é uma ameaça. “A assinatura do presidente deve ser levada a público no mínimo em uma semana, mas também pode acabar levando mais tempo. Após isso, a Abicalçados vai entrar com seu pedido de salvaguardas, que está em processo de formulação.” Segundo Schievelbein, na segunda-feira, 27, o conselho da entidade se reúne na própria sede para decidir as solicitações de proteção ao setor. Mas o presidente da Câmara de Comércio Brasil-China, Charles Tang, alerta que uma negociação que beneficiasse ambas nações seria o ideal nesse momento. “O governo chinês já estuda formas de contra-ataque às imposições feitas pelo Brasil.” Segundo Tang, a nação do grande dragão vermelho poderá retaliar o Brasil caso o governo federal adote alguma medida de salvaguarda. Tang ainda aponta o recente acordo entre chineses com a União Européia, que limita o crescimento das exportações têxteis orientais para o Velho Continente em 10% ao ano, até 2008, como um exemplo de negociação que pode servir de modelo. Em resposta as ameaças chinesas, o setor de componentes, através do presidente da Associação Brasileira das Empresas de Componentes para Calçados (Assintecal), Eduardo Kunst (Novo Hamburgo/RS), informa que o volume de comercialização destes produtos para o país oriental ainda é pequena. “Se a China impuser limites à atuação do setor brasileiro de componentes aceitaremos tranqüilamente porque esta será uma medida em resposta ao fortalecimento da indústria calçadista brasileira, que sempre terá nosso apoio irrestrito”, salienta Kunst. Quem divide a mesma opinião é o Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), que através de seu vice-presidente, Walter Lene (Itumbiara/GO), acredita que não deve haver problema em relação aos negócios com os chineses. “Como vendemos matéria-prima para eles, acredito que não vão deixar de fazer negócios, afinal, oferecemos qualidade e preço competitivos”. (Exclusivo) |
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