União Eueropéia quer investigação antidumping sobre calçado chinês


Não é somente o Brasil que sente de perto a invasão chinesa no mercado interno. Depois da briga sobre os têxteis, o comissário do Comércio europeu, Peter Mandelson, pedirá à Comissão Européia que abra uma investigação antidumping sobre as importações de calçados fabricados na China. A informação é da Agência France Presse, usando como fonte a porta-voz, Claude Veron-Reville.


Com base na denúncia feita pela indústria italiana de calçados, a Comissão terá um prazo de nove meses para determinar se existe dumping no caso deste produto fabricado na China, destacou a porta-voz. "Esta é uma medida comercial clássica", comentou.

A denúncia dos industriais italianos é anterior à publicação, no início de junho, pela Comissão Européia, de estatísticas mostrando um aumento espetacular das importações de calçados chineses na UE desde inícios de 2005.

Estes dados, sobre seis categorias de calçados fabricados, mostraram uma alta média de 700% nas importações, acompanhada de uma queda de preços de 28%.

Manifestação - E para mostrar para a opinião pública os efeitos nefastos da entrada de produtos chineses na Europa, cerca de 500 industriais calçadistas provenientes da Itália, Espanha, Portugal, Turquia e outros países produtores, fizeram no dia 15 de junho uma manifestação em frente à sede da Comissão Européia, em Bruxelas, denunciando a crescente importação de calçados da China. Liderados por Rafael Calvo e Roland Smets, presidente e diretor da Confederação Européia da Indústria de Calçados, mais o presidente da Associação Italiana da Indústria de Calçados, Rossano Soldini, os empresários desfilaram pelas ruas de Bruxelas ao som de tambores e slogans contra os calçados chineses. E fizeram inclusive a entrega simbólica das chaves de suas fábricas ao Comissário Europeu, Mandelson.

Segundo o site couromoda.com, Soldini e Calvo disseram que a situação da indústria calçadista européia fica a cada dia mais dramática e estão em risco centenas de milhares de empregos, visto que nos primeiros quatro meses de 2005 a importação de calçados da China cresceu 700%.

Os empresários pediram a Peter Mandelson urgência na definição de uma legislação que obrigue a declaração de origem para todos os calçados importados e distribuídos na Europa. Reivindicaram também uma eficaz ação anti-dumping contra a China, além da introdução de cotas de importação, a exemplo do que acabou de ser adotado para o setor têxtil, sem desconsiderar um possível aumento das taxas de importação.

A manifestação encontrou forte eco na mídia européia, mas a resposta de Mandelson foi política. O Comissário Europeu encarregou membros de seu gabinete de estudarem o assunto a fundo, postergando assim a possibilidade de uma rápida solução para a questão.

O consultor para assuntos internacionais da Abicalçados, Adimar Schievelbein, disse que durante o Congresso Mundial da Indústria Calçadista, realizado em Bruxelas em abril, havia questionado ao comissário da União européia sobre como a indústria local sobreviveria à agressiva política de exportação de calçados da China. “A questão só tende a piorar se a Europa não utilizar algum tipo de proteção”, completou. 

   

Copyright © 1998, CueroAmérica ®. Todos los derechos reservados | www.cueroamerica.com