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Mais um país asiático na mira dos brasileiros Cada vez mais atentos aos movimentos das nações asiáticas, empresários brasileiros do setor calçadista procuram identificar oportunidades e ameaças provindas dessas novas potências. Um exemplo é a Índia, que na carona dos chineses demonstra forte poder na produção de calçados. Conforme dados mais recentes da Satra (entidade inglesa do segmento), em 2003, os indianos fabricaram 780 milhões de pares, sendo que 70 milhões deles foram exportados e 4 milhões importados, um consumo de 714 milhões de pares de calçados. Estes números demonstram que grande parte da confecção fica dentro do próprio país, porém, essa força produtiva tende a aumentar e por conseqüência ser destinada a outros mercados. Uma tendência que preocupa a indústria nacional de calçados. Por outro lado, o setor de máquinas e equipamentos, principalmente, bem como o de componentes, encontra uma oportunidade para incrementar suas exportações. Segundo o consultor Franco Rapetti, que desenvolveu estudo sobre o mercado indiano para a Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos para Couro, Calçados e Afins (Abrameq), a Índia sofre grande defasagem em equipamentos e tecnologia. Considerado o segundo maior produtor e o terceiro maior consumidor de calçados em nível mundial, a Índia obviamente não é um bom destino para comercialização dos calçados brasileiros. Dados que comprovam isso são os tímidos números provindos das negociações brasileiras com aquele país de janeiro a abril de 2005. Nesse período foram comercializados apenas 76 pares com os indianos, o que rendeu um faturamento de US$ 854,00, com um valor médio do par do calçado sendo vendido à US$ 11,24. Um belo valor agregado, mas uma quantidade irrelevante se compararmos com outros destinos. Segundo o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Élcio Jacometti, a Índia já é um concorrente, porém, é difícil prever como será essa concorrência nos próximos anos. Ele acredita que o país não conseguirá chegar ao modelo China, mas tende a aumentar suas exportações. Tendo em vista que a produção de calçados indianos exibe poderosos números, cabe aos empresários brasileiros de máquinas e equipamentos aproveitar a oportunidade. Além da alta demanda produtiva, as tecnologias indianas estão muito atrás das oferecidas pelo mercado brasileiro. Segundo o assessor especial da Abrameq, Valter Broda, hoje o setor de máquinas e equipamentos passa por um processo de penetração no mercado indiano, e a expectativa é de que haja um grande crescimento de parcerias durante os próximos dois anos. Ele ainda destaca que as empresas nacionais atualmente estão formulando estratégias de comercialização com aquela nação, tendo em vista que é necessário oferecer além de qualidade e preço, fatores como assistência técnica, treinamento de equipes e, principalmente, ter um reconhecimento solidificado entre os empresários que formam aquele mercado. Conforme o gerente administrativo financeiro da Master Equipamentos Industriais Ltda (Novo Hamburgo/RS), Raul Ludwig Júnior, a desvalorização do dólar diante do real faz com que as máquinas e equipamentos nacionais percam o preço competitivo no exterior. “A conseqüência é que os indianos, assim como outros mercados, acabam optando por comprar equipamentos italianos, que têm maior tradição que os nossos”, justifica Júnior. Segundo ele, a Índia é um mercado promissor tanto para máquinas de calçados como para máquinas de curtumes. O primeiro contato comercial da empresa com o país oriental foi através de distribuidores, numa feira em Hong Kong, que acabou se concretizando adiante em feiras na Europa. De acordo com o gerente, as exportações para o país ainda são pequenas, mas se espera que a imagem dos produtos brasileiros se desenvolva nos próximos anos. Quem também mira possibilidades de parcerias com os asiáticos são os produtores brasileiros de componentes. Segundo o vice-presidente de mercado externo da Associação Brasileira das Empresas de Componentes para Calçados (Assintecal), William Nicolau, a Índia é um grande mercado, porém com vocação interna, sem grandes volumes de exportação e produzindo basicamente para suprir a sua própria demanda. É uma característica diferenciada dos demais asiáticos, muito por causa de suas peculiaridades culturais. Tendo em vista essa característica, o setor de componentes não analisa a Índia como uma ameaça aos empresários brasileiros. “Na verdade, por conta de seu grande mercado interno e pela disposição das empresas indianas de se aliarem a indústrias de outros países, com apoio governamental, temos a Índia mais como um mercado de oportunidades do que de ameaças”, declara. Conforme ele, a Assintecal já iniciou uma aproximação entre as duas nações, que resultou na assinatura de um acordo de cooperação para o setor de componentes com os indianos. |
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