Invasão chinesa


A afirmação do Conselho Empresarial Brasil-China, publicada na Imprensa, de que as importações brasileiras de uma série de produtos, dentre eles o calçado, vem trocando de mãos, é contestada pela Associação Brasileira de Calçados (Abicalçados). As poucas importações que o Brasil vem fazendo ao longo dos anos sempre tiveram a China como principal origem, seguida do Vietnã e Indonésia. O que vem ocorrendo realmente, é uma invasão de calçados chineses e não substituição de fornecedores.


Os números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC) mostram que a China liderou, nos últimos cinco anos, as importações brasileiras de calçados, detendo uma média de 70% do total importado pelo Brasil. Em 2004, o Brasil comprou de terceiros países 8,8 milhões de pares, sendo que 7,2 milhões vieram de fábricas chineses (70%), 332 mil pares do Vietnã (7,45) 384 mil pares da Indonésia (6,8%).

No ano anterior, foram importados 5,2 milhões de pares, sendo que a China ficou com 64% (3,9 milhões de pares), Vietnã com 10,3% (4,9 milhões) e Indonésia com 6,3% (241 mil pares). O mesmo desempenho ocorreu em 2002, apenas com variação pequena de percentuais. Naquele ano, vieram para dentro das fronteiras brasileiras 5 milhões de pares, com a China detendo 57% do total.

O que assusta o setor calçadista brasileiro é a entrada de um volume cada vez maior de calçados procedentes da China, com um preço médio em queda livre. De janeiro a maio deste ano, vieram da China 6,6 milhões de pares, isto é, 153% mais sapatos do que o mesmo período do ano passado, que havia sido de 2,6 milhões de pares, sendo que o preço pago foi de US$ 4,25 contra os US$ 6,11 registrados no ano passado, significando um decréscimo de 30,54% no preço médio.

O Brasil é o terceiro maior fabricante de calçados do mundo, detendo um parque fabril de 7,5 mil indústrias, 300 mil empregos diretos e uma produção de 775 milhões de pares - perdendo para a China, com 8 bilhões e para a Índia, com 800 milhões - e vem suprindo integralmente a demanda interna de calçados de todos os tipos, daí o motivo das importações não serem em larga escala. Mas com o aumento cada vez maior dos custos de produção e uma política cambial desfavorável, esta supremacia vem sendo ameaçada por um fornecedor que tem despesas praticamente nulas no processo de fabricação e políticas públicas que permitem que seja o maior fabricante mundial de calçados. Contra isto, realmente, a indústria nacional não tem como concorrer.(Abicalçados)

   
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