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Aftosa pode deixar curtumes gaúchos sem couro


O surgimento de um foco de aftosa no Mato Grosso do Sul trará sérios prejuízos ao país. E já está trazendo dificuldades para as indústrias de couro do Rio Grande do Sul. O governo gaúcho já flexibilizou a entrada de couros com uma etapa de industrialização. Porém, Santa Catarina está impedindo a passagem destes couros, indispensáveis para as empresas gaúchas.


A AICSul, em trabalho coordenado pelo presidente da Comissão de Matéria-Prima, Leogênio Alban, está gestionando para que seja flexibilizado também o ingresso e passagem de couros com uma etapa de industrialização por território catarinense. Neste sentido, a AICSul encaminhou documento às secretarias estaduais da Agricultura da região e ao Ministério da Agricultura, solicitando que o problema seja resolvido com a maior brevidade possível.

Este é o documento:

O Rio Grande do Sul possui 220 indústrias do couro, que geram 14 mil empregos diretos e 51 mil empregos indiretos. Estas empresas processam 13,6 milhões de couros bovinos/ano, sendo que a disponibilidade interna de peles é de apenas 2 milhões de couros bovinos/ano. Isto significa que 11,6 milhões de unidades são provenientes de outros estados brasileiros, representando 85% de toda a matéria-prima industrializada em território gaúcho.

Diante disto, proibir, mesmo que temporariamente, o ingresso e a passagem em Santa Catarina, de couros bovinos já industrializados (wet blue, wet white e piquelados), definida pela Instrução de Serviço nº 001/2005 – GEDSA, publicada dia 10 de outubro de 2005, pelo Governo de Santa Catarina, significa a paralisação das atividades do setor no Rio Grande do Sul, com gravíssimas conseqüências para a economia gaúcha e brasileira. O estado é o maior exportador brasileiro de couros com maior valor agregado, tendo trazido para a economia brasileira US$ 418 milhões em 2004 nas vendas externas de suas empresas.

Por outro lado, devemos salientar que temos a exata compreensão da necessidade de medidas para evitar que o Brasil seja prejudicado na menor dimensão possível com o incidente da existência de um foco de aftosa em território do país. Porém, também é indispensável considerar que tecnicamente inexiste qualquer possibilidade de risco de transmissão da aftosa através de couros que já receberam alguma etapa de processamento industrial, como é o caso dos couros nos estágios wet blue, wet white e piquelados. Esta afirmativa pode ser confirmada através de documento, em anexo, da responsabilidade do Centro Tecnológico do Couro – Senai/RS.

Considerando estes aspectos, propugnamos que, com a maior urgência possível, seja flexibilizada a instrução de serviço supra, permitindo o ingresso e a passagem pelo estado de Santa Catarina de couros já industrializados (wet blue, wet white e piquelados). O Rio Grande do Sul já tomou esta decisão, mas é imprescindível que ela também seja adotada pelos estados de Santa Catarina e Paraná.

   
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