Indústrias do couro gaúchas ameaçadas de paralisação


O aparecimento de novos focos de aftosa no Brasil está provocando graves prejuízos para as indústrias do couro gaúchas. Há dez dias que o abastecimento de matéria-prima para estas empresas está seriamente afetado por barreiras sanitárias, que já estiveram operando no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. As empresas gaúchas processam 13,6 milhões de couros bovinos/ano, sendo que a disponibilidade interna de peles é de apenas 2 milhões de couros bovinos/ano. Isto significa que 11,6 milhões de unidades são provenientes de outros estados brasileiros, representando 85% de toda a matéria-prima industrializada em território gaúcho.


Paulo Griebeler, executivo da Associação das Indústrias de Curtume do Rio Grande do Sul – AICSul, relata que dezenas de caminhões com cargas de couro salgado ou com um estágio de industrialização (wet blue, wet white ou piquelados) estão impedidos de chegar às empresas gaúchas, o que já está afetando a produção e devendo atingir muito mais caso não ocorra a liberação urgente para ingresso de matéria-prima no Estado, porque na maioria das empresas do setor os estoques estão chegando ao fim.

Tecnicamente inexiste qualquer possibilidade de risco de transmissão da aftosa através de couros que já receberam alguma etapa de processamento industrial, como é o caso dos couros nos estágios wet blue, wet white e piquelados. Griebeler destaca que também não há risco algum com couros salgados, desde que tenham recebido aplicação de carbonato de sódio a 2%, por um período mínimo de 28 dias.

Diante disto, a AICSul está trabalhando para que “prevaleça o bom senso, liberando a passagem e ingresso de couros necessários a nossas empresas e que não geram qualquer risco de transmissão da aftosa”, finaliza o executivo da entidade gaúcha.

   

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