3° ENCONTRO NACIONAL DO COURO

 

Cadeia do couro projeta futuro

No 3° Encontro Nacional do Couro, realizado em Novo Hamburgo, em uma iniciativa do Centro das Indústrias de Curtume do Brasil – CICB, com apoio da Associação das Indústrias de Curtume do Rio Grande do Sul – AICSul, representantes dos elos da cadeia do couro analisaram o momento e principalmente apresentaram tendências para os seus segmentos e a cadeia como um todo.

 


 

O representante da Abiquim, Paulo Élcio de Moraes, destacou que em torno de 10% da produção deste setor no Brasil tem como destino a indústria do couro. A estimativa da Abiquim é de que neste ano o país processará 45 milhões de couros, incluindo as peles importadas em razão da baixa qualidade da matéria-prima brasileira. Destacou que o faturamento da indústria química em produtos para a indústria do couro no Brasil está estimado em US$ 200 milhões, com US$ 66 milhões na produção de wet-blue, US$ 127 milhões em crust e US$ 87 milhões no acabamento. Porém, seria o dobro se todos os couros fossem acabados aqui.

 

O presidente da Abrameq, Raul Ludwig, ressaltou o surpreendente aumento de 32% das exportações brasileiras de máquinas no 1º semestre deste ano, comparado com o mesmo período no ano passado. Atribuiu à capacitação tecnológica e confiabilidade do produto brasileiro e à recuperação dos investimentos da indústria calçadista Argentina. Sobre a concorrência chinesa, ressaltou que esteve recentemente naquele país, visitando fabricantes de máquinas. Detectou um atraso de dez anos em relação ao nível da produção do Brasil, principalmente na área da qualidade. Porém, acredita que os fabricantes brasileiros deverão utilizar componentes chineses (muito mais baratos) nas máquinas produzidas aqui.

 

Ilse Guimarães, da Assintecal, apontou algumas tendências para a cadeia do couro e do calçado: maior cooperação entre empresas na inovação tecnológica; internacionalização das empresas; redução da importância dos APLs; busca de novos modos de comercializar o couro; mais ênfase para o atendimento de pequenos pedidos focados em moda; crescimento de barreiras não tarifárias; busca de produtos químicos mais baratos.

 

Representando a Abicalçados, Heitor Klein observou que o Brasil está perdendo espaço no seu mercado tradicional de calçados de baixo preço. Porém, ressaltou que a perda está sendo compensada com o crescimento das vendas externas de calçados com marca própria, direcionados a clientes exigentes. Segundo ele, isto é resultado de ações de marketing e atuação direta junto ao mercado varejista internacional.

 

Por outro caminho, a Abiacav, que representa os fabricantes de artefatos de couro, está preocupada em não perder mais espaço no mercado interno. Vidal Veicer sublinhou que o setor está sofrendo muito com a entrada de produtos chineses. Revelou que 80% dos artigos de viagem vendidos hoje no Brasil são importados.

 

Em nome dos produtores de gelatina, Paulo Reimann, da Gelita, destacou que “precisamos de programas de rastreabilidade para continuarmos no mercado”. Acrescentou que os preços da gelatina não estão relacionados com os mercados do boi e do couro. “É um mercado próprio e há sobre de gelatina no mundo, o que está fazendo com que o seu preço esteja em declínio”. 

 

Setor coureiro aponta suas preocupações

 

No final do Encontro do Couro, o consultor Hélio Mendes, do Instituto Latino, apresentou o resultado da atualização do Planejamento Estratégico do CICB. O trabalho aponta preocupações do setor: busca de alternativas para a utilização do cromo;  estímulo a visão de longo prazo para o setor, contemplando a agregação de valor à matéria-prima; agilização no direito legal das empresas que exportam de terem ressarcidos os créditos de ICMS;  verticalização da atividade dos frigoríficos, passando a fazer wet blue em larga escala; necessidade de passar de forma mais clara ao pecuarista que ele ganha com a qualidade do couro.

 

Umberto Cilião Sacchelli, presidente de CICB

 

Cézar Müller, presidente de AICSul

 

Vidal Veicer, presidente de AVIACAV

 

Ilse Guimaraes, superintendente de ASSINTECAL

 

Heitor Klein, director ejecutivo de ABICALÇADOS

 

Raul Ludwig, presidente de ABRAMEQ

   

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