Alpargatas planeja adquirir marcas no exterior para crescer

Essa aquisição de marcas deve se dar no segmento de tênis, no qual a Alpargatas já detém a licença de Mizuno, Timberland e Topper no Brasil, além de possuir o nome Rainha. A estratégia de internacionalização da São Paulo Alpargatas, controlada pelo grupo Camargo Corrêa, se dará por meio da aquisição de marcas de calçados em outros países, e não de fábricas.

 


 

É um caminho diferente daquele traçado pela holding detentora da fabricante de sapatos para as demais empresas do grupo. A área de cimentos, por exemplo, adquiriu a Loma Negra, maior cimenteira da Argentina. A Santista Têxtil se fundiu com a espanhola Tavex.

 

De acordo com Márcio Utsch, presidente da Alpargatas, o segmento de calçados não requer esse tipo de aquisição. "O mais importante nesse segmento são as marcas, já que se pode terceirizar a produção em qualquer lugar do mundo", diz o executivo.

 

Essa aquisição de marcas deve se dar no segmento de tênis, no qual a Alpargatas já detém a licença de Mizuno, Timberland e Topper no Brasil, além de possuir o nome Rainha. É na área de tênis que as grandes marcas mundiais existem e são fabricadas por meio de licenças.

 

As novas marcas poderão entrar em segmentos hoje não atendidos pelo portfólio de produtos da companhia. Ou até concorrer com os calçados já existentes, segundo o executivo.

 

Unidades industriais fora do Brasil só serão incorporadas se elas vieram com a aquisição das marcas, de acordo com Utsch. "As plantas do Brasil têm capacidade de absorver uma produção mais alta, dobrando os turnos."

 

Neste ano, duas das oito fábricas receberam R$ 139 milhões em investimentos para ampliação da capacidade total da empresa em 12%.

 

O segmento de tênis, que representa metade da receita da área de calçados, tem apresentado bons resultados à Alpargatas. As vendas das chuteiras Topper cresceram 14% em faturamento e 9% em número de pares nos primeiros nove meses do ano. Timberland apresentou um aumento de receita de 9%.

 

Com o real mais valorizado, os tênis importados com as marcas Timberland e Mizuno também se beneficiam e ajudam a compensar eventuais perdas de rentabilidade com as exportações.

 

Por envolver um uso intensivo de tecnologia, esses são calçados mais caros, vendidos em menor volume, o que ainda não justifica a produção local.

 

Na última sexta-feira, a Alpargatas divulgou seu resultado do terceiro trimestre. No período, o lucro líquido da companhia caiu 27,8%, para R$ 28,6 milhões.

 

Esses números foram ajustados para refletir uma mudança na contabilização de incentivos fiscais que a fábrica da Paraíba passou a receber neste ano. Além disso, no terceiro trimestre do ano passado, a companhia registrou uma receita não-operacional extraordinária com a venda de um imóvel, o que não se repetiu neste ano.

 

A receita bruta cresceu 12,9%, para R$ 384,9 milhões com o aumento de volume vendido e com a melhora do mix de produtos comercializados. A margem bruta subiu 0,4 ponto percentual na comparação com o mesmo trimestre de 2005, para 47,1%.

 

Esses dois fatores aliados levaram a um crescimento de 37,1% do lucro operacional, que foi de R$ 38,8 milhões. O lajida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) subiu de R$ 57,2 milhões para R$ 72,3 milhões, ou 26,4%.

 

Fonte: Valor Econômico

 




   

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