Drible na crise dos calçados

Empresas do setor planejam estratégias para manter rentabilidade e conquistar novos mercado apesar de a valorização do real frente ao dólar tornar menos rentável a lucratividade com as exportações.

 


 

A vida não tem sido fácil para a indústria calçadista gaúcha nos últimos dois anos. A cotação do dólar desfavorável prejudica as exportações. Os embarques recuaram 17% em número de pares entre janeiro e outubro na comparação com o mesmo período de 2005, informa a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados). O aumento de consumo no mercado interno não chega a compensar os embarques porque privilegia calçados mais baratos. Algumas empresas, no entanto, conseguiram encontrar saídas e crescer. Confira a seguir algumas das estratégias.

 

Capacidade toda ocupada

 

Zoomp, Ellus, TNG e M.Officer são algumas das grandes grifes que vendem sapatos da Arte Final Calçados, de Igrejinha. Há um ano a indústria contratou um estilista e começou a criar produtos arrojados e a oferecer no mercado.

 

O investimento em modelagem e em estudo de tendências no Exterior trouxe excelente resultado para a empresa, afirma o diretor comercial da Arte Final, Dirceu Linden:

 

- Estamos lotados de pedidos até o fim do ano, não aceitamos mais porque não temos capacidade produtiva suficiente.

 

A indústria concluirá 2006 com 30% a mais de vendas do que no ano passado. A Arte Final também investe na divulgação da Gino Ventori, marca própria que está se tornando conhecida nacionalmente.

 

Franquia fortalece marca em novos mercados

 

Há três anos, uma loja exclusiva da marca aberta no Chile despertou a Via Uno, de Novo Hamburgo, para um mercado potencial que a empresa ainda não explorava: o de franquias.

 

A idéia era conhecer e se aproximar do público local, mas começaram a chover pedidos de clientes da empresa interessados em repetir a iniciativa em diversos países.

 

Para aproveitar a oportunidade, a companhia estruturou uma área de franquias e começou a implementar o modelo dentro e fora do Brasil.

 

A primeira loja aberta no país foi em agosto do ano passado. Até o fim de dezembro, serão 56 unidades em solo nacional, além de 44 no Exterior, em países como México, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, África do Sul e Cuba.

 

- Com as franquias conseguimos mostrar a coleção completa, com várias opções de modelos e cores, combinados com acessórios. Ganhamos maior exposição e a marca ficou fortalecida - destaca Alexandre Sá Pereira (foto), gerente de franquias da Via Uno.

 

Com design e tecnologia

 

Entre clipes e programas para o público jovem, a marca West Coast é presença garantida nas emissoras da MTV em países da América Latina e na Finlândia. Os produtos da empresa gaúcha de Ivoti também podem ser vistos nas páginas de revistas no Egito, na Argentina e no Equador. Investir na divulgação da marca no Exterior foi a aposta da West Coast para fincar pés no mercado internacional, com calçados que privilegiam design e tecnologia.

 

Há seis anos nos reposicionamos com produtos de maior valor agregado. Isso traz um ótimo retorno - explica Sérgio Baccaro Júnior, gerente de marketing da West Coast.

 

Os números comprovam o sucesso. Este ano, o faturamento deve crescer 15% sobre 2005. A parcela da produção enviada ao Exterior saltou de 20% para quase 30%. Em 2007, a mesma estratégia será usada para lançar no mercado externo uma marca de calçados femininos.

 

Saiba Mais

 

De janeiro a outubro, as exportações gaúchas de calçados somaram US$ 1,054 bilhão, 3,3% a menos do que no mesmo período de 2005. Em números de pares, a queda foi superior a 17%. A receita das exportações brasileiras caiu 1% nos 10 meses deste ano. Houve queda de 5% em números de pares, também na comparação com o mesmo período de 2005.

 

Fonte: Zero Hora


   

Copyright © 1998, CueroAmérica ®.

Todos los derechos reservados

www.cueroamerica.com