Dólar ameaça calçadistas

As repetidas desvalorizações do dólar — fechou nesta terça –feira 6 (fevreiro) a R$ 2,08 — neste início de ano já estão fazendo o setor coureiro-calçadista andar aos tropeços, se configurando em um "desastre de receitas" para os fabricantes. "Esse ano deve ser muito duro na questão cambial. 

 


 

Não imaginávamos que teríamos essa ameaça ao redor dos dois reais", disse o presidente da AicSul (Associação das Indústrias de Curtume do Rio Grande do Sul), Cezar Müller, alegando que essa cotação é uma penalização aos exportadores.

 

"Em uma análise macro, o dólar a R$ 2,08 é inviável", complementou o diretor executivo da Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados), Rogério Dreyer. Em uma coisa os dois concordam: os contratos continuarão a ser honrados, mas a manutenção desse comportamento do câmbio torna-se uma barreira para a efetivação de novos negócios neste primeiro semestre.

 

A depreciação da moeda norte-americana deixa os exportadores sem ação, porque o atual cenário acaba determinando o índice de competitividade internacional e outros mercados conseguem ser mais competitivos, o que faz com que o Brasil perca espaço para os concorrentes.

 

Portanto, a reação agora não cabe aos empresários, que tentam se ajustar a esse cenário, mas a uma política cambial por parte do governo federal. "O que temos é uma balança desiquilibrada, onde em uma ponta está uma taxa de juros altíssima e na outra uma moeda fortalecida", argumentou. Segundo Müller, há um excesso de zelo por parte do governo e tudo indica que os exportadores terão que continuar convivendo com um dólar instável para baixo.

 

Engenharia - "Não dá para dizer que estamos fora do mercado, que o empresário não vai sobreviver, até porque cada empresa tem suas características e se busca uma reação. Mas essa depreciação do dólar é cada vez mais preocupante e pode inviabilizar a indústria de calçado no Brasil", comentou Dreyer. Para o executivo, as constantes oscilações da moeda americana é complicada porque exige uma verdadeira "engenharia financeira" por parte das empresas. "O problema é a que preço será negociado o calçado com o importador. Pode ser apostar em uma melhora de cotação, pode-se empatar os valores ou amargar prejuízos." Portanto, o empresário fica a mercê da cotação e dependendo da necessidade de caixa acaba fechando câmbio com "um dólar morto."

 

Sem resultados e condições de reajustar preços

O declínio do valor dólar implica em falta de resultados para as empresas produtoras de calçados que nem ao menos conseguem repassar os preços — prática não aceita pelos importadores — para tentar amenizar os prejuízos. "Estamos a meio ano sem reajustar preços. Está cada vez mais difícil a situação", disse João Carlos Hartz, diretor da Star Export, companhia de exportação de Novo Hamburgo/RS, que embarca em média 700 mil pares de calçados por mês — a maioria para os Estados Unidos e parte para o mercado europeu.

As conseqüências da supervalorização do real influi também em vendas que já estão em casa. Por exemplo, foram negociadas a um dólar de R$ 2,18 e na hora de faturar se contabiliza R$ 2,07. Mais: a cada dia as empresas estão reduzindo suas margens de lucro na espera de um milagre acontecer. Para Hartz, com a atual cotação do dólar, mais outros fatores que se somam à crise pela qual o setor atravessa, talvez um bom número de empresas até preferiria fechar as portas, porém como não possuem liquidez (não estão financeiramente saudáveis) para adotar essa medida seguem trabalhando com prejuízo. 

Fonte: Jornal NH  

 

Cezar Müller

 





   

Copyright © 1998, CueroAmérica ®.

Todos los derechos reservados

www.cueroamerica.com