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Umberto Cilião Sacchelli: Demanda externa e investimentos garantem crescimento das exportações de couro O aumento da demanda externa dos setores moveleiro e automotivo beneficia a indústria coureira. O câmbio desfavorável não conseguiu frear a expansão do volume de exportações de couro, que em 2006 cresceu 27,9% em relação ao ano anterior. Para 2007, o Centro das Indústrias de Curtume do Brasil (CICB) vai continuar a investir em novos mercados e consolidar posições nos países onde o Brasil já está presente. Segundo o presidente do CICB, Umberto Cilião Sacchelli, o sucesso na exportação também é resultado dos investimentos que os empresários fizeram em tecnologia.
Global 21 - As exportações de couro atingiram o seu patamar mais elevado em 2006. Como se explica isto diante da sobrevalorização do real? Umberto Cilião Sacchelli - As exportações atingiram estes patamares porque a demanda por couros no mercado internacional foi muito alta. Com isto, o mercado pagou preços maiores, resultando em maiores vendas em detrimento do mercado interno. Em termos de volume físico, registramos um crescimento de 27,9% em 2006.
G21 - Como o setor vem driblando a sobrevalorização do real frente ao dólar? Há uma busca de novos mercados? Sacchelli - Sim, estamos investindo não só na busca de novos mercados, com o apoio estratégico da Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex ), como também estamos focando o aumento de participação nos mercados já conquistados. Além disso, procuramos incentivar o crescimento do mercado interno, por meio de iniciativas como a Lei do Couro. Essa legislação, em fase de regulamentação, certifica a produção e a comercialização de couro e derivados, evitando, assim, a venda de "gato por lebre", isto é, de imitações de couro, logrando o consumidor.
G21 - Atualmente, grande parte da produção brasileira de couros apresenta significativa agregação de valor, como é o caso daqueles destinados à indústria moveleira e automotiva. Qual foi a participação do PSI - Programa Setorial Integrado do couro nesse processo? Sacchelli - A participação do couro acabado, com valor agregado, nas exportações é boa, mas deveria ser maior. Os fatores que influíram no sucesso do setor na exportação foram os investimentos que os empresários fizeram em tecnologia e no desenvolvimento de novos mercados, com o apoio da Apex.
G21 - A produção do couro no Brasil nasceu dependente da indústria calçadista. Atualmente é nítido o descolamento entre as duas indústrias. Como o senhor explica a alteração neste cenário? Sacchelli - A indústria curtidora praticamente nasceu e se desenvolveu com a indústria calçadista, mas nota-se hoje um deslocamento das vendas de couros para utilização em móveis e automóveis. A demanda do couro brasileiro para estofamentos é maior do que a do segmento calçadista. Este cenário é determinado principalmente pelo mercado externo, onde o uso do couro para móveis e automóveis tem crescido a taxa maiores que a oferta mundial de couros. Como os calçados, principalmente no Brasil, têm utilizado materiais alternativos, temos um maior direcionamento para estofamentos.
G21 - Já somos os maiores exportadores de couro mundial. Para quantos mercados já exportamos? Quais os principais mercados? Sacchelli - O Brasil responde pelo maior abate mundial de bovinos, mas o maior fabricante de couros acabados é a China, seguido pela Itália. Isto porque a maior parte de nossas exportações é de wet blue. Exportamos para vários mercados, sendo que os principais são a China (China + Hong Kong), Itália, Estados Unidos e Coréia do Sul.
Fonte: Global 21
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Umberto Cilião Sacchelli
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