A indústria brasileira de calçados – a
terceira maior do mundo no ranking da produção – vem enfrentando a maior
adversidade de sua história. Tendo sobrevivido ao impacto que
representou a implantação do Plano Real em 1994, as exportações do
setor vinham crescendo à média de 17% ao ano, colocando o país no quarto
lugar entre os exportadores a partir de 2004.
Cumprindo o
ditado “Onde há fumaça há fogo”, a Calçados Reichert, com matriz em
Campo Bom/RS confirma agora as especulações que há alguns meses circulam
sobre a paralisação de suas atividades. E não é apenas a unidade campo-bonense
que vai parar, mas todas que produzem calçados - em torno de 20
espalhadas em diversos municípios do Rio Grande do Sul, o que deve
provocar a demissão de cerca de 4 mil funcionários.
“A informação
procede. Estamos parando toda a produção de calçados”, limitou-se a
dizer ontem o diretor da Reichert, Ernani Reuter. O encerramento dos
trabalhos - as operações de curtumes e fôrmas prosseguem normalmente -
deve ocorrer no final de julho. O nocaute cambial na gigante calçadista
reforça os sinais que o setor está dando de que não vai conseguir
sobreviver ao atual patamar do dólar - que desde a semana passada rompeu
a barreira dos R$ 2,00 e ontem fechou a R$ 1,95.
Uma das mais
tradicionais fabricantes do Vale do Sinos e do Estado, a Reichert
iniciou suas atividades em 12 de outubro de 1935, com o objetivo de
fabricar e comercializar calçados.
Hoje, os negócios
têm tanto peso na balança comercial do Brasil que a empresa figura entre
as 250 maiores exportadoras - entre todos os segmentos produtivos -
gerando divisas na ordem de US$ 85,1 milhões em 2006, um crescimento de
15,6% em relação ao ano anterior, quando faturou US$ 73,6 milhões.
Somente em Campo
Bom, a unidade fabril de calçados tem cerca de 400 empregados, mas a
empresa conta com outras filiais, entre elas em Feliz, Crissiumal, Bom
Princípio, Vale Real, Humaitá, Três de Maio e Boa Vista. A situação de
encerramento das atividades também deve se estender para a Reifer
Calçados, com unidades em Teutônia,
Restinga Seca e
Bom Retiro do Sul, também pertencentes ao Grupo Reichert. Segundo o
presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Calçados de
Teutônia, Roberto Müller, nos últimos dois anos a empresa já vinha
reduzido em 50% seu quadro funcional, que era de 1,3 mil empregados. “Na
semana passada, das quatros linhas de produção uma esteira já havia sido
desativada. Agora, estamos na expectativa do que virá pela frente”,
observou o sindicalista.