Azaléia: os bastidores de uma venda

(Revista Amanhã) Ninguém acreditava que a Azaléia poderia ser adquirida em tão pouco tempo pela Vulcabras – nem mesmo os diretores da própria Azaléia. É o que afirmam executivos e empresários que conhecem, em detalhes, os bastidores da Azaléia. Segundo eles, a hipótese de venda até existia, mas não era considerada plausível em um espaço de tempo tão curto.

 


 

“Havia aquela coisa clássica de empresa familiar em processo de profissionalização. Os filhos do Nestor de Paula (fundador da Azaléia, falecido em fevereiro de 2004) não tinham interesse em tocar a empresa. Mas sempre que alguém fazia uma oferta de compra, ela era negada”, afirma uma das fontes ouvidas por AMANHÃ Online.

 

Além disso, havia a crença de que, se fosse mesmo vendida, a Azaléia pararia nas mãos da São Paulo Alpargatas, e não nas da Vulcabras. “Tanto que o pessoal da Alpargatas chegou a ter um ‘espião’ na diretoria da Azaléia, o Gumercindo Neto [hoje, diretor da Alpargatas]”, recorda a fonte. “Não sei como eles [Alpargatas] dormiram no ponto”.

 

A estratégia utilizada para negociar a venda da Azaléia também é alvo de críticas no setor calçadista. As informações dão conta de que uma pessoa teria ligado para os acionistas preferencialistas – que detinham 66% das ações – alegando que teria aparecido um fundo de pensão disposto a comprar os papéis da Azaléia. “Porém, esse fundo, cujo nome não era revelado, oferecia apenas R$ 1,50 por papel, um valor bem abaixo do que realmente valia. Foi uma surpresa”, destaca.

 

Os principais preferencialistas não quiseram vender. Mas 22% desses 66% aceitaram a proposta – resultando na compra inicial de 15% de participação. “Eles receberam um cheque assinado pela Vulcabras”, diz a fonte. Foi nesse momento que um dos preferencialistas, que também é membro da diretoria, soube que a empresa estava sendo vendida. “Nem os membros da diretoria sabiam da venda”, relata.

 

Estimativas de mercado apontam que o negócio foi fechado em cerca de US$ 150 milhões. “Só sei que eles venderam muito mal. O momento da companhia é muito bom e eles perderam a oportunidade de cobrar um preço bem mais elevado”, destaca a fonte próxima da Azaléia, alegando que a companhia teria R$ 200 milhões em caixa.

 



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