Dólar baixo gera queda de 23% nas exportações de máquinas para couros e calçados

Há muitos anos, mesmo enfrentando adversidades geradas por pacotes ou políticas econômicas de tempos em tempos, o setor de máquinas vem fazendo um trabalho de continuidade em nível de mercado internacional. Há sete anos, a Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos para Couros e Calçados – Abrameq – iniciou parceria com a Apex-Brasil, que passou a dar apoio para promover as empresas, na prospecção de mercado no sentido de ampliar as exportações do setor.

 


 

Tendo como base o conceito de tecnologia e qualidade, responsabilidade comercial e de apoio técnico ao cliente, imagem construída nas últimas três décadas de atuação, com absoluta liderança no mercado nacional, um considerável número de empresas passou a fazer investidas, inicialmente isoladas, e a partir de 2001, apoiadas pela Apex-Brasil, no sentido de conquistar seu espaço no mercado externo, principalmente na América Latina, mas também, numa expressão menor, em outros continentes como Europa e Ásia.

 

O presidente da Abrameq, Délcio Schmidt, destaca que grande parte do conceito construído em nível de mercado externo deve-se ao esforço conjunto, Abrameq, Apex-Brasil e empresas associadas, que “independente da linha de produtos, passaram a participar de eventos, com representação expressiva do setor, visual e tecnologicamente, levando ao conhecimento do mercado o potencial do setor e a sua capacidade competitiva em termos de produto, tecnologia e qualidade”.

 

O presidente da Abrameq adiciona que, “com este trabalho, a partir de ações individuais e coletivas, aliadas a um câmbio compatível com a realidade, que nos dava poder de competitividade, conquistamos o nosso espaço e passamos a condição de líderes de mercado na América Latina, em máquinas para couro e calçados”.

 

Porém, ele lamenta que a apreciação do real freou este processo. Num primeiro momento, em 2005 e 2006, o setor conseguiu manter uma estabilidade nas exportações em termos de valores. Porém, isto representou uma queda em termos de unidades ou, em alguns casos, limitou a comercialização de equipamentos com maior valor agregado. Em 2007, já se observou uma queda na ordem 23% em termos de valor.

 

Dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, elaborados pela Apex-Brasil, confirmam esta dificuldade. Indicam que as exportações brasileiras de máquinas para couros e calçados em 2007 totalizaram US$ 15,9 milhões, bem abaixo dos US$ 20,7 milhões de2006.

 

Délcio Schmidt afirma que, se não fosse o empenho extraordinário de algumas empresas, fazendo sacrifícios de toda ordem para se manter no mercado, e que, se não fosse a boa imagem e conceito construído ao longo de muitos anos, os resultados certamente seriam muito piores.  “É lamentável, mas temos que ser realistas, mesmo com a continuidade das ações de promoção comercial, temos pela frente um quadro que não apresenta tendência de recuperação em 2008”, afirma o empresário.

 

Mesmo assim, Schmidt destaca que “a responsabilidade que assumimos com o mercado, não nos dá oportunidade de recuar em termos de trabalho de prospecção de negócios e de apoio aos nossos clientes”. Mas lamenta que “estamos perdendo uma grande oportunidade, porque nossas empresas estão qualificadas para atender a demanda externa, sabemos das necessidades do mercado interno e externo em investir em tecnologia para melhoria do poder de competitividade e para melhoria dos processos produtivos. Por isso precisamos ter a esperança de que os governantes tomem medidas que reponham a competitividade dos produtos da cadeia coureiro calçadista no mercado internacional”.       

 





   

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