Se
por um lado as exportações de calçados, nos sete
primeiros meses do ano com relação ao mesmo período
de 2007, diminuiram para países como Estados Unidos (-32,5%
em receita), ainda o principal comprador do Brasil, importantes países
do Velho Continente continuam gerando boas divisas para o Brasil.
Com relação ao mesmo período
do ano passado, países como Inglaterra, Itália, Espanha,
Holanda, Portugal e França aumentaram 1,5% suas importações
do produto brasileiro. Os Estados Unidos, que até o primeiro
semestre do ano passado eram responsáveis por 40,1% do total
dos embarques nacionais, hoje respondem por 27,2% do total, com uma
queda no preço médio do par exportado de 19%, de US$
13,59 para US$ 11,26.
Os responsáveis pela queda nas exportações e
o acúmulo dos prejuízos dos exportadores brasileiros
são inimigos conhecidos do setor. Dólar desvalorizado
e aumento de custo do produto tupiniquim, concorrência desleal
dos países asiáticos que deixam de exportar apenas commodities
e passam a investir também em qualidade com baixo preço,
alta tributação interna, juros elevados, entre outros.
Agora, como o movimento se reflete em alguns mercados e em outros
tem um impacto menos negativo? Heitor Klein, diretor-executivo da
Associação Brasileira das Indústrias de Calçados
(Abicalçados), explica que o fenômeno não se reflete
da mesma forma nos países europeus, pois o mercado desse continente
ainda procura mais moda do que preço nos produtos, ao contrário
dos Estados Unidos.
“Os Estados Unidos compram basicamente pelo preço do produto.
Como os calçados brasileiros ficaram muito caros devido à
valorização do real, eles passaram a comprar mais de
outros fornecedores em detrimento do Brasil. Na Europa, os compradores
valorizam a qualidade e aceitam pagar mais por ela”, analisa o dirigente.
Atualmente o Brasil exporta para mais de 140 países.
De acordo com o executivo, a saída para a crise nas exportações
é escolher um nicho de mercado específico. Segundo ele,
atualmente, o modelo exportador tradicional, o da subcontratação,
“está ficando muito difícil de praticar, devido à
política cambial”. “Não há como produzir um calçado
com o custo pré-determinado pelo cliente”, afirma. Quanto à
prática mais aconselhada por especialistas no setor, de investir
em valor agregado e em design, o dirigente é cético.
“A quantidade no segmento de valor agregado e design ainda é
bem menor do que a da subcontratação, e o mercado consumidor
também é menor. Na realidade, está ocorrendo
um rearranjo no sistema exportador que ainda não está
definido”, diz. Apesar do leve aumento do dólar em relação
à moeda nacional, o dirigente prefere não estipular
perspectivas de aumento nas exportações do setor. “A
cada mês os resultados surpreendem. A reação depende
do foco da empresa. Muitas delas continuam a investir no mercado internacional,
pois mais à frente a situação tende a mudar para
melhor e, quando isto acontecer, estas empresas estarão no
lugar certo, na hora certa, porque investiram num negócio com
visão de longo prazo", avalia.