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Opinião
Luiz Bittencourt*:
A importância econômica do couro A indústria brasileira do couro é um dos grandes propulsores da economia nacional e sua importância econômica se deve à geração de divisas (US$ 2,2 bilhões, em 2007) e de empregos, já posicionando o produto entre os principais itens da nossa pauta de exportações. O País é hoje um dos maiores produtores e exportadores mundiais de couro, consolidando uma história de quase cinco séculos de conquistas.
Com efeito, as raízes da indústria do
couro remontam à época do descobrimento, mais precisamente
1534, quando aqui desembarcou o primeiro rebanho bovino, proveniente
de Cabo Verde. E o responsável por esse feito foi uma mulher,
Ana Pimentel, esposa do primeiro governador-geral, Martim Afonso de
Souza. A despeito de ser uma das atividades das mais antigas do País, a indústria do couro é hoje um dos mais modernos atores da economia, por conta do contínuo processo de modernização implementado pela indústria. Nos últimos vinte anos, em particular, a indústria curtidora registrou acentuado upgrade tecnológico, fruto de investimentos da ordem de US$ 300 milhões, aplicados em atualização tecnológica, na modernização e na expansão do seu parque industrial. O setor também soube capitalizar, de forma competente, as conhecidas vantagens comparativas que o Brasil detém nessa frente. Dono do maior rebanho bovino comercial do mundo (cerca de 200 milhões de cabeças), o Brasil conta com matéria-prima em abundância e com preços competitivos, o que, adicionado a uma mão-de-obra qualificada para processar o couro, converge para um relevante e invejável diferencial. De fato, os profissionais que lidam com o couro, por serem reconhecidos como dos mais qualificados do planeta, levam o Brasil a exportar técnicos especializados no processamento de couros. Calcula-se que existam hoje mais de 2.000 trabalhadores especializados brasileiros que trabalham, por exemplo, na China. Como decorrência natural desse quadro, as exportações brasileiras saltaram dos US$ 864,5 milhões embarcados em 2001, para alcançar US$ 2,2 bilhões no ano passado, taxa média anual de crescimento da ordem de 20%, segundo o estudo O Brasil e o Mercado Mundial de Couro, editado pelo Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB). Atualmente, quase cem países adquirem o couro nacional -e não só China, Itália e EUA, demandam o produto brasileiro, como também mercados tão diversos como os de Coréia do Sul, Indonésia, Taiwan, Países Baixos, Vietnã, Tunísia, Emirados Árabes Unidos e Líbano, dentre outros. Hoje, mais de 60% do couro bovino é destinado aos segmentos automotivo e de estofamento, até como conseqüência de a indústria calçadista ter migrado para a matéria-prima sintética, por razões de custo. Um exemplo significativo e que ilustra essa nova tendência pode ser constatado no mercado norte-americano, principal cliente do calçado nacional, onde 70% dos sapatos comercializados são manufaturados com material sintético. É neste contexto que a indústria curtidora identificou novos nichos e de forma diferenciada os atende, tanto que os embarques brasileiros de peças de maior valor agregado (produtos semi-acabado e acabado) passaram a representar participação de 67% do total da receita das exportações brasileiras, contra 64% em 2006. O saldo da balança comercial do setor curtidor atingiu US$ 2 bilhões, em 2007, ante o US$ 1,7 bilhão de 2006, ou seja, um crescimento de 17%. Com instrumentos como tecnologia de ponta, marketing agressivo e práticas ambientalmente corretas, a indústria curtidora nacional vem conquistando resultados de alto valor adicionado. A parceria com a Apex Brasil não pode deixar de ser citada, pois tem contribuído de forma relevante e o setor, respondido com eficácia, para os resultados alcançados. O setor curtidor brasileiro tem experimentado, na parceria com a Apex-Brasil, uma expressiva relação custo-benefício (dólar agregado na exportação / real aplicado pela agência governamental), atingindo a marca de US$ 146,00 para R$ 1,00. Esses parâmetros já demonstram, por si sós, que o couro brasileiro conquistou, de forma consistente, luz própria. Entretanto, para o Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB) -entidade federativa que representa, há 51 anos, as 800 empresas de produção, de processamento e de comercialização de couro-, mesmo com as realizações à potencialidade, há urgente necessidade de o governo investir em políticas setoriais que ampliem, ou, no mínimo, não prejudiquem, a competitividade já conquistada pelo produto nacional. Um forte exemplo de obstáculo significativo que afeta a atividade curtidora é a apreciação do real, que vem reduzindo as margens, inviabilizando negócios e tolhendo a competitividade do setor. Com o câmbio apreciado, as exportações de couro, em 2008, deverão ficar limitadas a, no máximo, US$ 2 bilhões, reduzindo em US$ 500 milhões as expectativas anteriores. Para atenuar tal quadro, a entidade propõe, dentre outras medidas, a imediata agilização no ressarcimento de créditos retidos nas exportações, a desoneração da produção e a desburocratização na emissão de certificados sanitários. Neste cenário,
o CICB entende que somente políticas setoriais efetivamente
vigentes, com foco na competitividade do produto nacional e que reflitam
a parceria entre os setores público e privado, podem contribuir
para a geração de divisas, de riquezas e de postos de
trabalho, aumentando de forma construtiva a arrecadação
e consolidando a inserção competitiva do Brasil na cada
vez mais acirrada economia globalizada. |
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