![]()
George
Queiroga Estrela
Caixa Postal: 5045 – Fone: 083.216.7549 – email: georgeestrela@uol.com.br
1)
INTRODUÇÃO
O
mais importante para as empresas nas décadas de 1980 e 1990 talvez tenha sido o
foco no aumento da eficiência – fazer certo as coisas. Por isso o movimento
da reengenharia tornou-se tão popular: era uma maneira rápida de tornar-se
mais eficiente. A competição no século XXI, diferentemente, enfatizará a
eficácia – fazer as coisa certas, o que leva empresários e executivos a
procurar em novas e criativas maneiras de gerar lucro (HSM MANAGEMENT, 2000).
Em
nível mundial o ambiente produtivo tem passado por constantes mudanças nos últimos
anos, e poucos executivos ignoram a rapidez com que as pressões competitivas se
intensificaram recentemente. A tecnologia de produção e a tecnologia de gestão
evoluíram em um processo interativo em que se busca atender à rentabilidade do
capital investido, podendo-se prever crescente interdependência.
Entre
os novos desenvolvimentos da tecnologia de gestão, destacam-se o Planejamento
Estratégico; os Programas de Qualidade Total; os Programas de Produtividade; os
Novos Métodos de Custeio. A maior parte dessas técnicas faz uso intensivo de
recursos computacionais (hardwares e
softwares), como é o caso dos sistemas CAD (Projeto Auxiliado por
Computador); CAE (Engenharia Auxiliada por Computador); CAM (Manufatura
Auxiliada por Computador); CAPP (Planejamento do Processo Auxiliado por
Computador); CAQ (Qualidade Auxiliada por Computador); CIM (Manufatura Integrada
por Computador); CNC (Comando Numérico Computadorizado); EDI (Intercâmbio
Eletrônico de Dados); FMC (Célula Flexível de Manufatura); FMS (Sistema Flexível
de Manufatura); MRP (Planejamento das Necessidades de Material); MRP II
(Planejamento dos Recursos da Manufatura); OPT (Tecnologia de Produção
Otimizada), além de toda a gama de equipamentos de automação e robótica.
Outras
técnicas dizem respeito a princípios e elementos conceituais relacionados com
a organização e gestão do sistema produtivo. Em geral, trata-se de
tecnologias que definem procedimentos para o gerenciamento da manufatura,
associados ao estabelecimento e consecução de metas de qualidade e
produtividade, através do envolvimento pleno dos recursos humanos. Nesta
categoria incluem-se, dentre outros, os seguintes sistemas: ABC (Custeio Baseado
nas Atividades); ABM (Gestão Baseada nas Atividades); Target Costing (Custeio
Alvo); JIT (Just-in-Time); KANBAN (Cartões para Puxar a Produção); MC
(Manufatura Celular); PFA (Análise do Fluxo de Produção); TQC (Controle de
Qualidade Total); TQM (Gestão da Qualidade Total).
Quando
da concepção de um sistema de produção essas novas tecnologias envolvem uma
série de fatores como, por exemplo, complexidade, designo tecnológico, custos, etc. Entretanto, essas mudanças tecnológicas
acentuadas exigem novas formas de gestão, aumentando consideravelmente os
gastos, que são considerados despesas indiretas. Foi nesse novo ambiente que se
identificou a necessidade de se desenvolver uma forma de integração conceitual
e sistêmica entre os processos de controle gerencial e de gestão de
manufatura, conforme mostra o trabalho de NAKAGAWA (1987).
Pretende-se,
a partir deste ponto, discutir a importância das novas tecnologias de gestão e
mensuração de custos, consolidadas por muitos autores sob o nome de
Gestão Estratégica de Custos.
Ainda, segundo BERLINER&BRIMSON (1992), a meta deste sistema é gerar
informações que auxilie as empresas a utilizarem seus recursos lucrativamente,
para produtos e serviços ou produtos que sejam competitivos em termos de
custos, qualidade, funcionalidade e pontualidade de entrega no mercado global.
2)
SISTEMAS
TRADICIONAIS DE CUSTOS
Nas
últimas décadas os métodos de custeio têm sofrido severas críticas por
produzirem informações defasadas e inadequadas para o processo decisório. A
principal crítica aos métodos convencionais reside nos critérios aleatórios
para rateio dos custos indiretos aos produtos e aos centros de responsabilidade.
São critérios inexatos, que podem resultar em significativas distorções na
apuração dos efetivos custos dos produtos.
Os
sistemas convencionais de contabilidade de custos foram desenhados para épocas
anteriores, quando a mão-de-obra direta e os materiais eram os fatores de produção
predominantes, a tecnologia era estável, as despesas indiretas apoiavam o
processo produtivo e existia um número limitado de produtos.
O
quadro 1 apresenta de forma resumida as falhas dos critérios tradicionais de
apropriação dos custos indiretos.
|
PRINCIPAIS
FALHAS |
PRINCIPAIS
CONSEQÜÊNCIAS |
|
Não
permitem a visualização de todos os recursos necessários à
atividade. |
Não
permitem a constatação de atividades que não agregam valor. |
|
Utilizam
apenas valores de custos baseados em volumes. |
Transmitem
falsas informações de custos para os administradores. |
|
A
apropriação dos custos fixos/indiretos torna-se totalmente aleatória
quando ocorre: atividades que atendem múltiplos produtos; diversidade
de produtos; diversidade de volume. |
Dificultam
a apuração das margens de contribuição de cada produto ou de linhas
de produtos. |
Quadro
1: Falhas dos critérios tradicionais de apropriação dos custos indiretos –
Fonte: PEREZ JÚNIOR, et al. (1999)
Tendo
em vista as evoluções na estrutura dos custos para acompanhar as evoluções
tecnológicas, nota-se o significativo crescimento da participação dos custos
indiretos no processo produtivo. Tais custos indiretos não podiam mais ser
apropriados com base nos antigos critérios, sob pena de provocam graves distorções
na apuração dos verdadeiros custos de produção.
Surgiram,
em conseqüência, diversas técnicas inovadoras para análise e controle dos
custos, frisando principalmente a apropriação dos custos indiretos. Com o
intuito de superar essas dificuldades, desenvolveram-se novas abordagem para
apuração, custeio e contabilização dos custos.
3)
GESTÃO
ESTRATÉGICA DE CUSTOS
Tradicionalmente,
a análise de custos é conhecida e praticada como sendo o processo de avaliação
do impacto financeiro das decisões gerenciais alternativas. Por sua vez, a gestão
estratégica de custos deve ser vista, compreendida e praticada sob contexto
mais amplo, em que os elementos estratégicos tornam-se mais consistentes, explícitos
e inseridos nos procedimentos da Controladoria e Contabilidade de Custos.
De
acordo com MARTINS (1997), a gestão estratégica de custos vem sendo utilizada
nos últimos tempos para designar a integração que deve haver entre o processo
de gestão de custos e o processo de gestão da empresa em sua totalidade.
Entende-se que essa integração é necessária para que as empresas possam
sobreviver num ambiente de negócios crescentemente globalizado e competitivo.
Uma
vez integrado aos processos da administração e da controladoria, a gestão
estratégica proporciona as seguintes vantagens, geradas a partir da visualização
da organização por meio de novos e diferenciados ângulos:
1.
Um poderoso instrumento de tomadas de decisão;
2.
A focalização dos esforços de melhoria, com resultados mensuráveis;
3.
O aprimoramento na capacidade da empresa de criar e agregar valores.
Assim
sendo, tornou-se necessário o desenvolvimento de novos sistemas de custeio a
serem integrados às novas ferramentas gerenciais.
3.1)
CUSTEIO BASEADO EM ATIVIDADES - ABC (Activity
Based Costing)
Diante
do crescente avanço tecnológico e metodológico dos últimos tempos e do
conseqüente aumento da competitividade, surgiu a necessidade do aumento da
qualidade, da economia do tempo e da redução dos custos por parte das
empresas, a fim de evitarem a perda de espaço no mercado. Aliado a esse avanço
os custos indiretos aparecem como uma decorrência imediata daquele, a
crescimento galopante. Foi em virtude destes problemas que, em meados da década
de 80, nasceu nos Estados Unidos um método que revolucionou o gerenciamento
empresarial: o Custeio ABC (Activity Based
Costing).
O
ABC é um sistema de custeio baseado na análise das atividades significativas
da empresa. Este método se assemelha ao método de custeio por absorção, porém
naquele não há a utilização de critérios de rateio. Assim, o método ABC
leva em consideração, no cálculo do gasto unitário dos produtos, tanto os
custos diretos quanto os custos indiretos e em alguns casos as despesas. Para
tanto, utilizam-se direcionadores, ao invés da departamentalização usada no método
por absorção.
O
objetivo do ABC é reduzir o custo por meio da eliminação dos desperdícios,
através do corte nos geradores de custos que não agreguem valor, ou seja,
naqueles fatores causadores do consumo de atividades evitáveis ou desnecessárias.
Essa é uma forma eficaz de compressão dos custos, diferindo da maneira
tradicional de cortes aleatórios dos recursos. Dessa maneira o gerenciamento
consegue uma otimização nos retornos financeiros aliado a uma otimização do
valor dos produtos para quem os demandar.
Foi
pela ênfase dada ao estudo de um método analítico, sem uso de arbitramentos
aleatórios, eficaz e de rápida promoção de decisões que o Custeio ABC
ganhou tanto mérito e repercussão no mundo.
O
direcionador de custo é um determinado fator que influencia a quantidade de
trabalho da empresa. Ele pode estar relacionado
com o volume de produção ou não. Os direcionadores de custos (Cost Drivers)
foram uma inovação do ABC, visto que é por meio deles que os custos,
provenientes do consumo de recursos, vão sendo agregados às suas respectivas
atividades. Por vezes surgirão ramificações das atividades que se disseminarão
em outros departamentos. É o que se chama de atividades secundárias.
Os
Cost Drivers são utilizados também para calcular o consumo das atividades por
cada produto, chegando-se, então, ao fim do processo de apuração. Com isso
pode-se observar que esse critério estudado proporciona a visão transparente
do quanto cada nível do processo contribui para uma ótima produtividade. A
informatização desse custeio é de fundamental importância, uma vez que o número
de informações é vultoso e, conseqüentemente, despenderia muito tempo para o
processamento do método.
O
ABC causou um frison na população
mundial pelo fato de ter quebrado o vínculo com as tradicionais formas de custeamento. Nascia então um método
baseado não mais na apropriação dos custos às unidades produtivas, mas sim
nas atividades realizadas em um
estabelecimento.
Para
compreender melhor o ABC é interessante frisarmos o que define os termos
recurso e atividade. O primeiro corresponde aos fatores produtivos que serão
consumidos pelas atividades. O segundo é a forma da empresa utilizar o seu
tempo e recurso para o alcance de seus objetivos.
Uma
atividade é uma combinação de recursos humanos, materiais, tecnológicos e
financeiros para se produzirem bens ou serviços. É composta por um conjunto de
tarefas necessárias ao seu desempenho. As atividades são necessárias para a
concretização de um processo, que é uma cadeia de atividades correlatas,
inter-relacionadas, conforme MARTINS (1997). Entretanto, as atividades são
classificadas dentro de uma sistemática como, por exemplo, unidade, lote,
produto, suporte, etc.
3.1.2)
DIFERENÇAS E CARACTERÍSTICAS DOS SISTEMAS DE CUSTEIO ABC E VBC
O
que diferencia e caracteriza a metodologia ABC daquelas empregadas pelos
sistemas tradicionais de custeio, sejam os VBC - custeio baseados em volume
(custeio por absorção), sejam os baseados em custeio direto, é que, enquanto
estes últimos se preocupam com a precisão numérica e com a consistência dos
princípios contábeis, o custeio com base em atividades objetiva a acuracidade
causal dos mecanismos que levam ao aparecimento dos custos (BORNIA, 1995).
Além
disso, os sistemas de custeamento tradicionais refletem os custos segundo a
estrutura organizacional, em forma de pirâmide e, quando muito, a estrutura
funcional da empresa. O ABC, na sua visão horizontal, procura custear
processos, que são interdepartamentais, extrapolando os limites da estrutura
organizacional e funcional. É neste sentido que o ABC é visto como uma
ferramenta de análise dos fluxos dos custos (BORNIA, 1995).
O
quadro 2 resume as principais diferenças entre os sistemas ABC e VBC.
|
|
ABC |
VBC |
|
·
Escopo |
eficácia
dos custos |
custos
para controle |
|
·
Objetivos |
Competitividade |
Relatórios
financeiros |
|
·
Gestão |
visão
ex-ante |
Visão
ex-post |
|
·
Análise |
Tridimensionalidade |
Bidimensionalidade |
|
·
Mensuração |
Acurácia
causal |
Precisão
numérica |
Quadro
2: Diferenças entre o ABC e o VBC - Fonte: Nakagawa
(1994).
O
conhecimento destas diferenças é fundamental para o planejamento e gestão do
processo de mudança organizacional que envolve a implantação do ABC.
No
entanto, uma ressalva merece ser feita a respeito da convivência entre estes
dois sistemas em uma mesma organização. Os sistemas de custeio tradicionais,
por estarem mais amparados pelas exigências legais (fisco) e respaldados pelos
acionistas (demonstrativos societários), terão muito mais força no caso de
uma eventual “quebra de braço” com o sistema ABC.
Usando-se
de cautela e preocupando-se com a aceitação do ABC em uma organização que
utiliza-se dos sistemas tradicionais, deve-se prever, quando da introdução do
novo sistema, a coexistência de ambos os sistemas, cada qual cumprindo sua
finalidade básica, ou seja, geração dos demonstrativos contábeis, por parte
do sistema tradicional, e apoio às decisões gerenciais, por parte do sistema
ABC.
3.2)
TEORIA DAS RESTRIÇÕES (Theory
of Constraints – TOC)
A
TOC é uma filosofia de produção voltada para a gerência da produção que
orienta a empresa no planejamento e controle de suas atividades e no processo
contínuo de aprimoramento para enfrentar o moderno ambiente competitivo.
Embora
o TOC esteja mais no campo da administração da produção do que da
contabilidade, a efetiva implantação desta filosofia necessita de medidas de
desempenho próprias, as quais normalmente chocam-se frontalmente com os
procedimentos usuais dos sistemas de custos. Na verdade, os defensores da TOC
geralmente são os maiores críticos da contabilidade de custos.
Como
já foi dito anteriormente, a TOC prega que as restrições da empresa devem ser
encontradas e os esforços gerenciais precisam estar focalizados nestas restrições,
isto é, a atenção das pessoas necessita estar concentrada principalmente nas
restrições. Por restrição entende-se qualquer coisa que limite o desempenho
da empresa. Podem-se encontrar restrições físicas no mercado, fornecedores e
nas operações internas, e restrições de política, compostas por normas da
empresa. Encontradas as restrições, as mesmas devem ser exploradas ao máximo
de suas capacidades, pois o desempenho dos gargalos (restrições) determinará
o desempenho de todo o sistema. O funcionamento dos recursos não-restrições
precisa, então, ser subordinado ao uso dos gargalos, de maneira a se evitar a
criação de alto estoque intermediário.
Desta
forma, obtém-se o máximo possível de produção da empresa nas atuais
circunstâncias. Para a melhoria do desempenho da mesma, necessita-se eliminar,
ou elevar, a restrição. Quando se consegue acabar com a restrição, a produção
da empresa aumenta e outro recurso aparecerá como gargalo. Então, volta-se ao
início do ciclo, trabalhando-se agora com a nova restrição, cuidando-se para
não aparecerem restrições de política. O ciclo é repetido indefinidamente,
guiando as ações de melhoria contínua da empresa e tomando-a cada vez mais
competitiva.
A
Teoria das Restrições estabelece uma hierarquia das atitudes a serem tomadas
para o alcance da meta organizacional. Este processo decisório compreende as
seguintes etapas:
1.
Identifique a(s) restrição(ões) do sistema;
2.
Decida como explorar a(s) restrição(ões) do sistema, ou seja, tirar o
máximo de proveito delas;
3.
Utilize os recursos não-restritivos dentro do limite imposto pelas
restrições;
4.
Levante a(s) restrição(ões) do sistema;
5.
A partir da quebra de uma restrição recomeçar todo o processo.
A
TOC pode ser explicada usando os cinco passos de focalização que acabaram de
ser listados. Observe-se que poderão existir sistemas com uma ou mais restrições.
O objetivo desses passos é o de focalizar a atenção do gerente nos recursos
restritos, que são fatores inibidores do crescimento do lucro.
3.3)
TARGET COST (Custo-Alvo)
O
custo-alvo surgiu nos países como o Japão (1970), Alemanha (1993) e
posteriormente nos Estados Unidos. Segundo MARTINS (1997), o conceito que vem
sendo utilizado por empresas de “classe mundial” é o de custo-alvo, ou target
cost em inglês, que é o custo máximo admissível de um produto ou serviço
para que, dado o preço de venda que o mercado aceita, consiga o mínimo de
rentabilidade que se quer.
O
custo-alvo foi aplicado primeiramente em certas indústrias com produtos de vida
curta. Nas indústrias eletrônica e automotora, por exemplo, uma grande parte
do trabalho de desenho (design) do
produto é para atender às contínuas mudanças das condições de mercado.
Estabelecendo-se um custo-alvo durante o desenho de um produto, é possível que
os novos computadores ou os novos carros tenham custos competitivos no primeiro
ano em que são fabricados.
Assim,
esforços da gerência operacional no sentido da redução dos custos são
determinados por decisões estratégicas e estão intimamente ligados a elas.
MORGAN (l993) diz que o controle dos custos dos produtos é levado novamente ao
centro do processo gerencial com o uso do custo alvo. Segundo o autor, existem
alguns métodos para a determinação do custo-alvo, dentre os quais
destacam-se:
a)
Cada unidade gerencial pode estabelecer voluntariamente seu objetivo para a redução
de custos. Este método apresenta a vantagem de estimular o senso de participação
do pessoal; porém, é muito sujeito às características pessoais do
planejador;
b)
Outra maneira é se reduzirem linearmente todos os custos em um certo percentual
constante. Apesar de ser simples e fácil de se entender, não há distinção
entre as funções e seus potenciais de custos, os quais podem ser completamente
diferentes;
c)
A curva de experiência, que prega a redução de custos à medida que a empresa
vai aumentando as unidades produzidas, pode ser utilizada como regra empírica
para a redução dos custos. Este método não pode ser empregado para estágios
iniciais da vida útil do produto, como a fase de projeto, mas apenas na etapa
de fabricação;
d)
O procedimento típico para a fixação do custo-alvo é a determinação do preço
que o produto deverá assumir a fim de ser competitivo no mercado e da,
consideração da margem de lucro requerida pela empresa, deriva-se o custo que
se necessita atingir.
O
principal objetivo do cálculo e uso do custo-alvo está na redução dos custos
totais, mas mantendo a alta qualidade dos produtos. O outro objetivo é sua
utilização na formulação dos planos estratégicos de lucro integrando as
informações da engenharia de produção com as áreas de marketing.
O custo-alvo geralmente é fixado muito abaixo do atual, de forma que atingí-lo é tarefa que demanda bastante esforço. Uma vez fixado o preço do produto, o custo é distribuído aos componentes do produto em questão, diretamente ou através das operações que o transformam. Cabe ressaltar que o maior proveito do custo alvo é obtido quando implantado na fase de projeto do produto. A partir da meta de custo, o produto é projetado, com a utilização da engenharia do valor, para tornar viável aquele custo, o mesmo acontecendo com o processo produtivo.
Para
conseguir chegar ao custo-alvo, é necessário identificar quatro itens:
1.
Exigências
do cliente: a
compreensão das necessidades do mercado e os níveis de desempenho dos produtos
dos concorrentes;
2.
Estrutura
de custos futuros:
tornar o desenvolvimento do custo-alvo um aspecto contínuo do processo do
desenho do produto;
3.
Desenho
do produto:
levar em consideração os vários geradores de custos durante o desenho do
produto;
4.
Aperfeiçoamento
contínuo:
encorajar o aperfeiçoamento contínuo dos geradores de custos durante todos os
estágios do ciclo de vida e distribuição, produção e distribuição do
produto.
De
acordo com MORGAN&WEERAKOON (1990), "os japoneses não deixam que práticas
e convenções contábeis externas determinem como se medem e controlam
atividades organizacionais, em contraste com muitos sistemas ocidentais, onde
procedimentos externos ditam os requerimentos dos relatórios gerenciais
internos". Assim, o sistema japonês possui enfoque estratégico, e não
operacional.
4)
CONCLUSÕES
A
principal contribuição deste trabalho consiste em apresentar um conjunto
sofisticado de abordagens e técnicas, capaz de produzir mudanças e economias
significativas no atual mundo dos negócios, através dos sistemas de custos
adaptados ao atual ambiente competitivo.
Mas
é primordial que o foco estratégico de uma empresa seja, qualidade,
proximidade com o cliente, concorrência baseada no tempo. Porém, é preciso
que haja boas informações (custos e funcionalidade) para apoiar o processo de
tomada de decisões, e com isso, possa vencer os desafios da competição na era
da informação.
Sem
sombra de dúvidas o método ABC representa um avanço em relação às práticas
tradicionais de custeio para obtenção de custos indiretos dos produtos de
forma mais precisa. Estudos em empresas brasileiras e americanas tem mostrado
que a partir da configuração do levantamento de custos e a aplicação do ABC,
a empresa estará viabilizada para obter uma visão sistêmica e integrada de
todos os processos e fluxos de recursos dentro da organização, proporcionando
condições para se avaliar o desempenho da empresa, bem como projetar seu
futuro.
Com
relação à Teoria das Restrições (TOC), este método procurou estabelecer
uma ligação mais estreita entre contabilidade e produção ao associar os
registros contábeis e decisões gerenciais aos “gargalos” existentes na
linha de fabricação e/ou no mercado. Nota-se que a TOC encara qualquer empresa
como um sistema, isto é, um conjunto de elementos entre os quais há alguma
relação de interdependência. Esta abordagem tenderá a expandir-se nos próximos
anos, haja vista a ausência de estudos empíricos e experimentos em algumas de
suas áreas de conhecimento.
A
consideração de uma meta para os custos é importante para a empresa, na etapa
de planejamento, e permite que se focalizem esforços gerenciais para a obtenção
dos custos-alvo, principalmente na etapa de projeto dos produtos. Para a fase de
produção, podem-se utilizar objetivos para cada atividade relevante. Os
japoneses compreenderam que as maiores reduções potenciais de custos
originam-se no estágio de projeto do produto, e não na fase da produção.
Assim, dedicam seus esforços de redução de custos, através do custo alvo,
principalmente nesta fase do ciclo de vida do produto, sendo esta a maneira
usada para operacionalizar as informações dirigidas à engenharia de projeto,
a fim de se reduzirem os custos nesta fase. Analisando-se algumas obras, concluímos
que basicamente se fornecem metas para a engenharia do valor, detalhando-se os
custos alvos para cada função, mas mesmo assim não está claro nos textos
estudados como quantificar tais custos.
É
indiscutível que algumas empresas têm obtido sucesso cada vez maior em seus
planos de desenvolvimento econômico, baseados em uma estrutura industrial de
alto nível, que busca continuamente a melhoria da qualidade. Simultaneamente,
elas procuram a redução de custos de produtos, através da eliminação de
desperdícios, ou seja, todas as formas de custos que não adicionam valor ao
produto, sob a ótica do consumidor.
Entretanto,
as empresas de “classe mundial” estão permanentemente perscrutando pelo
mundo afora os melhores (benchmarks)
processos e técnicas de manufatura, a fim de que possam competir constantemente
em todas as quatro dimensões competitivas: preço, qualidade, confiabilidade e
flexibilidade.
As
organizações, no entanto, sempre serão confrontadas com a pergunta “como
podemos ser mais eficazes?” As respostas são muitas, mas a questão da redução
dos custos ainda é essencial.
BERNARDO, Mauro Santo et al. O sistema de custo padrão e o ERP. In: VI Congresso Brasileiro de Custos. Anais... São Paulo, 1999.
BERLINER, Callie, BRIMSON, James A. Gerenciamento de custos em indústrias avançadas: base conceitual do CAM-I. Trad. de José Luiz Bassetto. São Paulo: T.A. Queiroz, Fundação Salim Farah Maluf, 1992.
BORNIA,
Antônio Cezar. Mensuração das perdas
dos processos produtivos: uma abordagem metodológica de controle interno. Santa
Catarina: UFSC, 1995, 125p. (Tese de Doutorado)
BRIMSON, James A. Contabilidade por atividades: uma abordagem de custeio baseado em atividades. Trad. de Antonio T.G. Carneiro. São Paulo: Atlas, 1996.
CARASTAN, Jacira Tudora. Custo meta e custo padrão como instrumentos do planejamento empresarial para obter vantagem competitiva. In: VI Congresso Brasileiro de Custos. Anais...USP, São Paulo, 1999.
CARPINTÉRO,
José Newton Cabral. As novas formas de organização empresarial e o processo
administrativo: a gestão estratégica de custos como elemento de integração.
In: Congresso Brasileiro de Gestão Estratégica
de Custos. Anais... UFC, Fortaleza: SEBRAE/CE, v.1, 1988, pp. 160-169.
COGAN, Samuel. Activity based costing (ABC): a poderosa estratégia empresarial. São Paulo: Pioneira, 1994.
COGAN,
Samuel. Custos e preço: formação e análise.
São Paulo: Pioneira, 1999.
COOPER,
Robin & KAPLAN, Robert S. Custo &
Desempenho: administre seus custos para ser mais competitivo. São Paulo:
Futura, 1998.
CORBETT NETO, Thomas. Contabilidade de ganhos: a nova contabilidade gerencial de acordo com a teoria das restrições. São Paulo: Nobel, 1997.
ESTRELA, George Q. et al. Identificação e mensuração das perdas internas do processo produtivo de uma indústria de curtume utilizando o método ABC. In: VI Congresso Brasileiro de Custos. Anais... São Paulo, 1999.
FREIRE, Fátima de Souza. Fundamentos da contabilidade de custos. João Pessoa: Curso de Mestrado em Ciências Contábeis da UFPB, 1999. (Apostila de Custos)
GOLDRATT,
E. M., COX, J.A meta. São Paulo: IMAM, 1988.
PEREZ
JUNIOR, José Hernandez; et al. Gestão
estratégica de custos. São Paulo: Atlas, 1999.
HSM MANAGEMENT. A gestão de custos na nova economia. HSM Management, ano 4, nº 19, pp. 53-86 – março-abril 200. Barueri/SP.
MARTINS, Eliseu. Contabilidade de custos. 6ª ed., São Paulo: Atlas, 1997.
MORGAN, M. Accounting for strategy. Management accounting (UK), p, 20-24, may 1993.
MORGAN,
Malcolm, WEERAKOON, Prasana S. H. Japanese management accounting: its
contribution to the japanese economic miracle. Management accounting (UK), p.
44-46,mar. 1990.
NAKAGAWA, Masayuki. ABC: Custeio baseado em atividades. São Paulo: Atlas, 1994.
NAKAGAWA,
Masayuki. Gestão estratégica de custos:
conceitos, sistemas e implementação. São Paulo: Atlas, 1991.
OSTRENGA, Michael et al. Guia da Ernst & Young para Gestão total dos custos. Rio de Janeiro: Record, 1993.
PAIVA, Edmar Vidigal. Gestão de custos. In: VI Congresso Brasileiro de Custos. FEA – USP/São Paulo, Anais 1999.
ROCHA,
Welington, MARTINS, E. A. Custeio-Alvo
(target costing). Revista Brasileira
de Custos, v. 1, nº 1, pp. 83-94 - maio/agosto 1999. São Leopoldo/RS.
SAKURAI, Michiharu. Gerenciamento integrado de custos. São Paulo: Atlas, 1997.
SEVERIANO
FILHO, Cosmo. Produtividade &
manufatura avançada. João Pessoa: Edições PPGEP, 1999.
SOUZA,
Alceu e CLEMENTE, Ademir. Contextos, paradigmas e sistemas de custeio.
In: Congresso
Brasileiro de Gestão Estratégica de Custos. Anais... UFC, Fortaleza:
SEBRAE/CE, v.1, 1988, pp. 141-156.
Copyright © 1998, CueroAmerica ®. Todos los derechos reservados.