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A COMPETITIVIDADE DA INDÚSTRIA BRASILEIRA DE ADESIVOS INDUSTRIAIS PARA CALÇADOS: UMA ABORDAGEM A PARTIR DO MODELO DE PORTER
George
Queiroga Estrela
Francisco
Antônio Cavalcanti da Silva
Givanildo
A. Freire
Programa
de Pós-Graduação em Engenharia de Produção/UFPB. Cx. Postal 5045,
Cidade Universitária,
Campus
I, CEP: 58.015 - 970, Telefax: (083) 216-7549 E.mail: georgeestrela@uol.com.br
This
study has the objective of making an structure evaluation of the
industrial stickers industry for footwears, in a national ambit, from
the Porter model. Based on this
author, five forces determine the behaviour and the profit of the firms.
In this view each competitive force described in the model is analysed
trying to identify its contribuitions for the definition of today’s
sector structure. The final conclusions may be of great use to the
companies in search for a strategical placement.
Key
Words: competitive
forces; industry of stickers for footwears; competitiveness.
1
- INTRODUÇÃO
O
fenômeno da globalização a que as empresas estão submetidas impõe
às organizações uma nova postura administrativa, econômico-financeira
e mercadológica. Cria-se, assim, um novo ambiente competitivo, onde a
busca pela melhoria da qualidade e da produtividade é o caminho para se
conseguir manter a fatia de mercado já conquistada e, principalmente,
para expandir a participação da empresa no mercado. É nesse contexto
que se difundem as novas tecnologias e técnicas de gestão da produção.
O papel da estratégia competitiva é, então, maximizado e valorizado,
pois é através dela que a empresa conquistará uma posição
competitiva e sustentável na indústria.
Todavia,
na elaboração de estratégias de sucesso para uma empresa, é
imprescindível entender a estrutura da indústria, através da análise
das cinco forças competitivas de Porter, que são: ameaça de novos
entrantes, poder dos fornecedores, poder dos compradores, ameaça de
produto substituto e rivalidade entre os concorrentes. Portanto, o
sucesso competitivo passa a depender da criação e da renovação das
vantagens competitivas por parte das empresas na busca de peculiaridades
que a distingam favoravelmente das demais, como, por exemplo, custos
e/ou preços mais baixos, melhor qualidade, maior habilidade de servir a
clientela etc.
Seguindo
esse princípio, o presente estudo tem por objetivo analisar o
comportamento da indústria de adesivos (colas) para calçados, em função
do ambiente de concorrência determinado pelas forças competitivas básicas
da estrutura industrial.
Atualmente, as grandes empresas estão situadas nos Estados de São Paulo e Rio Grande do Sul, com filiais na região Nordeste. A importância dessa indústria para a economia brasileira é atestada pela presença das seguintes empresas: Quimicam, Artecola, Killing, Una, Brascola e FCC Fornecedora, segundo dados publicados no Guia da Indústria Química Brasileira (1998/99).
Convém
ressaltar que a importância dessa indústria na economia brasileira
justifica a busca do entendimento do padrão de concorrência e da
estrutura competitiva do setor, procurando caracterizar as forças
competitivas que atuam sobre as empresas significativas do setor.
O
presente trabalho procura fazer uma avaliação da indústria de
adesivos industriais para calçados, tendo como principal objetivo o
conhecimento da sua estrutura competitiva. Para tanto cumpriu as
seguintes etapas: a) aplicação de um questionário junto à ASSINTECAL
(Associação Brasileira das Indústrias de Componentes para Couro e Calçados)
para coletar informações a respeito da indústria; b) realização de
entrevistas em empresas que desempenham um papel fundamental na indústria
de adesivos, ocupando posições de liderança; c) realização de
pesquisa bibliográfica.
Dentro dessa perspectiva, o trabalho baseou-se no método analítico-descritivo e na utilização do modelo proposto por Porter, que adota como parâmetro de análise as cinco forças competitivas. Com base nos dados coletados, procurou-se identificar as tendências competitivas na indústria de adesivos para calçados no contexto nacional, a partir do modelo mencionado.
O
modelo de Porter envolve a interação de cinco forças competitivas, a
saber: poder de negociação dos fornecedores; poder de negociação dos
compradores (clientes); ameaça de produtos substitutos; ameaça de
entrada de novos participantes e competição entre as empresas da indústria
(ver Figura 1).

Fonte: Adaptado do modelo de Porter.
A
ação exercida pelas forças competitivas mencionadas determina a
lucratividade da indústria, pois elas influenciam preço, custo e
investimentos, fatores básicos para a rentabilidade. O poder de
barganha do comprador e a ameaça de produtos substitutos exercem
considerável influência sobre os preços que a indústria pode cobrar
de seus compradores. O poder de negociação dos compradores pode também
influenciar os custos e os investimentos, porque esses clientes exigem
serviços onerosos. O poder de barganha dos fornecedores determina os
custos das matérias-primas e de outros insumos. A intensidade da
concorrência influencia os preços, como também os custos para
competir no desenvolvimento de produtos, propaganda e vendas.
O vigor de cada uma das cinco forças competitivas ocorre em função da estrutura industrial, ou seja, das características econômicas e técnicas peculiares à estrutura da empresa. A importância dos fatores que definem a estrutura de uma indústria, como também a intensidade relativa das forças competitivas, variam de indústria para indústria, podendo modificar-se à medida que uma indústria evolui. As características que dão origem às forças competitivas são:
a)
O poder dos fornecedores dá-se em função dos seguintes fatores:
·
grau de concentração (poucos fornecedores);
·
setor comprador pouco ou nada importante;
·
inexistência de substitutos para seu produto;
·
importância do seu produto como componente do produto da indústria
compradora;
·
porte das empresas;
·
ameaça de integração para frente.
b)
O poder dos compradores dá-se em função dos seguintes fatores:
·
grau de concentração (poucos clientes) em comparação com a
indústria ofertante;
·
porte das empresas;
·
alta participação do produto adquirido nos custos totais;
·
disponibilidade de informações sobre mercado, preço e custo de
fornecedores da indústria;
·
padronização ou não-diferenciação dos produtos adquiridos;
·
lucratividade de suas operações;
·
ameaça de integração para trás.
c)
A ameaça de produtos substitutos é significativa nas seguintes hipóteses:
·
a evolução tecnológica possibilita reduções de preço e
melhoria de desempenho;
·
as margens elevadas desses produtos possibilitam reduções de
preço.
d)
A ameaça de novos entrantes em uma indústria depende das barreiras à
entrada.
A intensidade desses barreiras está relacionada
com os seguintes aspectos:
·
economias de escala;
·
desvantagens de custo, independentemente do porte da empresa;
·
diferenciação de produto;
·
exigências de capital;
·
política governamental;
·
acesso à estrutura de distribuição.
e)
A rivalidade entre os concorrentes depende dos seguintes pressupostos:
·
concorrentes numerosos e bem equilibrados;
·
crescimento lento da indústria;
·
custos fixos altos ou perecibilidade do produto;
·
ausência de diferenciação ou custos de mudança;
·
aumento de capacidade em grandes saltos;
·
diversidades de estratégias, de origens e de personalidades
apresentadas pelos rivais;
·
barreiras de saídas elevadas.
Com
base nas cinco forças competitivas apresentadas, a empresa possui condições
de avaliar os seus pontos fortes e fracos mais evidentes, de forma a
posicionar-se adequadamente na indústria, defendendo-se contra essas
forças ou influenciando-as em seu favor.
Essa
análise possibilita o desenvolvimento de um plano de ação que irá
determinar o comportamento da empresa no ambiente competitivo, através
de três posturas não excludentes: a) a empresa pode buscar o
posicionamento, defendendo-se contra as forças competitivas ou
descobrindo posições onde as forças são mais fracas; b) a empresa
pode ser mais ofensiva, alterando as causas das forças competitivas,
influenciando o equilíbrio destas; c) a empresa pode antecipar as mudanças
nos fatores subjacentes às forças e, também, sua reação a essas
alterações, antes mesmo do reconhecimento dos concorrentes.
O
entendimento da estrutura industrial amplia a capacidade competitiva da
empresa, pois faz reconhecer que a competição se dá também com
clientes e fornecedores pelo poder de negociação, atentando-se para a
entrada de novos competidores e produtos substitutos na indústria.
As
empresas produtoras de adesivos industriais caracterizam-se por
participarem do setor dinâmico, no âmbito da economia nacional, tendo
em vista o nível tecnológico empregado na produção e no
desenvolvimento de produtos e a extrema necessidade de investimentos em
P&D (pesquisa e desenvolvimento). O setor dinâmico tem a importante
função de transmitir progresso técnico para as demais atividades econômicas,
através do fornecimento de equipamentos ou insumos estratégicos de
superior conteúdo tecnológico, elevando, portanto, os níveis de eficiência
e produtividade da indústria em geral.
A
competição se dá através da concorrência direta entre poucas
empresas, já que os produtos têm aplicações muito específicas. Por
outro lado, o fator crítico de sucesso que determina o padrão de
concorrência desse setor é a capacidade de inovar em produtos, medida
que intensifica a necessidade de elevados investimentos em P&D. Uma
forma eficiente de atender a essa necessidade de P&D intensiva é a
associação para realização de pesquisas, através de alianças
tecnológicas, fortemente apoiadas pelas políticas tecnológicas, em
particular, nos países europeus. O setor dinâmico recebe especial atenção
dos países desenvolvidos, e também é apoiado pelas políticas
industriais nacionais.
As
empresas de adesivos estão permanentemente atentas às tendências
tecnológicas e de produtos. Para acompanhar essas tendências,
apoiam-se em parcerias com grandes empresas internacionais. Sua produção
é destinada à composição de produtos para os seguintes setores: calçados,
automobilístico, da construção civil, moveleiro e outros. Entretanto,
a indústria de calçados constitui o principal mercado consumidor da
produção dessas empresas.
As
empresas produtoras de adesivos estão distribuídas por todo o país,
em sua maior parte em unidades estratégicas de negócios, de acordo com
os nichos de mercado existentes, de forma a facilitar o acesso aos
clientes, melhor distribuição e assistência técnica. Na maioria dos
casos, o fator determinante para a escolha da região onde serão
instaladas tais empresas é a localização das empresas da indústria
calçadista, tendo em vista a representatividade da produção de
adesivos destinada a esse mercado.
As
principais empresas da indústria de adesivos, no que concerne à
participação no mercado, são: Quimicam,
Brascola, Artecola, Killing, Una e
FCC Fornecedora. A seguir, são apresentados seus históricos e
tabelas com os respectivos indicadores econômico-financeiros, produtos,
matérias-primas utilizadas, principais aplicações e capacidade
instalada.
5.1
– FCC Fornecedora
Essa
empresa iniciou suas operações em março de 1969 e está instalada em
23.000 m2 de área construída no município de Campo Bom
(RS). A região é conhecida como um dos maiores centros industriais do
Rio Grande do Sul, principalmente na indústria calçadista.
|
|
1995 |
1996 |
1997 |
|
Patrimônio
líquido no dia 31/12 (em US$ 1.000) |
16.275 |
17.950 |
17.158 |
|
Faturamento
líquido aproximado (em US$ 1.000) |
42.573 |
51.557 |
57.077 |
|
Número
de empregados no dia 31/12 |
573 |
685 |
630 |
Fonte: Guia da Indústria Química (1998/99).
|
Produtos |
Principais
|
Principais
|
Capacidade
ins- |
|
|
Matérias-primas |
Aplicações |
talada
(em t/ano) |
|
Borrachas
e |
Borrachas,
plastificantes |
Calçados |
640
(m) |
|
Compostos |
|
|
|
|
|
Copolímeros
de |
Automobilístico, |
|
|
Colas
e |
etileno
e acetato |
calçados,
const. |
6.000
(m) |
|
Adesivos |
de
vinila, neoprene, |
civil,
moveleiro |
|
|
|
Resinas
fenólicas |
|
|
|
|
Disocianato
defenil- |
colas
e adesivos, |
|
|
Poliuretano |
Metano,
polióis |
peças
técnicas, |
600
(m) |
|
|
|
tintas
e vernizes |
|
Fonte:
Guia
da Indústria Química (1998/99).
A
Quimicam Produtos Químicos Ltda é integrante do Grupo Amazonas. Está
situada em Franca (SP), com filial em João Pessoa (Pb) e depósito em
Novo Hamburgo (RS), tendo iniciado suas operações em 1951. É
fabricante dos adesivos amazonas e também desenvolve produtos especiais
direcionados para as indústrias moveleira, automobilística e da
construção civil. Já está atingindo novos mercados como: embalagens,
cartonagens, gráficas e aviação. Mantém contrato de tecnologia com a
empresa alemã Forbo Helmitin,
uma das mais importantes fabricantes de adesivos e solventes do mundo.
Esse vínculo contribuirá para o desenvolvimento de novos produtos,
principalmente para as linhas "hot
melt" e base-água.
O
Guia da Indústria Química Brasileira de 1998/99 não apresenta os
indicadores econômico-financeiros da Quimicam, trazendo, apenas,
informações relativas aos produtos da empresa, conforme quadro abaixo.
PRODUTOS
|
Produtos |
Principais
|
Principais
|
Capacidade
ins- |
|
|
Matérias-primas |
Aplicações |
talada
(em t/ano) |
|
Borrachas
e |
Borrachas,
dióxido |
|
|
|
Compostos |
DT
silício, plastifi- |
Calçados |
712
(m) |
|
|
cantes,
resinas |
|
|
|
|
Copolímeros
de |
Automobilístico, |
|
|
Colas
e |
etileno
e acetato |
calçados,
const. |
7.833
(m) |
|
Adesivos |
de
vinila, neoprene, |
civil,
moveleiro |
|
|
|
Resinas
fenólicas |
|
|
Fonte:
Guia
da Indústria Química (1998/99).
A
Artecola iniciou suas operações em 1948. Possui unidades fabris
localizadas nos Estados do Rio Grande do Sul, São Paulo e Paraíba,
contando com uma rede de representantes espalhada por todo o continente.
Mantém acordos e parcerias internacionais com empresas líderes de
mercado e tecnologia (é o caso das empresas alemãs Rhenoflex,
líder mundial absoluta na produção de contrafortes, e Jowat, que detém a primeira posição em adesivos sólidos).
|
|
1995 |
1996 |
1997 |
|
Patrimônio
líquido no dia 31/12 (em US$ 1.000) |
9.264 |
7.791 |
7.924 |
|
Faturamento
líquido aproximado (em US$ 1.000) |
25.964 |
30.956 |
31.518 |
|
Número
de empregados no dia 31/12 |
287 |
268 |
234 |
Fonte: Guia
da Indústria Química (1998/99).
|
Produtos |
Principais
|
Principais
|
Capacidade
ins- |
|
|
Matérias-primas |
Aplicações |
talada
(em t/ano) |
|
Colas
e |
Acetato
de polivini- |
Automobilístico, |
|
|
Adesivos |
la
e vinila, copolíme |
calçados,
const. |
640
(m) |
|
|
ro
etileno, neoprene |
civil,
moveleiro |
|
Fonte:
Guia
da Indústria Química (1998/99).
A
empresa iniciou suas operações em 1962 com o lançamento de produtos
voltados para o setor coureiro-calçadista. Dava assim início a um
processo de diversificação de mercados, que teve prosseguimento quando
a indústria passou a produzir adesivos, tíneres e solventes. Hoje a
Killing atende a quatro diferentes mercados: predial, indústrias
metal-mecânicas, moveleira e coureiro-calçadista. A matriz está
situada em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, com uma nova unidade em
Pacatuba, no Ceará.
|
|
1995 |
1996 |
1997 |
|
Patrimônio
líquido no dia 31/12 (em US$ 1.000) |
9.895 |
7.058 |
6.596 |
|
Faturamento
líquido aproximado (em US$ 1.000) |
46.598 |
51.664 |
55.781 |
|
Número
de empregados no dia 31/12 |
344 |
310 |
317 |
Fonte: Guia
da Indústria Química (1998/99).
|
Produtos |
Principais
|
Principais
|
Capacidade
ins- |
|
|
Matérias-primas |
Aplicações |
talada
(em t/ano) |
|
Colas
e |
Neoprene |
calçados,
const. |
20.000 |
|
Adesivos |
|
civil,
moveleiro |
|
|
Tintas
e |
- |
- |
20.000 |
|
Vernizes |
|
|
|
Fonte:
Guia
da Indústria Química (1998/99).
A
empresa iniciou suas operações em 1953 e está instalada no município
de São Bernardo do Campo (SP). Mantém associação com a empresa alemã
Kömmerling Adhesives.
|
|
1995 |
1996 |
1997 |
|
Patrimônio
líquido no dia 31/12 (em US$ 1.000) |
6.283 |
7.964 |
10.243 |
|
Faturamento
líquido aproximado (em US$ 1.000) |
27.118 |
24.089 |
22.833 |
|
Número
de empregados no dia 31/12 |
233 |
241 |
235 |
Fonte: Guia
da Indústria Química (1998/99).
|
Produtos |
Principais
|
Principais
|
Capacidade
ins- |
|
|
Matérias-primas |
Aplicações |
talada
(em t/ano) |
|
Colas
e |
|
automobilístico, |
|
|
Adesivos |
Neoprene |
calçados,
const. civil, |
640
(m) |
|
|
|
Moveleiro |
|
Fonte:
Guia
da Indústria Química (1998/99).
5.6
– UNA Química
A
empresa iniciou suas operações em 1946 e está situada em São Paulo
(SP).
|
|
1995 |
1996 |
1997 |
|
Patrimônio
líquido no dia 31/12 (em US$ 1.000) |
2.178 |
2.337 |
2.342 |
|
Faturamento
líquido aproximado (em US$ 1.000) |
5.800 |
5.873 |
5.721 |
|
Número
de empregados no dia 31/12 |
71 |
72 |
71 |
Fonte: Guia
da Indústria Química (1998/99).
PRODUTOS
|
Produtos |
Principais
|
Principais
|
Capacidade
ins- |
|
|
Matérias-primas |
Aplicações |
talada
(em t/ano) |
|
Colas
e |
Neoprene,
poliure- |
Automobilístico, |
|
|
Adesivos |
Tano |
calçados,
const. civil, |
7.200
(m) |
|
|
|
Moveleiro |
|
Fonte:
Guia
da Indústria Química (1998/99).
A partir da análise dos indicadores econômico-financeiros, verifica-se a importância dessas empresas para a economia nacional. Em vista disso, será apresentado um estudo sobre a estrutura competitiva desse setor.
Para
uma melhor compreensão da atual situação competitiva na indústria de
adesivos, descrever-se-á a seguir como se desenvolve o comportamento
das forças competitivas, através das características técnicas e econômicas
mais determinantes do setor. De acordo com Porter (1999), as empresas
devem desenvolver ações para alcançar condições competitivas,
objetivando enfrentar essas forças e também conquistar vantagens no
mercado.
Segundo
Porter (1999), os novos entrantes em uma indústria podem trazer
recursos substanciais à capacidade de produção, além de um grande
desejo de ganhar parcela do mercado. O resultado pode ser uma queda nos
preços ou nos custos, e como conseqüência uma redução da
rentabilidade. Assim, a intensidade da força representada pela ameaça
de novos entrantes depende das barreiras de entrada criadas ou
estabelecidas pelas empresas existentes. No que se refere à indústria
de adesivos esta ameaça não tem sido muito relevante, e em função
das fortes barreiras de entrada, da reação potencial dos concorrentes
existentes e do crescimento do setor.
Uma
das entradas mais significativas corresponde às
exigências de capital para o empreendimento e investimento em
tecnologia, com vistas ao desenvolvimento e produção das diversas
linhas de adesivos. Isso ocorre porque o setor exige intensa
conformidade técnica e capacidade de inovação de produtos, além da
necessidade de despesas com serviços de assistência técnica aos
clientes, em função das especificidades dos produtos. No tocante a
esse aspecto, é importante ressaltar que esta tecnologia pertence a
grandes empresas internacionais, uma vez que já estão patenteadas nos
bancos oficiais de patentes. Uma empresa que almeje entrar nesse mercado
terá dificuldades de licenciamento para produzir e, neste caso, terá
que desenvolver tecnologia própria ou buscar produtos alternativos, o
que requer altos investimentos em P&D.
Outro
aspecto a ser ressaltado diz respeito à identificação dos compradores
com as marcas existentes, fazendo com que o entrante desenvolva um árduo
trabalho de conquista desse mercado, que não apresenta tendência de
crescimento. Esta identificação é gerada pela capacidade que tem a
empresa de responder às necessidades de inovação impostas pelo
mercado de calçados e pelo nível de assistência técnica concedida,
criando assim uma espécie de diferenciação tanto em nível do produto
como em nível dos serviços prestados. Estes fatores impõem aos novos
concorrentes elevados investimentos financeiros em instalações de
produção, em equipamentos modernos e em pesquisa e desenvolvimento de
novos produtos.
Segundo
informações coletadas nas empresas, cerca de 70% da matéria-prima é
importada, não havendo produto similar fornecido pelo mercado interno.
O setor é dominado por poucas empresas, situação que caracteriza um
alto grau de concentração, elevando conseqüentemente o seu poder de
negociação.
Além
disso, como a indústria de adesivos também tem uma característica de
concentração, com poucas empresas liderando o mercado nacional, as
empresas brasileiras que o compõem têm uma certa importância para os
fornecedores. Isso os leva a desenvolver acordos e parcerias tanto para
o fornecimento de matérias-primas quanto para o desenvolvimento de
novos produtos e novas tecnologias. Apesar dessa importância relativa,
não foi observado, com base nas entrevistas efetuadas, que essas
empresas tenham um poder de barganha elevado em relação aos seus
fornecedores. Até porque estes fazem parte de poderosos grupos
internacionais, detentores da tecnologia utilizada na produção dos
adesivos e atuantes no mercado mundial.
Desta
forma, os acordos e as parcerias com os fornecedores são de crucial
importância para a competitividade das empresas de adesivos, dada a
extrema necessidade de lançamento de novos produtos e a utilização de
tecnologias adequadas à sua produção. Fornecedores muito poderosos
reduzem a rentabilidade da indústria compradora e, neste caso, uma das
alternativas para a libertação dos compradores desse poder é o
desenvolvimento de tecnologias de produção próprias.
Segundo Porter (1999), os compradores ou clientes competem com a indústria ao barganhar por menores preços, por melhor qualidade ou mais serviços em relação aos produtos que estão adquirindo e assim influenciar nos resultados econômicos ou na rentabilidade da indústria.
As
empresas de adesivos comercializam diretamente com as empresas da indústria
calçadista, sejam grandes, médias, pequenas ou microempresas. Elas
desenvolvem, junto à clientela, um trabalho que visa a auxiliá-las com
suporte técnico dentro de sua fábrica, realizando cursos e, até
mesmo, auditorias no processo produtivo. Através desse serviço,
asseguram-se da correta utilização dos adesivos na confecção dos calçados,
desenvolvem um diferencial que lhes atribui uma espécie de custo de
mudança, bem como asseguram a imagem do produto e a fidelidade da
marca. Algumas empresas prestam esses serviços mesmo quando se trata de
clientes que compram em pequenas quantidades, visando à conquista de
pequenos segmentos que poderão tornar-se grandes, no futuro.
Os
compradores não dispõem de um alto poder para influenciar a
rentabilidade da indústria em questão, em função de apresentarem-se
pouco concentrados. Acrescente-se ainda o fato de que o adesivo é
extremamente importante para a qualidade dos calçados, embora tenha
representatividade mínima em termos de custos, relativamente ao custo
total do produto.
Os substitutos afetam a demanda de um ou mais produtos de uma indústria, seja pelo preço favorável, seja pela qualidade, uma vez que esses dois atributos melhoram as condições de satisfação das necessidades do comprador.
No
caso da indústria calçadista, existe a possibilidade de utilização
de solados injetáveis de PU (poliuretano) e PVC (cloreto de
polivinila), prescindindo do adesivo na produção de calçados.
Todavia, não é pertinente tratar os solados injetáveis como
substitutos dos adesivos e sim dos calçados que os utilizam na sua
produção. Por outro lado, os processos injetáveis requerem altos
investimentos em equipamentos, que não são dotados de flexibilidade
para atender às necessidades de diversificação imposta pelo mercado
calçadista. Estão, portanto, mais direcionados ao setor de calçados
de segurança e esportivos, por atenderem às normas de segurança
impostas pela ABNT e NR.
Desta
forma, os solados injetáveis não constituem ameaça de substituição
aos calçados que utilizam os adesivos, por não serem uma alternativa
atrativa em termos de preço. Isso ocorre devido aos altos investimentos
necessários e também em termos de desempenho, por serem dificilmente
aplicáveis a todos os tipos de calçados existentes.
De
acordo com o autor em referência, a concorrência entre as empresas de
uma indústria é definida pela disputa por posição em um mesmo
mercado. A rivalidade existente entre as empresas pode ser caracterizada
pelo uso de táticas como: concorrência de preços, campanha de
publicidade, prestação de algum tipo de serviço a clientes e introdução
de novos produtos. A intensidade da concorrência na indústria e a
rivalidade existente entre as empresas podem ser verificadas pelo número
de concorrentes existentes e pelo equilíbrio entre eles. A indústria
de adesivos é dominada por poucas empresas, com a coexistência de
inexpressivo número de pequenas e médias empresas.
Os
principais concorrentes se encontram em condições semelhantes com relação
a tamanho e recursos. A capacidade de inovação e os serviços de
assistência técnica são os principais fatores determinantes da
concorrência na indústria de adesivos. Diante disso, as empresas
precisam de significativo investimento em P&D e de parcerias com
empresas internacionais intensivas em pesquisa e detentoras de novas
tecnologias.
Atualmente,
as principais tendências de mudanças dos produtos estão relacionadas
à redução de componentes tóxicos presentes nos adesivos, decorrentes
das exigências ambientais e da saúde do operário, estando diretamente
vinculadas às normas vigentes no mercado de exportação. Esse contexto
tem pressionado as empresas a utilizarem uma nova linha de produtos com
redução ou eliminação de substâncias tóxicas, desenvolvendo
adesivos à base de água ou sólidos, denominados de hot-melt
(adesivo 100% sólido, com quase nenhuma toxidade), que tendem a crescer
em detrimento daqueles produtos tradicionais à base de solvente
(acetona e tolueno).
É importante destacar que a diferenciação de produto teve suas possibilidades ampliadas com a absorção de novas tecnologias em termos de equipamentos, interligando as etapas do processo produtivo, traduzindo-se numa ampliação da linha de produtos. Esse fato determinou que a entrada de novas empresas ficasse restrita aos segmentos de mercado de produtos mais simples.
A rivalidade entre os concorrentes é intensa, e embora as diversas empresas tenham seu espaço conquistado no mercado, a fidelidade não é um atributo plenamente confiável, fazendo com que tais empresas estejam constantemente inovando, aprimorando os produtos e o atendimento a seus clientes.
7
– CONCLUSÕES
A
investigação realizada neste trabalho procurou demonstrar aspectos
pertinentes à competitividade da indústria brasileira de adesivos para
calçados, tendo como referencial o comportamento das empresas líderes
(Quimicam, Artecola, Killing, Una, Brascola e FCC Fornecedora).
Nessa
análise, percebeu-se que as forças que atuam com maior intensidade
nessa indústria são: poder de negociação dos fornecedores e
rivalidade entre os concorrentes. A ameaça de novos entrantes, o poder
de negociação dos compradores e a ameaça de produtos substitutos são
forças que apresentam pouca relevância na competição existente no
setor.
No
que diz respeito à ameaça de novos entrantes, observa-se um certo
bloqueio, devido às exigências de capital elevado para competir nesse
mercado. Essas exigências envolvem a necessidade de inovação de
produtos e o conseqüente investimento em P&D, bem como assistência
técnica destinada aos compradores, essencial à adequada utilização
do adesivo no processo de produção do calçado. Com isto, as empresas
diferenciam-se umas das outras, através de produtos inovadores e da
prestação de serviços aos seus clientes.
Os
compradores, no caso, as empresas calçadistas, não apresentam alto
poder de negociação, devido a sua desconcentração e à
imprescindibilidade do adesivo para a produção do calçado. No caso de
produtos substitutos, os processos injetáveis utilizados na produção
do calçado não constituem uma ameaça aos adesivos, devido ao fato de
demandarem altos investimentos em equipamentos e não atenderem às exigências
de variedade do mercado, sendo mais aplicáveis aos calçados de segurança
e esportivos.
A
rivalidade entre os concorrentes foi considerada como de relevância
significativa, por ser bastante intensa, tendo em vista que existem
poucas empresas dominando o mercado nacional, equiparadas em porte e
recursos. Assim, a competição se dá através da capacidade inovadora
de cada empresa, da adoção de modernas tecnologias de produção e dos
serviços de assistência técnica prestada à sua clientela. O
atendimento ao cliente é um fator que tem determinado a instalação de
unidades de produção em regiões onde existem nichos de mercado. Nesse
sentido, observa-se o deslocamento dessas empresas para a região
Nordeste, que desponta com importante posição no que diz respeito ao
setor calçadista.
Os
fornecedores destacam-se como a força mais relevante na estrutura
competitiva, observando-se que seu poder de negociação encontra-se em
grau elevado. Isso ocorre por se tratar de um setor concentrado e
dominado por grandes empresas internacionais que investem intensamente
em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos. Assim, as empresas
nacionais de adesivos são dependentes de importações da maioria das
matérias-primas, que não são fornecidas pelo mercado interno. Diante
desse fato, a indústria de adesivos tem desenvolvido parcerias para a
aquisição de matéria-prima e desenvolvimento de novos tipos de
adesivos com reduzido teor de substâncias tóxicas, acompanhando assim
a tendência mundial nesse aspecto.
A
dependência tecnológica brasileira nesse setor é um dos grandes óbices
à diminuição do poder de barganha dos fornecedores. Uma das saídas
reside no estabelecimento de uma capacidade local inovativa e no
desenvolvimento de tecnologia nacional. Esta dificuldade está
relacionada também com a desvinculação dos setores de pesquisa dos
desafios dos segmentos produtivos.
Com
base na abordagem apresentada no presente trabalho, conclui-se que a indústria
está sujeita a uma intensa competição, exigindo redobrada atenção
das empresas, a fim de que consigam manter os níveis de rentabilidade
alcançados. Os fatores que favoreceriam a elevação da rentabilidade
de uma empresa estão condicionados a esforços de pesquisa e
desenvolvimento que reduzam o grau de dependência de licenciamentos
externos e fornecimentos de matérias-primas.
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