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A COMPETITIVIDADE DA INDÚSTRIA BRASILEIRA DE ADESIVOS INDUSTRIAIS PARA CALÇADOS: UMA ABORDAGEM A PARTIR DO MODELO DE PORTER
George
Queiroga Estrela
Francisco
Antônio Cavalcanti da Silva
Givanildo
A. Freire
Programa
de Pós-Graduação em Engenharia de Produção/UFPB. Cx. Postal 5045,
Cidade Universitária,
Campus
I, CEP: 58.015 - 970, Telefax: (083) 216-7549 E.mail: georgeestrela@uol.com.br
This
study has the objective of making an structure evaluation of the
industrial stickers industry for footwears, in a national ambit, from
the Porter model. Based on this
author, five forces determine the behaviour and the profit of the firms.
In this view each competitive force described in the model is analysed
trying to identify its contribuitions for the definition of today’s
sector structure. The final conclusions may be of great use to the
companies in search for a strategical placement.
Key
Words: competitive
forces; industry of stickers for footwears; competitiveness.
1
- INTRODUÇÃO
O
fenômeno da globalização a que as empresas estão submetidas impõe
às organizações uma nova postura administrativa, econômico-financeira
e mercadológica. Cria-se, assim, um novo ambiente competitivo, onde a
busca pela melhoria da qualidade e da produtividade é o caminho para se
conseguir manter a fatia de mercado já conquistada e, principalmente,
para expandir a participação da empresa no mercado. É nesse contexto
que se difundem as novas tecnologias e técnicas de gestão da produção.
O papel da estratégia competitiva é, então, maximizado e valorizado,
pois é através dela que a empresa conquistará uma posição
competitiva e sustentável na indústria.
Todavia,
na elaboração de estratégias de sucesso para uma empresa, é
imprescindível entender a estrutura da indústria, através da análise
das cinco forças competitivas de Porter, que são: ameaça de novos
entrantes, poder dos fornecedores, poder dos compradores, ameaça de
produto substituto e rivalidade entre os concorrentes. Portanto, o
sucesso competitivo passa a depender da criação e da renovação das
vantagens competitivas por parte das empresas na busca de peculiaridades
que a distingam favoravelmente das demais, como, por exemplo, custos
e/ou preços mais baixos, melhor qualidade, maior habilidade de servir a
clientela etc.
Seguindo
esse princípio, o presente estudo tem por objetivo analisar o
comportamento da indústria de adesivos (colas) para calçados, em função
do ambiente de concorrência determinado pelas forças competitivas básicas
da estrutura industrial.
Atualmente, as grandes empresas estão situadas nos Estados de São Paulo e Rio Grande do Sul, com filiais na região Nordeste. A importância dessa indústria para a economia brasileira é atestada pela presença das seguintes empresas: Quimicam, Artecola, Killing, Una, Brascola e FCC Fornecedora, segundo dados publicados no Guia da Indústria Química Brasileira (1998/99).
Convém
ressaltar que a importância dessa indústria na economia brasileira
justifica a busca do entendimento do padrão de concorrência e da
estrutura competitiva do setor, procurando caracterizar as forças
competitivas que atuam sobre as empresas significativas do setor.
O
presente trabalho procura fazer uma avaliação da indústria de
adesivos industriais para calçados, tendo como principal objetivo o
conhecimento da sua estrutura competitiva. Para tanto cumpriu as
seguintes etapas: a) aplicação de um questionário junto à ASSINTECAL
(Associação Brasileira das Indústrias de Componentes para Couro e Calçados)
para coletar informações a respeito da indústria; b) realização de
entrevistas em empresas que desempenham um papel fundamental na indústria
de adesivos, ocupando posições de liderança; c) realização de
pesquisa bibliográfica.
Dentro dessa perspectiva, o trabalho baseou-se no método analítico-descritivo e na utilização do modelo proposto por Porter, que adota como parâmetro de análise as cinco forças competitivas. Com base nos dados coletados, procurou-se identificar as tendências competitivas na indústria de adesivos para calçados no contexto nacional, a partir do modelo mencionado.
O
modelo de Porter envolve a interação de cinco forças competitivas, a
saber: poder de negociação dos fornecedores; poder de negociação dos
compradores (clientes); ameaça de produtos substitutos; ameaça de
entrada de novos participantes e competição entre as empresas da indústria
(ver Figura 1).

Fonte: Adaptado do modelo de Porter.
A
ação exercida pelas forças competitivas mencionadas determina a
lucratividade da indústria, pois elas influenciam preço, custo e
investimentos, fatores básicos para a rentabilidade. O poder de
barganha do comprador e a ameaça de produtos substitutos exercem
considerável influência sobre os preços que a indústria pode cobrar
de seus compradores. O poder de negociação dos compradores pode também
influenciar os custos e os investimentos, porque esses clientes exigem
serviços onerosos. O poder de barganha dos fornecedores determina os
custos das matérias-primas e de outros insumos. A intensidade da
concorrência influencia os preços, como também os custos para
competir no desenvolvimento de produtos, propaganda e vendas.
O vigor de cada uma das cinco forças competitivas ocorre em função da estrutura industrial, ou seja, das características econômicas e técnicas peculiares à estrutura da empresa. A importância dos fatores que definem a estrutura de uma indústria, como também a intensidade relativa das forças competitivas, variam de indústria para indústria, podendo modificar-se à medida que uma indústria evolui. As características que dão origem às forças competitivas são:
a)
O poder dos fornecedores dá-se em função dos seguintes fatores:
·
grau de concentração (poucos fornecedores);
·
setor comprador pouco ou nada importante;
·
inexistência de substitutos para seu produto;
·
importância do seu produto como componente do produto da indústria
compradora;
·
porte das empresas;
·
ameaça de integração para frente.
b)
O poder dos compradores dá-se em função dos seguintes fatores:
·
grau de concentração (poucos clientes) em comparação com a
indústria ofertante;
·
porte das empresas;
·
alta participação do produto adquirido nos custos totais;
·
disponibilidade de informações sobre mercado, preço e custo de
fornecedores da indústria;
·
padronização ou não-diferenciação dos produtos adquiridos;
·
lucratividade de suas operações;
·
ameaça de integração para trás.
c)
A ameaça de produtos substitutos é significativa nas seguintes hipóteses:
·
a evolução tecnológica possibilita reduções de preço e
melhoria de desempenho;
·
as margens elevadas desses produtos possibilitam reduções de
preço.
d)
A ameaça de novos entrantes em uma indústria depende das barreiras à
entrada.
A intensidade desses barreiras está relacionada
com os seguintes aspectos:
·
economias de escala;
·
desvantagens de custo, independentemente do porte da empresa;
·
diferenciação de produto;
·
exigências de capital;
·
política governamental;
·
acesso à estrutura de distribuição.
e)
A rivalidade entre os concorrentes depende dos seguintes pressupostos:
·
concorrentes numerosos e bem equilibrados;
·
crescimento lento da indústria;
·
custos fixos altos ou perecibilidade do produto;
·
ausência de diferenciação ou custos de mudança;
·
aumento de capacidade em grandes saltos;
·
diversidades de estratégias, de origens e de personalidades
apresentadas pelos rivais;
·
barreiras de saídas elevadas.
Com
base nas cinco forças competitivas apresentadas, a empresa possui condições
de avaliar os seus pontos fortes e fracos mais evidentes, de forma a
posicionar-se adequadamente na indústria, defendendo-se contra essas
forças ou influenciando-as em seu favor.
Essa
análise possibilita o desenvolvimento de um plano de ação que irá
determinar o comportamento da empresa no ambiente competitivo, através
de três posturas não excludentes: a) a empresa pode buscar o
posicionamento, defendendo-se contra as forças competitivas ou
descobrindo posições onde as forças são mais fracas; b) a empresa
pode ser mais ofensiva, alterando as causas das forças competitivas,
influenciando o equilíbrio destas; c) a empresa pode antecipar as mudanças
nos fatores subjacentes às forças e, também, sua reação a essas
alterações, antes mesmo do reconhecimento dos concorrentes.
O
entendimento da estrutura industrial amplia a capacidade competitiva da
empresa, pois faz reconhecer que a competição se dá também com
clientes e fornecedores pelo poder de negociação, atentando-se para a
entrada de novos competidores e produtos substitutos na indústria.
As
empresas produtoras de adesivos industriais caracterizam-se por
participarem do setor dinâmico, no âmbito da economia nacional, tendo
em vista o nível tecnológico empregado na produção e no
desenvolvimento de produtos e a extrema necessidade de investimentos em
P&D (pesquisa e desenvolvimento). O setor dinâmico tem a importante
função de transmitir progresso técnico para as demais atividades econômicas,
através do fornecimento de equipamentos ou insumos estratégicos de
superior conteúdo tecnológico, elevando, portanto, os níveis de eficiência
e produtividade da indústria em geral.
A
competição se dá através da concorrência direta entre poucas
empresas, já que os produtos têm aplicações muito específicas. Por
outro lado, o fator crítico de sucesso que determina o padrão de
concorrência desse setor é a capacidade de inovar em produtos, medida
que intensifica a necessidade de elevados investimentos em P&D. Uma
forma eficiente de atender a essa necessidade de P&D intensiva é a
associação para realização de pesquisas, através de alianças
tecnológicas, fortemente apoiadas pelas políticas tecnológicas, em
particular, nos países europeus. O setor dinâmico recebe especial atenção
dos países desenvolvidos, e também é apoiado pelas políticas
industriais nacionais.
As
empresas de adesivos estão permanentemente atentas às tendências
tecnológicas e de produtos. Para acompanhar essas tendências,
apoiam-se em parcerias com grandes empresas internacionais. Sua produção
é destinada à composição de produtos para os seguintes setores: calçados,
automobilístico, da construção civil, moveleiro e outros. Entretanto,
a indústria de calçados constitui o principal mercado consumidor da
produção dessas empresas.
As
empresas produtoras de adesivos estão distribuídas por todo o país,
em sua maior parte em unidades estratégicas de negócios, de acordo com
os nichos de mercado existentes, de forma a facilitar o acesso aos
clientes, melhor distribuição e assistência técnica. Na maioria dos
casos, o fator determinante para a escolha da região onde serão
instaladas tais empresas é a localização das empresas da indústria
calçadista, tendo em vista a representatividade da produção de
adesivos destinada a esse mercado.
As
principais empresas da indústria de adesivos, no que concerne à
participação no mercado, são: Quimicam,
Brascola, Artecola, Killing, Una e
FCC Fornecedora. A seguir, são apresentados seus históricos e
tabelas com os respectivos indicadores econômico-financeiros, produtos,
matérias-primas utilizadas, principais aplicações e capacidade
instalada.
5.1
– FCC Fornecedora
Essa
empresa iniciou suas operações em março de 1969 e está instalada em
23.000 m2 de área construída no município de Campo Bom
(RS). A região é conhecida como um dos maiores centros industriais do
Rio Grande do Sul, principalmente na indústria calçadista.
|
|
1995 |
1996 |
1997 |
|
Patrimônio
líquido no dia 31/12 (em US$ 1.000) |
16.275 |
17.950 |
17.158 |
|
Faturamento
líquido aproximado (em US$ 1.000) |
42.573 |
51.557 |
57.077 |
|
Número
de empregados no dia 31/12 |
573 |
685 |
630 |
Fonte: Guia da Indústria Química (1998/99).
|
Produtos |
Principais
|
Principais
|
Capacidade
ins- |
|
|
Matérias-primas |
Aplicações |
talada
(em t/ano) |
|
Borrachas
e |
Borrachas,
plastificantes |
Calçados |
640
(m) |
|
Compostos |
|
|
|
|
|
Copolímeros
de |
Automobilístico, |
|
|
Colas
e |
etileno
e acetato |
calçados,
const. |
6.000
(m) |
|
Adesivos |
de
vinila, neoprene, |
civil,
moveleiro |
|
|
|
Resinas
fenólicas |
|
|
|
|
Disocianato
defenil- |
colas
e adesivos, |
|
|
Poliuretano |
Metano,
polióis |
peças
técnicas, |
600
(m) |
|
|
|
tintas
e vernizes |
|
Fonte:
Guia
da Indústria Química (1998/99).
A
Quimicam Produtos Químicos Ltda é integrante do Grupo Amazonas. Está
situada em Franca (SP), com filial em João Pessoa (Pb) e depósito em
Novo Hamburgo (RS), tendo iniciado suas operações em 1951. É
fabricante dos adesivos amazonas e também desenvolve produtos especiais
direcionados para as indústrias moveleira, automobilística e da
construção civil. Já está atingindo novos mercados como: embalagens,
cartonagens, gráficas e aviação. Mantém contrato de tecnologia com a
empresa alemã Forbo Helmitin,
uma das mais importantes fabricantes de adesivos e solventes do mundo.
Esse vínculo contribuirá para o desenvolvimento de novos produtos,
principalmente para as linhas "hot
melt" e base-água.
O
Guia da Indústria Química Brasileira de 1998/99 não apresenta os
indicadores econômico-financeiros da Quimicam, trazendo, apenas,
informações relativas aos produtos da empresa, conforme quadro abaixo.
PRODUTOS
|
Produtos |
Principais
|
Principais
|
Capacidade
ins- |
|
|
Matérias-primas |
Aplicações |
talada
(em t/ano) |
|
Borrachas
e |
Borrachas,
dióxido |
|
|
|
Compostos |
DT
silício, plastifi- |
Calçados |
712
(m) |
|
|
cantes,
resinas |
|
|
|
|
Copolímeros
de |
Automobilístico, |
|
|
Colas
e |
etileno
e acetato |
calçados,
const. |
7.833
(m) |
|
Adesivos |
de
vinila, neoprene, |
civil,
moveleiro |
|
|
|
Resinas
fenólicas |
|
|
Fonte:
Guia
da Indústria Química (1998/99).
A
Artecola iniciou suas operações em 1948. Possui unidades fabris
localizadas nos Estados do Rio Grande do Sul, São Paulo e Paraíba,
contando com uma rede de representantes espalhada por todo o continente.
Mantém acordos e parcerias internacionais com empresas líderes de
mercado e tecnologia (é o caso das empresas alemãs Rhenoflex,
líder mundial absoluta na produção de contrafortes, e Jowat, que detém a primeira posição em adesivos sólidos).
|
|
1995 |
1996 |
1997 |
|
Patrimônio
líquido no dia 31/12 (em US$ 1.000) |
9.264 |
7.791 |
7.924 |
|
Faturamento
líquido aproximado (em US$ 1.000) |
25.964 |
30.956 |
31.518 |
|
Número
de empregados no dia 31/12 |
287 |
268 |
234 |
Fonte: Guia
da Indústria Química (1998/99).
|
Produtos |
Principais
|
Principais
|
Capacidade
ins- |
|
|
Matérias-primas |
Aplicações |
talada
(em t/ano) |
|
Colas
e |
Acetato
de polivini- |
Automobilístico, |
|
|
Adesivos |
la
e vinila, copolíme |
calçados,
const. |
640
(m) |
|
|
ro
etileno, neoprene |
civil,
moveleiro |
|
Fonte:
Guia
da Indústria Química (1998/99).
A
empresa iniciou suas operações em 1962 com o lançamento de produtos
voltados para o setor coureiro-calçadista. Dava assim início a um
processo de diversificação de mercados, que teve prosseguimento quando
a indústria passou a produzir adesivos, tíneres e solventes. Hoje a
Killing atende a quatro diferentes mercados: predial, indústrias
metal-mecânicas, moveleira e coureiro-calçadista. A matriz está
situada em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, com uma nova unidade em
Pacatuba, no Ceará.
|
|
1995 |
1996 |
19 |