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George Queiroga Estrela*
Caixa Postal: 5045 – Fone: 0**83.216.7549 – e-mail: georgeestrela@uol.com.br
1.
INTRODUÇÃO
Diante
do aumento da concorrência, as empresas têm procurado racionalizar os
seus processos produtivos, visando maximizar a produtividade através da
redução dos custos de produção de bens e serviços, para atendimento
às exigências dos consumidores e como forma de se manterem
competitivas no mercado.
A
análise do valor se constitui numa ferramenta capaz de reduzir custos
da produção de bens e serviços da ordem de 60%, possibilitando o
aumento do valor de aquisição do produto para o usuário.
O
interesse pela Análise do Valor aumentou na década de cinqüenta nos
EUA, quando foram feitas tentativas de aplicá-la nos processos de
manufatura, serviços e trabalhos administrativos. Os resultados
positivos do seu emprego foram obtidos ao longo do tempo com o uso dos
conhecimentos da psicologia e outras técnicas desenvolvidas conforme a
necessidade, como as da abordagem funcional.
As
aplicações da análise do valor foram surgindo em diversos países,
como: Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, França, Holanda, Hungria,
Inglaterra, Irlanda, Itália, Índia, Japão, China, bem como o Brasil.
Essas aplicações receberam nomes diferentes, para finalidades específicas
e em profissões diversas, de acordo com determinadas orientações
denominadas plano de trabalho.
2.
CONCEITOS
As
técnicas da Análise do Valor foram criadas durante a Segunda Guerra
Mundial, diante da necessidade de se pesquisar novos materiais de custo
mais baixo e grande disponibilidade, que pudessem substituir outros mais
raros e de custo mais elevados. Posteriormente, entre 1947 e 1952, estas
técnicas foram consolidadas nos Estados Unidos.
De acordo com MILES (1962), a Análise do Valor “é um sistema para solucionar problemas através do uso de um conjunto específico de técnicas, um corpo de conhecimentos e um grupo de pessoas especializadas. É um enfoque criativo e organizado que tem como propósito a identificação e remoção de custos desnecessários”.
Sua
metodologia se aplica muito bem ao novo conceito da qualidade, buscando
superar as expectativas do consumidor a um preço que o este deseja
pagar pelo produto.
As
empresas, dentro de um ambiente competitivo, devem adequar-se ao
imperativo de satisfazer o consumidor, uma vez que ele é quem determina
o preço e o valor para o produto. Esse valor é igual ao conjunto dos
benefícios dividido pelo esforço despendido.
.A
Análise do Valor (AV) é um conjunto sistematizado de esforços e métodos
destinados a aumentar o valor econômico total de um produto, processo
ou serviço, enquanto que a Engenharia do Valor (EV) refere-se a
produtos, processos ou serviços novos ainda na fase de concepção.
Apesar das diferentes utilizações, os termos Análise do Valor (AV) e
Engenharia do Valor (EV) passaram a ser usados indistintamente.
A
metodologia da AV/EV identifica a função de um produto ou serviço,
estabelece um valor para aquela função e objetiva prover tal função
ao menor custo total, sem degradação.
3.
A COMPETITIVIDADE E A ANÁLISE DO VALOR
Aristóteles
descreveu, há cerca de 2.000 anos, sete tipos de valores: o econômico,
o político, o moral, o estético, o social, o jurídico e o religioso.
Sob
o enfoque econômico, o valor pode ser dividido em:
Valor
de Custo:
representa a soma de custos de mão-de-obra, matéria prima,
despesas gerais e outros esforços para a fabricação do produto;
Valor
de Uso:
representado pela utilidade de um bem ou serviço para o uso
esperado;
Valor
de Estima:
representado pelos aspectos que visam dotar um produto de beleza,
aparência, status, etc.;
Valor
de Troca:
como sendo a quantidade de dinheiro que eqüivale a troca do produto
no mercado.
O
valor econômico pode ser representado pela seguinte relação:
Valor
= (Valor de uso + Valor de Estima + Valor de Troca) / Valor de Custo
O
valor econômico é uma imagem mental, feita por comparação no momento
da compra. No caso, o produto é influenciado pelos valores do
consumidor.
A
AV/EV identifica o valor mínimo a ser gasto para adquirir ou produzir
um produto com uso, estima e a qualidade requerida.
No
sistema produtivo de bens e serviços deve haver um certo equilíbrio
entre a oferta e a procura, o que possibilitará uma satisfação simultânea
do produtor e do consumidor. Quando isso não acontece, a empresa pode
atingir um patamar de insustentabilidade provocada pela concorrência.
Com o tempo a empresa pode perder posições de destaque, importantes na
corrida pela competitividade.
4.
AS FUNÇÕES DE USO E ESTIMA DOS PRODUTOS
Os
valores de uso, estima e troca são obtidos por meio de funções
desempenhadas pelo produto, sendo uma função definida como toda e
qualquer atividade que um produto desempenha. Estas funções podem ser
básicas, as quais justificam a existência de um produto no
mercado, sendo a tradução de uma necessidade expressa pelos
consumidores e podem ser do tipo secundárias,
que atuam como auxiliares no cumprimento da função básica.
A
função de uso está
diretamente relacionada com o valor de uso do produto e envolve
atividades que exprimem o desempenho técnico de utilização. A função
de estima está diretamente relacionada com o valor de prestígio do
produto, envolvendo atividades que auxiliam as vendas do produto,
dotando-o de beleza, status, moda, etc.
Toda
função deve ser descrita através da soma do verbo mais o substantivo.
As funções de uso e estima
empregam diferentes tipos de verbos e substantivos, evitando o emprego
dos verbos ser, estar, ter e haver porque eles não indicam função e
sim propriedades. Por exemplo, função de uso:
suportar peso, transmitir força, transformar energia e como função de
estima: melhorar aparência,
apresentar forma, possibilitar estética, satisfazer o cliente.
Para
uma perfeita definição de funções com vistas à criatividade, é
importante ter em mente algumas questões:
·
O que se está realmente tentando fazer quando se desempenha a ação?
·
Por que é necessário fazer isso?
·
Por que é necessário o componente?
É também necessário observar se a função está sendo desempenhada de maneira muito realista.
5.
PLANO DE TRABALHO DA ANÁLISE DO VALOR
O
plano de trabalho é um instrumento sistematizado de desenvolvimento e
aplicações da Metodologia do Valor, a qual apresenta uma abordagem
basicamente composta das seguintes etapas:
Fase
de Preparação:
corresponde
às medidas preparatórias para escolher e determinar o objeto,
compor o grupo de trabalho e planejar as atividades. Nessa fase, há
uma situação nebulosa, e ela deve ser estudada para verificar que
tipo de problema pode estar ocorrendo, como a escolha de um produto
entre muitos, um sistema entre outros, um processo entre outros,
etc.
Fase
da Informação:
permite conhecer a situação atual, através da obtenção de
informações, dos custos, descrição e classificação das funções.
Nessa fase novas abordagens devem ser visualizadas a medida que
informações aparecem podendo ser necessário redefinir o problema,
repetindo todo o processo, e chegar-se finalmente à função a ser
estudada, seu custo e sua meta;
Fase
de Análise:
possibilita o exame da situação atual, avaliando as funções por
comparação;
Fase
da Criatividade:
permite obter alternativas, através das idéias que são agrupadas
e selecionadas;
Fase
de Julgamento:
analisa as alternativas, formula, desenvolve e decide após a
constatação da viabilidade técnica e econômica;
Fase
de Planejamento:
apresenta e implanta a solução adequada e acompanha a implantação.
Diferentes
técnicas são usadas em diversas fases do plano de trabalho. No
entanto, os processos complementares são empregados numa situação de
problema aberto, cabendo ao analista estabelecer como separá-los e
ainda permitir uma interação vantajosa entre eles.
Essas
técnicas reestruturantes acarretarão um melhor entendimento daquilo
que o problema envolve, assim como uma nova maneira de abordá-lo. É a
fase mais importante do processo, pois seu produto vai determinar a
natureza e a qualidade de qualquer solução. É difícil especificar a
seqüência na qual essas técnicas devem ser utilizadas.
6.
ESTRATÉGIAS COMPETITIVAS
Ambientes
ameaçados pela concorrência exigem que as empresas adotem estratégias
competitivas que serão de fundamental importância para se manterem
numa posição de destaque dentro de um grupo, atendendo aos interesses
da própria empresa e a satisfação dos clientes internos e externos.
Essas estratégias competitivas podem ser, segundo PORTER (1997), de três
tipos:
n
A
liderança no custo total,
através da apresentação de preços sempre inferiores aos dos
concorrentes, usando componentes padronizados, com ampliação do uso de
produtos modulares, selecionando fornecedores, comprando materiais em
grandes volumes e otimizando os projetos;
n
A
diferenciação,
com uma política de inovações permanentes de produtos e serviços,
promovendo a imagem da marca, caracterizando o produto como
tecnologicamente avançado, otimizando os serviços pós venda e
adotando serviços sob encomenda;
n
Criando
uma posição defensável
contra a pressão de grandes fornecedores, dos grandes compradores,
produtos substitutos concorrentes e novos entrantes.
7.
O PLANO DE TRABALHO CONSIDERANDO AS ESTRATÉGIAS COMPETITIVAS
O
plano de trabalho para aplicação da metodologia do valor poderá ser
constituído das seis fases anteriormente definidas, considerando as estratégias
competitivas de liderança nos
custos e diferenciação.
O quadro a seguir apresenta uma simulação do plano de trabalho,
relacionados as etapas, os processos à serem estabelecidos e suas
respectivas estratégias competitivas.
Etapas |
Passos |
Liderança
no custo total |
Diferenciação |
|
1.
Fase
de Preparação |
Escolher o objeto; Determinar o objeto; Compor a equipe; Planejar atividades. |
Sentimento de redução de custo; Objetivos somente quantitativos; Enfoque na redução dos custos. |
Mudanças com base nos clientes; Atender aos anseios dos clientes; Caraterização dos Clientes. |
|
2.
Fase
de Informação |
Obter informações; Obter os custos; Descrever e detalhar as funções. |
Relacionadas as funções (versáteis); Relacionada a custo, processo e Estoque, etc. (rígidos). |
Relacionadas as funções; Relacionada a custo, processo e estoque. |
|
3.
Fase
de Análise |
Avaliar as funções por comparação; Examinar as funções. |
Critérios rígidos; Necessidades atendidas de maneira global. |
Critérios flexíveis; Necessidades específicas atendidas. |
|
4.
Fase da Criatividade |
Obter idéias; Selecionar e agrupar idéias. |
Critérios baseados em reduzir custos; Critério e o custo. |
Critérios baseados e diferenciados; Critérios diferentes. |
|
5.
Fase
de Julgamento |
Formular/desenvolver alternativas; Viabilizar técnica e economicamente. |
Limites mais amplos. |
Habilidade criativa e pesquisa. |
|
6.
Fase
de Planejamento |
Apresentar a proposta; Planejar e acompanhar a implantação. |
Dependente da solução. |
Dependem da solução |
Fonte: POSSAMAI, 1998.
Quando
se consideram as estratégias competitivas com enfoque nos custos e na
diferenciação, as diversas fases do plano de trabalho têm as
seguintes particularidades:
4 A Fase de Preparação permite a decisão da escolha do objeto, levando em consideração alguns aspectos gerais, quais sejam: custo por propriedade e/ou função, probabilidade de sucesso, suporte gerencial, resultados, questões levantadas na revisão do projeto, custo de material, vida do produto, reclamações dos consumidores, componentes de elevado custo, custo de implementação, custo x função, ferramentas e equipamentos complexos, problemas de aquisição, teste do valor, estimativa de redução de custos, tempo gasto no projeto, avaliação de produtos com acabamento fino, capacidade limitada de produção, informações necessárias para uma análise e projetos artísticos.
No
caso do objeto da estratégia ser a redução de custos, a equipe deve
ser composta de 8 a 10 pessoas que, fazendo reuniões semanais,
empreguem a seguinte metodologia de trabalho:
Análise
das idéias através da metodologia de AV/EV;
Utilização
das técnicas do CQ para soluções;
Utilização
da estrutura da fábrica para solução e implementação de
projetos/idéias através dos pontos focais das funções;
Utilização
do “cost meeting” como
sistema gerencial;
Divulgação
de resultados/reconhecimento;
Incentivo
a participação nos programas existentes na companhia: programas de
sugestões, efetividade de custo, círculos de qualidade,
desburocratização e outros.
4
A Fase de
Informação permite se chegar à definição do problema. Nos aspectos
gerais, o teste de valor representa o menor esforço para se obter uma
função e, com base nisto, pode-se questionar o problema ante os
seguintes quesitos:
O
componente contribui para o uso da peça ?
Pode
ser eliminada a função ou o componente ?
O
custo é proporcional à sua aplicação ?
O
componente pode ser simplificado ?
Existe
um material mais barato ?
Existe
um componente padronizado ?
A
peça é fabricada com métodos apropriados ?
É
rentável o processo de fabricação ?
Existe
alguém fabricando a peça de forma mais econômica ?
Se
o dinheiro fosse seu, você o gastaria dessa forma ?
4
A Fase de Análise tem como objetivo específico a caracterização de
problemas complexos, a natureza do trabalho em grupo, a fase de avaliação
de funções, prover os participantes de condições mínimas para
aplicar os métodos, apresentação dos métodos através de suas
características e exemplos a serem desenvolvidos conjuntamente.
Existem
várias técnicas de análise que podem ser utilizadas não somente para
produtos, processos ou sistemas, como também para o seu projeto quando
apenas as funções foram definidas. Um dos métodos mais utilizados é
o de MUDGE, que consiste na comparação paritária entre as funções,
realizada por meio de uma tabela que proporciona uma ponderação
adequada entre elas, estabelecendo uma ordem de importância.
4
A Fase da Criatividade enfoca a habilidade que as pessoas possuem em
adquirir novas e úteis idéias a respeito de certos objetos. Existem várias
técnicas de criação de idéias. O BrainstormingW
pode ser usado dentro das regras de ser proibido criticar, a fantasia é
ilimitada, quantidade precede a qualidade, não há direitos de autoria,
todos devem anotar idéias e devem existir um coordenador e um secretário.
4
A Fase de Julgamento compreende a etapa de resumo das alternativas
formuladas e da decisão a respeito de sua aplicabilidade no que refere
a custos e facilidades. Esse julgamento poderá ser efetuado através da
verificação de tabelas formuladas com os dados do valor, das
dificuldades para implementação, da economia estimada e impedimentos.
A
técnica de seleção poderá ser em função do investimento, dos
resultados e da sua exequibilidade.
4
A Fase de Planejamento
corresponde à realização do plano de implementação da solução
escolhida, considerando o que deve ser feito, quem deve fazer, quando e
onde fazer.
O
planejamento deverá ser seguido e comparado com a realidade até o término
do processo, para detecção de eventuais desvios e implementação das
correções necessárias. Caso o desvio ainda persista, retorna-se a
fase de informação e recomeça o processo.
8.
A MIGRAÇÃO DO VALOR
O
valor migra de concepções obsoletas para novas concepções de negócios,
com maior capacidade de satisfazer às prioridade mais importantes dos
clientes. Uma concepção de negócios é a totalidade de como uma
empresa seleciona seus clientes, define e diferencia suas ofertas,
define as tarefas que realizará e as que terceirizará, configura seus
recursos, entra no mercado, cria utilidades para os clientes e captura
lucros.
O
sucesso de uma concepção do negócio na criação do valor independe
do porte da empresa. Muitas vezes, empresas novas e de pequeno porte
introduzem a maior parte do crescimento do valor do setor. Na década de
80, a margem operacional da minisiderúrgica Nucor, foi o dobro da
margem das grandes siderúrgicas integradas. A empresa U.S. Steel,
especializada na produção de aço laminado plano, teve uma receita de
6,1 bilhões de dólares com um valor de mercado de 4,1 bilhões de dólares
e com isto uma rentabilidade de 0,7, enquanto a empresa Nucor teve uma
receita de 3,0 bilhões de dólares com um valor de mercado de 5,0 bilhões
de dólares, obtendo, portanto, uma rentabilidade de 1,7.
A
estratégia competitiva da Nucor para obter maior lucratividade foi a
liderança nos custos. O principal foco da Nucor é a produção de aço
laminado não-plano para construção. Seus clientes exigem um nível de
qualidade mínimo aceitável e preocupam-se com um outro único fator
que é o preço. A empresa desenvolve todo o seu negócio em torno dessa
realidade central das prioridades de seus clientes.
Desde
a segunda década deste século a migração dos negócios tem
acontecido de acordo com a seguinte seqüência:
A
partir de 1920, os produtos de único modelo e preço passaram para
modelos e preços variados. A cadeia de armazém passou para o
sistema de supermercado;
Entre
1970 e 1980, o jogo do negócio se assemelhava ao futebol, com
certas explosões de intensas atividades de jogadas. A participação
no mercado garantia a lucratividade;
Entre
1980 e 1987, o jogo do negócio se assemelhava ao do basquete. Era
preciso ser rápido e grande. A pouca proteção do mercado exigia
velocidade das jogadas. Empresas de bens eletrônicos de consumo e
programas de computador muitas vezes eram citadas com o exemplos
eficazes de organizações que lançavam novos produtos o mais rápido
possível;
Entre
1987 e 1993, as regras do jogo que determinavam o sucesso e os
lucros mudaram de forma radical e assustadora. Novos jogadores como
a Microsoft e a TeleCommunications, Inc., conseguiram empregar novas
habilidades que não se baseavam somente no cliente, mas na
identificação das propriedades de pontos de controle estratégico
em seu setor. Mas só a participação no mercado não mais oferecia
a lucratividade e a proteção do valor de antes.
Desse
modo, os líderes começaram a tropeçar. Do setor de siderurgia ao
setor de varejo, passando pelo setor de transporte aéreo e informática,
novatos muitos menores, com concepções de negócio inovador,
capturaram a maior parte do aumento do valor de seu setor.
De
1984 a 1994, as grandes empresas como IBM e DEC perderam US$55 bilhões
em valor de mercado, enquanto que a Microsft, a Intel, a EDS e a Novel
ganharam US$ 80 bilhões. A migração de valores na informática passou
do negócio em torno de sistemas próprios de computadores de grande
porte e microcomputadores, para as concepções em torno de sistemas de
estações de trabalho de funcionalidade de computação mais
valorizados pelo cliente, como chips processadores, sistemas
operacionais, distribuição de baixo custo, programas de comunicações
e integração de sistemas.
A
execução e velocidade continuam sendo importantes, mas como parte de
um todo. Os gerentes precisam aprender as regras do novo jogo, que se
assemelha ao de xadrez. É preciso fazer novas perguntas: Velocidade
rumo a que? Onde poderei gerar lucros? Onde estará o valor no setor? De
que novas competências essenciais eu necessito? Em que preciso ser bom?
Que atitude preciso tomar para capturar o próximo ciclo de crescimento
de valor?
A
compreensão das prioridades dos clientes exige que se compreenda mais
do que simplesmente as necessidades do cliente. Necessidades referem-se
aos benefícios e às características dos produtos que os clientes
gostariam de comprar. Grande parte das pesquisas de mercado
concentram-se nas necessidades dos clientes. Na realidade, a compreensão
do sistema de tomada de decisão e das prioridades resultantes constitui
uma compreensão estratégica do cliente. As forças externas tais como
custos, tecnologia, concorrência, regulamentação e infra-estrutura têm
impacto sobre as necessidades do cliente, a economia e os processos
decisórios. E o que surge são as novas prioridades dos clientes. A análise
das necessidades descreve que produtos os clientes desejam. A análise
das prioridades determina que concepção do negócio cria a maior
utilidade para os clientes e lucros para os provedores.
9.
CONCLUSÃO
O
crescimento da produção de bens e serviços sustentado pelas inovações
tecnológicas tem se defrontado com a escassez de recursos dos
consumidores. Muitas empresas têm procurado se adaptar a essa nova
realidade, empregando estratégias competitivas com enfoque no custo e
na diferenciação.
A aplicação da Análise de Valor propicia às empresas maior confiabilidade no momento da tomada de decisão, isto é, devido ao grau de conhecimento que se adquire em relação aos produtos fabricados. A Análise de Valor pode ser aplicada a qualquer produto ou serviço.
Nota-se
que a Metodologia da Análise do Valor representa uma ferramenta
importante para se chegar a uma conciliação entre o crescimento da
produção e a escassez de recursos, argumentando que ela trata do valor
como sendo o mínimo a ser gasto para adquirir ou produzir um produto
com uso, estima e a qualidade requerida pelo produtor e consumidor.
Para
uma empresa poder obter vantagens competitivas com enfoques simultâneos
na liderança dos custos e na diferenciação, é preciso que a ela faça
um plano de trabalho baseado numa Análise do Valor que contemple
diferentes cenários para o futuro e o poder das forças competitivas,
com uma nova concepção de negócios que contemple de forma eficaz às
prioridades dos clientes e gere enorme valor para a empresa. Do contrário,
a empresa poderá ficar numa posição insustentável de meio termo, sem
conseguir liderança de custos e de diferenciação.
Pode-se
observar que, apesar de a AV ter surgido na década de 50, essa foi a
primeira metodologia a abordar o conceito de função e o ponto de vista
do fornecedor e do cliente, mostrando a diferença de enfoques entre
ambos. Verifica-se que a Análise do Valor é recomendada para ser
utilizada como ferramenta em fases para implantação de um sistema de
qualidade e certificação, conforme as normas da família ISO 9000, no benchmarking,
em etapas do trabalho de reengenharia, entre outros.
BIBLIOGRAFIA
CONSULTADA
ABRAMCZUCK, André A. Para que serve a análise de valor? Para que poderia servir?. In: VALOR EM PERSPECTIVA, 1, 1991, Florianópolis. Resumo dos trabalhos apresentados...Florianópolis: ABREAV,1991. p.15-20.
ABREU, Romeu Carlos Lopes de. Análise de valor; um caminho criativo para a otimização dos custos e do uso dos recursos. São Paulo: Qualitymark, 1995.
CSILLAG, João Mario. Análise de Valor: Metodologia de Valor. São Paulo: Atlas,1995.
MILES, Laurence D. Análise de valor em Engenharia. Trad. K. Weil. 5ed. Califórnia, 1962.
PORTER,
Michael E. Estratégia
competitiva; técnicas para análise de indústrias e da concorrência.
7.ed. Rio de Janeiro: Campus, 1997.
POSSAMAI, Osmar. Análise de Valor. Florianópolis: UFSC, 1998.(Apostila).
W
A tradução
da palavra inglesa “Brainstorming” significa “tempestade de idéias”.
Como o próprio nome sugere, esta técnica é utilizada para que as
pessoas envolvidas em determinado processo possam apresentar seus
pontos de vista, sem estar sujeitas às críticas dos demais
participantes.
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